Canadá: milhares de pessoas exigem leis que protejam a vida desde a concepção até a morte natural
De todas as partes do país, eles se reuniram para defender o fim do aborto e da eutanásia e “lembrar ao Parlamento duas palavras simples: ‘Não matarás’”.

Marcha pela Vida em Ottawa, Canadá, na quinta-feira, 14 de maio de 2026. Foto: Peter Stockland
Redação (18/05/2026 11:56, Gaudium Press) Milhares de manifestantes se reuniram em Ottawa, capital do Canadá, para a Marcha Nacional pela Vida, evento anual que reúne participantes de todas as regiões do país em defesa do fim do aborto e da eutanásia.
Os organizadores estimaram uma multidão de milhares de pessoas, que demorou quase 25 minutos para percorrer o trajeto da Colina do Parlamento pela rua Wellington até a rua Elgin. A lenta procissão foi marcada por cartazes, orações e cânticos.
Os participantes representaram um amplo espectro da sociedade canadense: famílias inteiras, clérigos, jovens e idosos, muitos carregando cartazes em defesa da proteção da vida desde a concepção até a morte natural.
Um dia marcado pela fé e pela defesa dos direitos
A jornada começou com missas em importantes igrejas de Ottawa, como a Catedral Notre-Dame, a Basílica de São Patrício e a Paróquia de São Clemente. O arcebispo de Ottawa-Cornwall, Dom Marcel Damphousse, presidiu a liturgia na catedral, acompanhado pelo núncio apostólico, Arcebispo Ivan Jurkovič, pelo bispo ucraniano Bryan Bayda e dezenas de outros clérigos.
Após as celebrações, os participantes se concentraram ao meio-dia para o ato público que antecedeu a marcha. Uma das organizadoras, Debbie Duval, explicou o motivo da escolha da data:
“Marchamos numa quinta-feira, em Ottawa, porque é o dia em que os legisladores se reúnem na Câmara dos Comuns. Queremos que eles nos vejam e nos ouçam. Queremos que saibam que estamos aqui.”
Matthew Wojciechoski, da Coalizão pela Vida (CLC), principal grupo organizador do evento, reforçou o recado aos parlamentares:
“Estamos aqui para pedir aos membros do Parlamento que aprovem proteções legais para todos os seres humanos, desde a concepção até a morte natural. Queremos lembrar ao Parlamento duas palavras simples: ‘Não matarás’.”
O evento é realizado anualmente em maio para lembrar a aprovação da lei de 1969 que descriminalizou o aborto no Canadá. Este ano, a marcha coincidiu exatamente com a data da votação e teve como lema a frase do Evangelho: “Segue-me”.
Testemunhos pessoais e vozes internacionais
Entre os oradores estiveram ativistas nacionais e internacionais que compartilharam testemunhos emocionantes.
Aleš Primc, líder político esloveno e cofundador da Voz pelas Crianças e Famílias, contou como conseguiu aprovar um referendo que derrubou a legislação sobre suicídio assistido em seu país.
A advogada americana Rebecca Kiessling, fundadora da Save the 1, emocionou o público com seu relato pessoal. Concebida em decorrência de um estupro, ela sobreviveu graças às leis de proteção à vida vigentes na época.
“Eu não merecia a pena de morte pelo crime cometido contra a minha mãe”, afirmou. “Fui protegida. A lei importa.” Desde então, Kiessling dedica sua vida à defesa dos direitos do nascituro, inclusive nos casos de estupro e incesto.
A marcha em Ottawa foi o ponto alto de uma programação de quatro dias, que incluiu vigília com velas em memória das vidas perdidas pelo aborto, jantar e uma reunião juvenil para atrair as gerações mais novas.
Manifestações em todo o Canadá
Eventos semelhantes ocorreram em várias partes do país. Em Victoria, na Colúmbia Britânica, centenas de pessoas marcharam pelo centro da cidade e se concentraram em frente à Assembleia Legislativa.
O arcebispo de Vancouver, Dom Richard Smith, abordou o tema durante a homilia na Catedral de Santo André. Reconhecendo que muitos se sentem desanimados diante das tendências culturais atuais, ele incentivou a perseverança:
“Deus está agindo, Deus está em ação e Deus é uma força impossível de ser detida. Sua vontade salvadora simplesmente não pode ser frustrada pela iniquidade humana.”
Em frente da Assembleia, Dom Smith destacou o caráter pacífico do evento: “Nossa marcha é um evento muito pacífico e uma ótima oportunidade para testemunharmos a beleza de toda a vida”, disse ele, acrescentando que todo ser humano é “desejado, amado e necessário”. Ele também fez um apelo por uma transformação dos valores sociais, rumo a relações definidas pelo amor desinteressado, em vez do individualismo.
A Marcha pela Vida continua nas próximas semanas em outras cidades. Em Toronto, a marcha está marcada para 23 de maio, em Queen’s Park North. Halifax realizará seu evento em 30 de maio, e Charlottetown, na Ilha do Príncipe Eduardo, em 6 de junho.
Juntas, essas manifestações formam uma campanha nacional coordenada que defende mudanças na legislação canadense e uma transformação cultural mais ampla em direção a uma “cultura da vida”.
Com informações BC Catholic





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