Gaudium news > Sou católico: posso ser contra as revelações de Fátima?

Sou católico: posso ser contra as revelações de Fátima?

Por mais que não façam parte da Revelação oficial, as revelações provêm de Deus. E, embora negar-lhes a importância não seja heresia, é bem característico de hereges.

Nossa Senhora e Fatima

Redação (11/05/2026 17:35, Gaudium Press) Quando temos grandes noções gerais sobre as coisas, estas noções são muitas vezes simplificantes, ou até superficiais e, por isso, insuficientes. Quem tem um conhecimento muito difuso sobre algo acaba desconhecendo os matizes. E a verdade está nos matizes…

Isto se aplica, sobretudo, à doutrina católica. É preciso ter noções firmes a respeito da Teologia, a fim de esclarecer os ignorantes e refutar os obstinados em questões como esta do título.

Portanto, para encontrar a verdade, vamos aos matizes.

O que é a Revelação?

A Revelação – com “R” maiúsculo – está contida na Sagrada Escritura e na Tradição. A Sagrada Escritura é composta por todos os livros do Antigo e Novo Testamentos, como foi definido no Concílio de Trento (cf. DH 1501-1508). O conteúdo da Bíblia é inspirado pelo Espírito Santo, o seu autor.

A Revelação está encerrada?

A resposta inexorável é SIM. Cristo é, por excelência, a Palavra de Deus dada aos homens. Ele mesmo disse que nos comunicou “tudo o que ouviu do Pai” (Jo 15,15). Com Ele, nós recebemos a plenitude da Revelação.

Essa doutrina exprime o ensinamento tradicional da Igreja, afirmado em Trento (cf. DH 1501), e foi confirmada, de modo particular, com a condenação do modernismo (cf. DH 2082, 3043, 3421). Quem discorda disso obstinadamente é herege.

Então o Espírito Santo se calou após a morte dos Apóstolos?

É uma pergunta absurda. Todas as verdades da Fé estão contidas na Revelação, mas não estão necessariamente explicitadas.

Pela ação do Espírito Santo, a Igreja progride no conhecimento do depositum fidei, fazendo sempre florescerem novas maravilhas![1] Um homem, na infância, é pequeno e vivaz. Depois cresce, se fortalece, adquire maturidade. Entretanto, continua sempre sendo o mesmo homem.

São Vicente de Lérins explica que, da mesma forma, “o dogma cristão dilata-se com o tempo, aperfeiçoa-se com a idade, permanecendo, no entanto, incorrupto e ilibado”.[2]

Como se desenvolve esta explicitação?

Através do Magistério oficial da Igreja, depositária da Revelação. Contudo, são também ótimos auxílios as revelações privadas aprovadas pela autoridade, como é o caso de Lourdes, La Salette e Fátima.

A função das comunicações sobrenaturais “não é aperfeiçoar ou completar a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da História” (CCE, n. 67). Por mais que não sejam parte da Revelação oficial, elas provêm de Deus, e daí vem seu enorme valor.

Embora negar a importância das revelações não seja heresia, é ao menos bem característico de hereges.[3]

Entretanto, é preciso ter claro que, absolutamente falando, os fiéis não estão obrigados a acreditar nas revelações privadas. Isso nos leva, finalmente à pergunta final:

Sou católico, posso duvidar das revelações de Fátima?

Aos que julgam já ter intuído a conclusão, pedimos um pouco de paciência… Recordem-se: a verdade está nos matizes.

Fátima é uma revelação privada, mas…

Nós podemos e devemos dar um assentimento de fé às revelações, se tivermos as provas e garantias convenientes da origem divina delas.[4] O fato de não entrarem em contradição com a doutrina da Igreja, os milagres, as conversões e o bem espiritual que elas produzem são algumas dessas provas. “Seria muito repreensível contradizê-las ou pô-las em ridículo depois da aprovação da Igreja”.[5]

A conclusão de tudo isso – perdoem-nos os leitores – não será uma resposta, mas uma pergunta: se a Igreja deu seu assentimento, nós podemos duvidar?

Por Diác. Jiordano Gabriel Carraro, EP


[1] Cf. BARTMANN, Bernhard. Teologia Dogmática. Trad. Vicente Pedroso. São Paulo: Paulinas, 1962, v.1, p.101.

[2] SÃO VICENTE DE LÉRINS. Comonitório. Trad. Fabiano Lyrio Silva. Niterói: Permanência, 2009, p.29.

[3] Cf. VILLER, Marcel (Coord.). Dictionnaire de spiritualité. Paris: Beauchesne, 1967, p.483.

[4] Cf. Id., p.488.

[5] ROYO MARÍN, Antonio. Teología de la Perfección Cristiana. 4. ed. Madrid: BAC, 1962, p.823.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas