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Israel obriga sacerdote católico a deixar a Palestina

Segundo fontes da Igreja, Israel justificou sua decisão citando as opiniões políticas do Pe. Louis, consideradas por Israel como incitação, e sua significativa influência sobre a juventude cristã.

Pe. Louis Salman Foto: Patriarcado Latino de Jerusalém

Pe. Louis Salman Foto: Patriarcado Latino de Jerusalém

Redação (18/05/2026 10:17, Gaudium Press) Em meio a tensões crescentes na região, as autoridades israelenses decidiram não renovar o visto de residência de um influente sacerdote católico jordaniano que atuava na Cisjordânia, forçando sua saída dos territórios palestinos. O caso de Pe. Louis Salman, pároco da igreja latina em Beit Sahour, uma cidade de maioria cristã palestina perto de Belém, gerou indignação nas comunidades cristãs palestinas e chamou atenção para os desafios enfrentados pelas minorias religiosas na área.

Nascido em 1989 em Amã, na Jordânia, Louis Salman formou-se em computação gráfica e animação antes de ingressar no seminário maior em Beit Jala, na Cisjordânia, em 2014. Ordenado sacerdote em 2021, ele se destacou como pároco em Beit Sahour — uma cidade majoritariamente cristã conhecida também como o Campo dos Pastores — e como orientador espiritual do movimento juvenil cristão palestino. Sua ação pastoral e proximidade com os jovens o tornaram uma figura de referência para a comunidade.

No final de abril de 2026, o sacerdote foi submetido a um interrogatório de segurança longo e intenso por autoridades israelenses. Pouco depois, a Igreja foi informada de que ele precisaria deixar o país. Oficialmente, Israel recusou a renovação do visto de residência e determinou que ele saísse antes de 11 de maio. Salman celebrou sua última missa com a igreja lotada e fiéis emocionados. Em seguida, retornou à Jordânia.

Foto: Milad/ X

Foto: Milad/ X

Fontes eclesiais indicam que a decisão estaria relacionada às posições políticas do sacerdote e à sua influência entre os jovens cristãos palestinos. Ele teria se manifestado publicamente contra a ocupação israelense e participado de eventos nacionais e humanitários, incluindo orações em memória da jornalista cristã palestino-americana Shireen Abu Akleh, assassinada em 2022 por um soldado israelense. Não houve acusações formais ou explicação pública detalhada por parte de Israel, o que caracterizou o caso como uma medida administrativa com forte impacto prático.

O episódio ocorre em um contexto de crescente pressão sobre as igrejas e instituições cristãs palestinas, com relatos de ataques de colonos, restrições a celebrações religiosas e disputas por terras. Para muitos na comunidade, a saída de Pe. Louis não representa apenas a perda de um pároco querido, mas um sinal preocupante sobre o futuro da presença cristã na Terra Santa, já bastante reduzida ao longo das décadas.

O Patriarcado Latino de Jerusalém e outras vozes católicas acompanharam o caso com discrição, priorizando a segurança do sacerdote. O próprio Pe. Louis optou por não fazer declarações públicas amplas após a partida, a pedido de superiores e por razões de proteção pessoal.

O caso reacende o debate sobre liberdade religiosa. Enquanto autoridades israelenses não comentaram oficialmente os motivos específicos, setores palestinos e cristãos veem o episódio como parte de um padrão que ameaça a permanência e o testemunho das comunidades cristãs locais.

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