Gaudium news > Bispo veterano da Segunda Guerra Mundial falece aos 102 anos

Bispo veterano da Segunda Guerra Mundial falece aos 102 anos

Após a guerra, já como bispo, depois de percorrer o sul da Flórida realizando dezenas de crismas, Monsenhor René Henry Gracida obteve uma licença de piloto e adquiriu uma pequena aeronave, o que lhe permitiu deslocar-se pela arquidiocese.

Foto:  Diocese de Corpus Christi

Foto: Diocese de Corpus Christi

Redação (09/05/2026 08:35, Gaudium Press) Monsenhor René Henry Gracida, bispo emérito da Diocese de Corpus Christi, no Texas (EUA), faleceu no dia 1º de maio de 2026, aos 102 anos de idade. Figura marcante da Igreja Católica nos Estados Unidos, sua vida foi marcada por uma trajetória extraordinária: de artilheiro de cauda na Segunda Guerra Mundial a arquiteto, monge beneditino e bispo defensor da tradição católica.

Nascido em 9 de junho de 1923, em Nova Orleans, Gracida era filho de um arquiteto e engenheiro mexicano e de mãe descendente de franceses. Essa herança multicultural influenciou sua formação. Após servir com distinção no Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra, realizando missões de combate sobre a Alemanha nazista, formou-se arquiteto pela Universidade de Houston e exerceu a profissão por alguns anos.

Dom Gracida enquanto esteve no Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos, realizou inúmeras missões sobre a Europa ocupada pelos nazistas. Em uma missão sobre o Vale do Ruhr, seu avião perdeu dois motores, o que o levou a estar prestes a saltar de paraquedas sobre território inimigo antes que a aeronave se recuperasse.

O chamado ao sacerdócio

Ainda jovem, Gracida ficou profundamente impressionado com a história dos mártires jesuítas retratada no romance O Último dos Moicanos, de James Fenimore Cooper. Ao ingressar na Ordem de São Bento em 1951, na Abadia de São Vicente, em Latrobe (Pensilvânia), adotou o nome religioso de René, em homenagem a São René Goupil, jesuíta mártir torturado e morto pelos iroqueses em 1642.

Foi ordenado sacerdote em 1959. Sua ascensão na hierarquia eclesiástica foi rápida: nomeado bispo pelo Papa Paulo VI em 1971, atuou como bispo auxiliar de Miami, primeiro bispo da Diocese de Pensacola-Tallahassee (Flórida) e, a partir de 1983, bispo de Corpus Christi. Permaneceu à frente dessa diocese até sua aposentadoria, em 1997.

Foto: The Greatest Generations Foundation/ Facebook

Foto: The Greatest Generations Foundation/ Facebook

Piloto, construtor e comunicador

Gracida não abandonou sua paixão pela aviação após a guerra. Após uma hospitalização em 1972, obteve licença de piloto e adquiriu um pequeno avião, que utilizava para percorrer a vasta arquidiocese de forma mais eficiente, evitando longas viagens de carro. Ele relatava ter perdido a consciência durante fortes tempestades elétricas, acordando em altitudes diferentes — experiências que atribuía à proteção divina. “É mais um exemplo de como Deus preservou minha vida”, afirmava.

Como bispo, era conhecido por revisar pessoalmente todos os projetos de construção da diocese, graças à sua formação de arquiteto. Sob sua liderança, a Diocese de Corpus Christi expandiu seus ministérios e desenvolveu significativamente a área de comunicações.

Era amigo próximo da Madre Angélica, fundadora da EWTN. Em 1988, durante debates entre os bispos americanos sobre a colaboração com o canal católico, Gracida propôs uma votação secreta que ajudou a aprovar o apoio à rede.

Defensor da tradição

Nos últimos anos de vida, Mons. Gracida tornou-se conhecido por posições firmes e, por vezes, controversas. Foi um dos signatários da “Correção Filial” de 2017, documento dirigido ao Papa Francisco sobre a exortação Amoris laetitia. Defendeu publicamente a Missa tradicional em latim e questionou a validade da renúncia de Bento XVI em 2013.

Apesar das polêmicas, manteve-se ativo até o fim. Aposentado, continuou praticando caça e pesca, atividades que apreciava. No início de 2026, em declaração ao grupo Catholics for Catholics, exortou os fiéis a manter a fé: “Enquanto tua fé for um fator motivador em tua vida, guiando o que fazes, estás no caminho certo”.

Em entrevista de 2016, ele refletiu sobre as diversas experiências de quase-morte ao longo da vida — incluindo um grave caso de pneumonia nos anos 1950 — e afirmou: “Não tenho dúvida de que a única razão por que estou vivo hoje… é porque Deus tem um trabalho para mim. Tenho uma mensagem a entregar”.

A Diocese de Corpus Christi, ao anunciar sua morte, destacou o legado de um pastor que “se manteve ativo” e que contribuiu de forma decisiva para o crescimento da Igreja local. Sua vida longa e intensa — de combatente na guerra a bispo centenário — é vista por muitos como testemunho de uma fé inabalável e de uma vocação vivida com coragem e convicção.

Com informações Aciprensa e Conferência de Bispos do Texas/Facebook

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas