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Leão XIV: fé e ciência não são rivais, mas estão a serviço da verdade

Ao receber em audiência os membros do conselho de administração da Fundação do Observatório do Vaticano, nesta segunda-feira, 11 de maio, o Papa reafirmou o profundo vínculo entre fé e ciência, que são as duas asas que conduzem à verdade.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

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Redação (11/05/2026 10:14, Gaudium Press) Na audiência com os membros do Conselho de Administração da Fundação do Observatório do Vaticano, o Papa Leão XIV agradeceu pelo “apoio fiel e generoso” à instituição, que atua a serviço da Santa Sé e da Igreja universal. Durante o discurso, o Pontífice resgatou a história do Observatório e alertou para os desafios atuais enfrentados tanto pela fé quanto pela ciência.

O Papa recordou que, há 135 anos, seu predecessor Leão XIII refundou o Observatório do Vaticano com o objetivo de mostrar que a Igreja não se opõe à ciência verdadeira e sólida, seja humana ou divina. Pelo contrário, a Igreja a abraça, encoraja e a promove com dedicação. Naquela época, quando a ciência era apresentada como uma “verdade rival” da religião, a Igreja quis demonstrar que fé e razão não são inimigas, mas podem caminhar juntas.

Leão XIV citou a encíclica Fides et Ratio, de São João Paulo II (1998), que compara a fé e a razão a “duas asas” que permitem ao espírito humano elevar-se para a contemplação da verdade.

Uma ameaça mais insidiosa

Segundo o Papa, o desafio de hoje é diferente e “mais insidioso”. Não se trata mais de oposição direta entre fé e ciência, mas de uma ameaça comum: a negação da existência de uma verdade objetiva.

“Muitas pessoas no mundo se recusam a reconhecer o que a ciência e a Igreja ensinam claramente: que temos a solene responsabilidade de cuidar do nosso planeta e do bem-estar de todos os que nele vivem, especialmente os mais vulneráveis, cuja vida está ameaçada pela exploração irresponsável tanto das pessoas quanto do mundo natural”, afirmou.

Para o Pontífice, a adesão da Igreja a uma ciência rigorosa e honesta continua “não apenas valiosa, mas essencial” neste contexto.

O fascínio do céu e a poluição luminosa

Leão XIV destacou o papel especial da astronomia. Contemplar o sol, a lua e as estrelas é um dom acessível a todo ser humano, independentemente de sua condição social. Essa contemplação desperta “tanto admiração quanto um senso de proporção que nos salva. Contemplar os céus nos convida a ver nossos medos e nossas falhas à luz da imensidão de Deus”.

O céu noturno, segundo ele, permanece como “uma das últimas fontes de alegria verdadeiramente universais”, um tesouro de beleza aberto a ricos e pobres em um mundo profundamente dividido.

No entanto, o Papa lamentou que essa experiência esteja ameaçada pela poluição luminosa. Parafraseando Bento XVI, ele disse que “enchamos nosso céu de luz artificial que nos cega para as luzes que Deus colocou nele”. Essa imagem, acrescentou, também representa o pecado, que obscurece o olhar do homem sobre Deus e a criação.

A ciência como caminho espiritual

Na parte final do discurso, o Papa ressaltou a dimensão teológica da pesquisa científica. “Nossa religião é a da Encarnação”, recordou. Deus se revelou através das coisas criadas e que “amou tanto a sua criação que enviou o seu próprio Filho para entrar nela e redimi-la “.

Por isso, o desejo de compreender melhor o universo não é apenas curiosidade científica, mas “um reflexo daquela incessante saudade de Deus que reside no âmago de cada alma”.

Leão XIV elogiou o trabalho da Fundação, que permite aos cientistas do Vaticano dialogar com o público e com a comunidade científica internacional, além de compartilhar as maravilhas da astronomia com estudantes do mundo inteiro por meio de oficinas em escolas e paróquias.

Ao final, o Papa renovou sua gratidão aos membros da Fundação e invocou as bênçãos de Deus sobre eles.

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