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Beato Inocêncio XI e o cerco de Viena

Por ordem de Inocêncio XI, em todas as igrejas houve exposição do Santíssimo Sacramento e orações para implorar a defesa de Viena.

Fotos: Wikipedia

Fotos: Wikipedia

Redação (11/05/2026 19:39, Gaudium Press) Na Batalha de Lepanto, em 1571, Nossa Senhora apareceu no céu incutindo tal terror nos turcos maometanos que eles fugiram e perderam grande parte de seu poder marítimo, mas continuaram a hostilizar a Cristandade por terra.

Papa de têmpera varonil e indomável

O Bem-Aventurado Inocêncio XI, Papa de têmpera varonil e indomável, efetuou várias tentativas de abrir os olhos dos príncipes católicos europeus para as atrocidades praticadas pelos maometanos. Entretanto, eles estavam divididos entre si e pouco se interessavam pela glória de Deus.

A fim de mover os Céus em favor de uma Europa indolente e impetrar a união dos príncipes contra a ameaça turca, o pontífice promoveu a coroação da imagem da Mãe do Bom Conselho de Genazzano, em 17 de novembro de 1682.

De fato, as previsões do Papa se cumpriram.  Pretendendo conquistar Viena para depois dominar a Europa e extirpar a Santa Igreja desse continente, em maio de 1683 300.000 islamitas partiram de Belgrado, capital da Sérvia, que haviam dominado havia 150 anos.

1280px August Querfurt The Turkish siege of Vienna

Dentre eles destacavam-se 50.000 janízaros, a elite do exército dos sultões constituída de homens que haviam sido católicos, mas foram capturados quando crianças e pervertidos ao Islã.

Pelas regiões que atravessavam destruíam igrejas, matavam ou escravizavam católicos e efetuavam saques, mas eram sempre apoiados pelos habitantes calvinistas. E se aproximavam da capital da Áustria…

Príncipe Eugênio de Saboia

Atemorizado com a terrível ameaça, o Imperador Leopoldo I fugiu acompanhado por cerca de 100.000 habitantes.  Ele era de boa índole e religioso, mas de caráter indeciso.

Atendendo à súplica do Beato Inocêncio XI, João Sobieski, Rei da Polônia, reuniu 20.000 guerreiros e rumou para defender a cidade sitiada e esmagar seus inimigos. A eles se uniram as tropas do Duque de Lorena, comandante das forças imperiais, bem como as do Duque da Baviera, totalizando 75.000 homens.

Nas proximidades de Viena, encontrava-se o jovem Príncipe Eugênio de Saboia que logo se colocou sob as ordens de Sobieski. Nascido em Paris, foi educado na Corte de Luís XIV o qual não lhe permitiu integrar o exército real. Aos 20 anos de idade, partiu para a capital austríaca e durante meio século comandou as tropas imperiais. Obteve tantas vitórias que é considerado um dos maiores generais de sua época.

Indigna atitude de Luís XIV

Luís XIV estava disposto a salvar Viena se o elegessem imperador. Não se atrevia a apoiar claramente os turcos devido à opinião pública da Europa e, sobretudo, ao povo francês e ao Papa.

O pontífice escreveu ao Rei da França uma carta na qual afirmava: “Eu te conjuro pela misericórdia de Deus que auxilie a oprimida Cristandade para que não caia sob o jugo do terrível tirano…. Seja digno da grandeza de tua vocação!”[1]

Entretanto, o monarca não atendeu a essa ordem e tentou impedir a aliança de Sobieski com Leopoldo I, pois queria ser ele mesmo imperador. O heroico Rei da Polônia rompeu com Luís XIV e, pela mediação do Papa, efetuou referida aliança.

Esse foi um momento transcendental da História da Igreja e do mundo, como sucedera em 732 na Batalha de Poitiers, França, na qual Carlos Martel esmagou os maometanos que haviam conquistado Portugal e Espanha e pretendiam dominar toda Europa.

Sobieski acolitou Missa celebrada no alto do Monte

Por ordem de Inocêncio XI, em todas as igrejas houve exposição do Santíssimo Sacramento e orações para implorar a defesa de Viena.

