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Amar é sacrificar-se

O símbolo mais expressivo do amor não é um coração palpitante, mas aquele perfurado pela lança.

Última Ceia - Catedral de Santa Maria Coroada, Gibraltar (Espanha) Foto: Francisco Lecaros

Última Ceia – Catedral de Santa Maria Coroada, Gibraltar (Espanha) Foto: Francisco Lecaros

Redação (09/05/2026 18:57, Gaudium Press) Imaginemos que um pai de família partiu para uma longa viagem ao estrangeiro. Confiando a administração de seus bens a seus numerosos filhos, deu-lhes claras orientações para o bom uso do patrimônio familiar.

Parecia, enfim, chegar a ocasião propícia para que aqueles jovens demonstrassem gratidão ao progenitor que, com extremos de carinho, jamais lhes recusara usufruir da abundância de suas riquezas.

Mas, se ao retornar, o pai encontrasse as terras abandonadas, os servos maltratados e as suas indicações descumpridas, teriam os seus filhos a coragem de lhe dizer: “Pai, tudo isso é para provar o nosso amor”?

Amor são obras

O Evangelho deste 6º Domingo da Páscoa traz um ensinamento de Nosso Senhor: “se me amais, guardareis os meus Mandamentos” (Jo 14,15). Essas palavras fazem parte do último discurso, pronunciado na Última Ceia, pouco antes da Paixão. Com efeito, os apóstolos estavam reunidos com o Senhor para a celebração da Páscoa; foram nestes derradeiros momentos antes da consumação do Sacrifício do Homem-Deus que os Doze viveram um mistério que bem poderia se resumir numa palavra: Amor.

Foi por amor à humanidade que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se encarnou; foi por amor que Ele se entregou nas mãos do Sinédrio para ser crucificado. E foi igualmente por amor que, nesta última ceia, ele instituiu o Sacramento da Eucaristia — a fim de permanecer para sempre conosco — e o da Ordem, conferindo aos homens o poder de perpetuar o sacrifício redentor.

Como retribuição, o Divino Filho pede para ser amado. Como na metáfora acima, as obras são a prova do amor. O verdadeiro amor não é aquele que se contenta com sentimentos e palavras, mas o que se move em direção ao amado e está disposto a fazer o que for necessário para agradá-lo.

Qual é a obra de amor que o Senhor espera dos seus? Que sejam guardados os seus mandamentos; não apenas os promulgados no Monte Sinai, mas sobretudo o mandamento novo que Ele trouxe à humanidade: “Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34).

Se, na antiga Lei, o amor a si mesmo era o parâmetro para o amor ao próximo (cf. Lv 19,18), o Sagrado Coração de Jesus mudou esse critério ao ensinar que “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15,13). Depois de Cristo, o símbolo mais expressivo do amor não é mais um coração intacto, mas aquele perfurado pela lança.

Amor é sacrifício

Fala-se tanto de amor, mas pouco de sacrifício. O verdadeiro amor, no entanto, é inseparável do sacrifício. No alto da Cruz, o Redentor nos deu o exemplo: amou-nos a ponto de suportar injúrias, humilhações e sofrimentos para nos salvar e abrir-nos as portas das eternas alegrias.

 A toda hora estamos procurando o amor recíproco, seja numa amizade, na vida matrimonial ou numa vocação religiosa. O amor não somente não se separa da dor, mas é na dor que ele se prova.

O amigo fiel mostra-se nas dificuldades. O amor conjugal pode ser fácil durante a lua de mel, porém, ele deve se manifestar “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. Um religioso prova o seu amor a Deus e à vocação não nas fases de consolação, mas nas de aridez e abandono espiritual.

Se nós guardamos os mandamentos que Ele nos deu, amando-nos como Ele nos amou, seremos objeto de sua promessa: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco” (Jo 14,16).

Peçamos, pois, a Maria Santíssima, Esposa fidelíssima do Espírito Santo, que interceda por nós junto ao seu Divino Esposo, obtendo-nos um autêntico amor sacrifical, disposto a qualquer imolação para a glória de Deus e a salvação do próximo.

Por Marcus Yip

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