Colômbia: homem destrói imagens em La Ermita em Cali
Aos gritos de “Eu sou o 666!”, o homem de cerca de 30 anos destruía as imagens sagradas. As autoridades ainda investigam se ele atuava sob influência de drogas ou em algum tipo de surto.
Redação (08/05/2026 08:42, Gaudium Press) Era uma manhã tranquila, como tantas outras, na Ermita de Cali, na Colômbia. Fiéis se reuniam no imponente templo neogótico, localizado no coração do centro histórico, para rezar, acender velas e buscar consolo na fé. Ninguém imaginava que aquele momento de paz seria brutalmente interrompido.
Por volta das primeiras horas do dia, um homem de aproximadamente 30 anos invadiu o templo em um acesso de fúria. Aos gritos, ele destruiu sete imagens religiosas com mais de 400 anos, entre elas representações de Cristo e da Virgem Maria. Testemunhas e vídeos que circularam nas redes sociais registraram o agressor bradando frases como “eu sou o 666”, em clara referência ao maligno.
Um ícone da cidade

La Ermita Foto: Wikipedia
A Ermita não é apenas uma igreja; é um dos símbolos mais queridos e reconhecidos de Cali e de toda a Colômbia. Sua bela arquitetura gótica atrai diariamente centenas de visitantes, tanto colombianos quanto turistas estrangeiros. Por isso, o ataque não atingiu apenas o patrimônio religioso, mas feriu profundamente a identidade cultural e histórica da cidade.
A Polícia chegou rapidamente ao local e deteve o agressor, que foi encaminhado ao Ministério Público. No entanto, a intervenção não foi capaz de impedir que grande parte das imagens sagradas fosse danificada, incluindo a do Senhor de Caña, uma das devoções mais tradicionais e populares da região.
Condenação firme da Igreja
O arcebispo de Cali, Dom Luis Fernando Rodríguez Velásquez, manifestou-se por meio de um comunicado oficial, classificando o episódio como uma “dolorosa profanação”. O arcebispo definiu o ato como “iconoclasta”, que atenta contra a fé dos católicos e viola o direito à livre expressão religiosa. Além disso, destacou que se trata também de uma agressão ao patrimônio cultural de Cali, dada a relevância histórica e simbólica do templo.
Fechamento em sinal de penitência
Como resposta aos fatos, a Arquidiocese decidiu suspender as atividades religiosas e o atendimento ao público até o dia 9 de maio. O fechamento temporário foi explicado como “um sinal penitencial por estas dolorosas ações”, um convite à oração, à reflexão e à reparação espiritual. Internamente, a Igreja já realiza avaliações dos danos e consulta advogados para adotar as medidas judiciais cabíveis.
A fé que permanece de pé
Dentre todas as cenas registradas, uma se destaca pela força e pela emoção: enquanto alguns corriam em pânico, vários fiéis permaneceram de joelhos, rezando em meio aos destroços. Essa imagem revela o verdadeiro espírito do povo de Cali.
As imagens podem ser restauradas. As paredes, reparadas. Mas a fé de um povo devoto permanece intacta, mesmo diante da violência e da intolerância. A Ermita, símbolo de séculos de devoção, certamente renascerá mais forte, assim como a devoção daqueles que a consideram sua casa espiritual.
O caso segue sob investigação das autoridades colombianas.






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