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Presidente da Costa Rica coloca seu mandato sob a proteção de Nossa Senhora dos Anjos

O momento mais emblemático da celebração ocorreu quando a presidente colocou sua faixa presidencial aos pés da Virgem.

Nossa Senhora dos Anjos / Laura Fernández entregando sua faixa presidencial. Foto: Basílica de Nossa Senhora dos Anjos / Escritório de Comunicação da Conferência Episcopal da Costa Rica.

Nossa Senhora dos Anjos / Laura Fernández entregando sua faixa presidencial. Foto: Basílica de Nossa Senhora dos Anjos / Escritório de Comunicação da Conferência Episcopal da Costa Rica.

Redação (12/05/2026 14:36, Gaudium Press) Em um gesto simbólico e carregado de devoção, a nova presidente da Costa Rica, Laura Virginia Fernández Delgado, começou seu mandato reafirmando sua fé e encomendando o futuro do país à proteção divina. Apenas um dia após assumir o cargo, em 8 de maio de 2026, a presidente visitou a Basílica de Nossa Senhora dos Anjos, em Cartago, no dia 9 de maio, para participar de uma missa solene junto com sua equipe de trabalho.

A Basílica de Nossa Senhora dos Anjos é o principal santuário católico da Costa Rica e abriga a imagem de La Negrita, a Virgen de los Ángeles, padroeira oficial do país. A imagem, descoberta em 1635, é um símbolo profundo de identidade nacional e fé popular. Milhares de costarriquenhos peregrinam até lá todos os anos, especialmente no dia 2 de agosto, data da festa da padroeira.

O gesto da faixa presidencial

O momento mais emblemático da celebração ocorreu quando a presidente colocou sua faixa presidencial aos pés da Virgem, acompanhado de arranjos florais. Esse ato representou o cumprimento de uma promessa pessoal e, acima de tudo, a entrega formal de seu governo e do destino da nação à Mãe de Deus. Imagens do momento, compartilhadas pela própria Presidência, rapidamente viralizaram nas redes sociais.

A homilia: poder como serviço e a necessidade de Deus

A Santa Missa foi presidida por Mons. Javier Román, bispo de Limón e presidente da Conferência Episcopal da Costa Rica. Em sua homilia, o prelado destacou temas essenciais para o exercício da função pública em um contexto de desafios crescentes.

Mons. Román lembrou que muitos fardos e decisões governamentais ultrapassam as forças puramente humanas, sendo necessário buscar sabedoria, prudência e clareza na oração. “Há decisões e fardos que não podem ser sustentadas somente com nossas próprias forças”, afirmou.

O bispo elogiou o testemunho público da fé da presidente, contrastando com a tendência contemporânea de relegar a religião ao âmbito privado. Para ele, a fé serve como guia para atuar com retidão, honestidade e ética, lembrando que “o poder tem limites” e deve ser exercido com respeito à vida e à dignidade humana.

Ele citou o exemplo de São Thomas More, patrono dos governantes, convidando Fernández a inspirar-se em sua coerência e compromisso com a verdade, mesmo diante de pressões. A verdadeira grandeza da autoridade, segundo o bispo, reside no serviço aos outros.

Mons. Román também destacou o simbolismo de uma mulher assumir a presidência pela segunda vez na história do país (após Laura Chinchilla, 2010-2014). Ele ressaltou a capacidade feminina de “custodiar a vida” e trazer humanidade às decisões políticas, especialmente diante do sofrimento de famílias e comunidades.

Desafios do país e apelo à unidade

A homilia não ignorou a dura realidade social da Costa Rica. O país enfrenta um aumento preocupante de insegurança, narcotráfico, homicídios e violência organizada, problemas que marcaram o debate eleitoral de 2026. Fernández venceu as eleições no primeiro turno com cerca de 48% dos votos, prometendo medidas firmes como a construção de uma mega-prisão inspirada no modelo de El Salvador.

O bispo encomendou especialmente as famílias, os jovens e as comunidades afetadas pela violência à paz de Deus. Fez um forte apelo à unidade nacional, afirmando que os desafios são grandes demais para serem enfrentados em divisão: “Os desafios que temos pela frente são grandes demais para enfrentá-los divididos”.

A cerimônia terminou com a nação sendo encomendada à Virgem de los Ángeles, pedindo justiça, verdade, esperança e proteção para todo o povo costarriquenho. Mons. Román garantiu que a Igreja continuará orando constantemente pelos governantes.

Um início marcado pela fé

Ao iniciar seu governo de forma tão explícita aos pés de “La Negrita”, Laura Fernández Delgado, de 39 anos, política e cientista política nascida em Puntarenas e ligada ao Partido Pueblo Soberano, sinaliza um estilo de liderança que integra valores espirituais à gestão pública. Seu gesto reforça a forte tradição católica da Costa Rica, um dos países mais estáveis da América Central, e projeta uma imagem de humildade e compromisso com o bem comum em meio a tempos turbulentos.

Para muitos costarriquenhos, esse ato não é apenas simbólico: representa a esperança de que o novo governo combine firmeza contra o crime com uma visão humanista e ética, guiada por princípios superiores. Com fé, assim começa o mandato de Laura Fernández Delgado.

Com informações Aciprensa

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