VI Domingo da Páscoa: “Não vos deixarei órfãos”
A promessa do Redentor permanece firme: se observarmos suas palavras, Ele jamais nos abandonará.

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Redação (10/05/2026 07:58, Gaudium Press) Certos autores denominam o texto recolhido pela Liturgia de hoje como “quinta-essência do Evangelho”, tal a sua profundidade e riqueza de significado. Pouco antes, o Salvador havia instituído os Apóstolos como sacerdotes, entregando-lhes seu próprio Corpo e Sangue, como sinal de aliança. Em seguida, manifesta-Se com especial bondade, pois a hora de partir para o Pai havia chegado. Mas Ele deixaria órfãos os seus filhos?
Mais do que doutrinas, o Divino Mestre revela incondicional dileção pelos discípulos. De fato, quando se ama muito a alguém, busca-se sempre a sua presença; o mais dilacerante numa amizade é o afastamento das pessoas, razão pela qual as despedidas costumam ser muito marcantes…
Embora de divina natureza, Jesus era também homem perfeito,1 atuando humanamente em tudo, exceto no pecado (cf. Hb 4, 15). Por isso, no discurso de partida Ele expressa os melhores anseios para com os discípulos. Além disso, conhecendo a fraqueza e a debilidade de cada um, não apenas Se despede com emotivas palavras, mas promete-lhes algo que só Deus poderia excogitar: “Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós” (Jo 14, 18).
Jesus jamais deixaria órfãos os seus filhos, mas ao mesmo tempo era preciso partir. Como Ele “resolve” esse dilema? Através do Defensor, o Espírito Santo, que permanecerá não só junto aos discípulos, como também dentro deles (cf. Jo 14, 17). E nisso está a essência da vida mística: a presença de Deus em nosso interior.
Prova da realização dessa promessa encontra-se na primeira leitura (cf. At 8, 5-8.14-17). Os samaritanos, que havia pouco tinham acolhido a Palavra de Deus, receberam então o Paráclito, pela imposição das mãos de Pedro e João. Era um verdadeiro novo Pentecostes!
Ora, dois mil anos se passaram e hoje tal promessa permanece em nós pelo Espírito de adoção dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 15). Para dela nos beneficiarmos, é preciso antes de tudo uma ação interior: “santificar em nossos corações o Senhor Jesus Cristo” (cf. I Pd 3, 15). Essa santificação se torna efetiva pela caridade, “vínculo de perfeição” (Col 3, 14), a qual consiste, antes de tudo, em cumprir o que Cristo preceitua: “Se Me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14, 15); “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse Me ama” (Jo 14, 21). Somente se observarmos as suas palavras é que o Espírito da Verdade poderá habitar em cada um de nós. Assim, não viveremos na orfandade: seremos realmente filhos. E o somos!
Com insondável e infinita bondade, Deus quis ir ainda mais longe nessa promessa de sua presença como Pai: nos legou o incansável amparo de uma Mãe. Confiemos na proteção d’Aquela que sempre nos ajudará, rogando que guarde o nosso inestimável tesouro da filiação divina e que, se tivermos a desgraça de perdê-lo pelo pecado, obtenha-nos a reconciliação pelo Sacramento da Confissão. E assim poderemos exclamar com o salmista: “Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que Ele me fez!” (Sl 65, 16). Ele é meu Pai, Maria é minha Mãe; jamais serei abandonado!
Por Pe. Hernán Luis Cosp Bareiro, EP
Artigo extraído da Revista Arautos do Evangelho, maio 2026.





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