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Bispo francês faz forte apelo contra a legalização da eutanásia

Dom Marc Aillet convoca todos os cidadãos a lembrarem seus representantes eleitos de sua responsabilidade moral diante de uma questão tão fundamental sobre o fim da vida, e convida os fiéis a rezarem e jejuarem no dia 13 de maio.

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Redação (08/05/2026 09:01, Gaudium Press) Enquanto o Senado francês se prepara para debater, entre 11 e 13 de maio de 2026, um polêmico projeto de lei sobre morte assistida, o bispo Marc Aillet, de Bayonne, Lescar e Oloron, lançou um vigoroso chamado aos católicos de sua diocese para que se posicionem firmemente contra a proposta, combinando ação política e oração.

Dom Marc Aillet classificou o texto como “extremamente grave”, alertando que ele pretende “abolir a proibição de matar, fundamento sobre o qual sempre se sustentou a vida em sociedade”. O bispo pediu que os fiéis escrevam aos senadores e deputados de seus departamentos e observem um dia de oração e jejum na quarta-feira, 13 de maio — data da votação no Senado e da solenidade de Nossa Senhora de Fátima.

Um projeto polêmico

O projeto de lei, que visa legalizar tanto a eutanásia quanto o suicídio assistido, foi apresentado pelo deputado Olivier Falorni em março de 2025, após uma Convenção Cidadã na qual 75,6% dos participantes se declararam favoráveis. A iniciativa cumpre promessa de campanha do presidente Emmanuel Macron, feita em 2022.

A Assembleia Nacional aprovou o texto em primeira leitura em maio de 2025 (305×199) e novamente em fevereiro de 2026 (299×226). No entanto, as margens apertadas de aprovação revelam uma sociedade profundamente dividida sobre o tema.

De acordo com o quadro proposto, os pacientes poderiam solicitar a administração de uma substância letal, seja por conta própria ou por meio de um profissional de saúde, desde que fossem cumpridas cinco condições: maioridade legal, residência estável na França, consentimento livre e informado, doença grave e incurável com prognóstico desfavorável e sofrimento resistente ao tratamento.

O Senado, de maioria conservadora, rejeitou o projeto em janeiro de 2026. A Comissão de Assuntos Sociais apresentou uma versão revisada, mais restrita, substituindo o termo “morte assistida” por “assistência médica para morrer”, limitando a pacientes com expectativa curta de vida, ampliando a proteção à objeção de consciência de profissionais de saúde e permitindo que instituições, inclusive hospitais católicos, se recusem a praticar o procedimento.

Caso o Senado e a Assembleia Nacional não consigam conciliar suas divergências, o governo poderá convocar uma comissão mista, embora a Assembleia detenha, em última instância, a autoridade constitucional para impor sua versão. A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, indicou que a legislação se encontra em sua “fase final”.

A oposição ao projeto não se restringe ao campo religioso. A Sociedade Francesa de Acompanhamento e Cuidados Paliativos (SFAP) criticou duramente as alterações, alertando que elas “incluem a morte provocada no âmbito dos cuidados”, o que compromete a ética médica e pode colocar em risco pessoas vulneráveis.

A presidente da entidade, Ségolène Perruchio, denunciou a criação de “um perigoso contínuo entre aliviar o sofrimento e causar intencionalmente a morte”.

Falha nos cuidados paliativos

Dom Aillet destacou um grave problema estrutural da França: quase metade da população não tem acesso adequado a cuidados paliativos. Segundo ele, muitos pacientes que inicialmente cogitam a morte assistida mudam de ideia quando recebem um bom acompanhamento paliativo. Sem essa rede de suporte, os mais vulneráveis — idosos, pobres e aqueles que temem ser um peso para a família — podem sentir-se pressionados a escolher a morte.

O bispo citou ainda a experiência de países como Bélgica, Países Baixos e Canadá, onde a legalização inicial foi progressivamente ampliada, gerando novas preocupações éticas.

Um cenário ainda incerto

Apesar do avanço do texto, o bispo ressalta que o resultado da votação permanece incerto. Ele lembrou recentes rejeições de propostas semelhantes na Escócia e na Câmara dos Lordes, no Reino Unido, e observou o crescimento da oposição na própria França: o número de deputados contra o projeto subiu de 199 para 226 em menos de um ano.

Dom Marc Aillet considera o projeto uma “grande ruptura antropológica” e já enviou cartas pessoais a parlamentares de seu departamento pedindo a rejeição do texto. Ele convoca todos os cidadãos de boa vontade a lembrarem seus representantes eleitos de sua responsabilidade moral diante de uma questão tão fundamental sobre o fim da vida.

No plano espiritual, o bispo convidou os fiéis a rezarem e jejuarem no dia 13 de maio, pedindo “que o Senhor ilumine as consciências dos senadores e de todos os parlamentares sobre as graves consequências morais e espirituais” da legalização da eutanásia e do suicídio assistido na França.

Com informações Infocatólica

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