Durante um mês e meio, os islamitas bombardearam a praça principal da cidade. Num grande monte das proximidades, 32 príncipes de sangue, acompanhados por milhares de nobres, participaram da Missa antes do combate. O Rei da Polônia acolitou o Santo Sacrifício.

No fim da celebração, o Beato Marco d’Aviano, frade capuchinho, deu a bênção dizendo: “Em nome do Santo Padre, digo-vos que, se tiverdes confiança em Deus, a vitória é vossa!” Em seguida, João Sobieski armou cavaleiro seu filho de 16 anos, que logo depois se integrou no exército católico.

O sinal de que a guerra estava sendo travada em defesa da Religião era este: no alto do Monte no qual se encontravam os católicos ondeava uma grande bandeira vermelha com uma cruz branca.

“Venimus, vidimus et Deus vicit”

No dia 12 de setembro de 1683 – em que se comemora o Santíssimo Nome de Maria –, as tropas católicas desceram o monte surpreendendo pelas costas o acampamento inimigo.

Apesar da esmagadora superioridade numérica dos turcos, os guerreiros de Cristo fenderam as hostes do adversário e, após árduos combates, salvaram Viena. 200.000 islamitas morreram e, entre os católicos, 3.080 entregaram suas almas a Deus.[2]

"Sobieski enviando a mensagem de vitória para o Papa, após a Batalha de Viena"

“Sobieski enviando a mensagem de vitória para o Papa, após a Batalha de Viena”

O Rei da França soube da vitória, mas não comunicou a notícia ao povo. Ficou por três dias sem apresentar-se em público, alegando estar indisposto. Seu plano de conquistar a coroa imperial havia fracassado…. Todos aclamavam o Imperador Leopoldo, enquanto Luís XIV se tornara conhecido “como incitador dos turcos contra os cristãos”.[3]

Sobieski mandou seu secretário levar ao Papa o enorme estandarte do chefe turco, feito de seda e tecido a ouro, juntamente com uma carta que assim começava: Venimus vidimus, et Deus vicit: Viemos, vimos e Deus venceu. O oposto do ególatra Júlio Cesar que exclamou, após uma de suas vitórias: Veni, vidi, vici – vim, vi e venci…

Em ação de graças pela vitória, Beato Inocêncio XI estendeu à Igreja Universal a festa do Santíssimo Nome de Maria. A Santa Liga prosseguiu sua reconquista e Budapeste foi libertada depois de um século e meio sob o jugo otomano.

“Coração de Maria, minha esperança!”

Por meio de homens providenciais, alentados pelo bafejo puríssimo e combativo de Nossa Senhora, a Cristandade fora salva do naufrágio da Fé.[4]

Afirmou Dr. Plinio Corrêa de Oliveira que o lema de João Sobieski era “Coração de Maria, minha esperança!”. “Nos transes difíceis de sua vida e do seu reinado, ele ia haurir no Coração Imaculado de Maria alento e valor para as dificuldades”.[5]

Muito mais do que a Sobieski, a vitória em Viena deveu-se ao heroico Papa Beato Inocêncio XI. Peçamos-lhe que interceda pela Igreja Católica Apostólica Romana a qual “nunca foi tão combatida, traída, posta de lado, nunca recebeu tantos ósculos de Judas, de toda espécie, quanto no tempo presente”.[6]

Por Paulo Francisco Martos

Noções de História da Igreja


[1] WEISS, Johann Baptist. Historia Universal. Barcelona: La Educación. s/d, v. XI, p. 883-884.

[2] Cf. DARRAS, Joseph Epiphane. Histoire Génerale de l’Église. Paris: Louis Vivès. 1885, v. 37, p. 579.

[3] WEISS, Johann Baptist. Op. cit., p. 901.

[4] Cf. CLÁ DIAS, João Scognamiglio, EP. Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens. São Paulo: Arautos do Evangelho. 2020, v. III, p. 101.

[5] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Que o Coração de Maria seja a nossa morada. In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XXIV, n. 279 (junho 2021), p. 27.

[6]Idem, Lutadores intrépidos pela Santa Igreja.  Ano XXIV, n. 281 (agosto 2021), p. 11.

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