Inauguração de nova igreja em Phnom Penh: renascimento do Catolicismo no Camboja
Cinquenta anos depois da destruição da Catedral de Notre-Dame pelo Khmer Vermelho, uma nova a Igreja dedicada a São José foi consagrada.

Foto: Vicariato Apostólico de Phnom Penh
Redação (06/05/2026 18:46, Gaudium Press) Mais de 2.000 fiéis assistiram a inauguração da nova Igreja de São José, em Phnom Penh, capital do Camboja. O evento, ocorrido no dia 2 de maio, foi celebrado como um poderoso testemunho do crescimento da Igreja católica no país, quase cinco décadas após o genocídio promovido pelo regime do Khmer Vermelho.
O bispo Olivier Schmitthaeusler, vigário apostólico de Phnom Penh e missionário da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris (MEP), presidiu a consagração da nova igreja. A cerimônia contou com a presença de importantes autoridades eclesiásticas, entre elas o bispo cambojano Pierre Suon Hangly, vigário apostólico coadjutor de Phnom Penh; o bispo jesuíta espanhol Enrique Figaredo Alvargonzález, prefeito apostólico de Battambang; e o bispo tailandês Paul Trairong Multree, da diocese de Surat Thani.
Uma cerimônia rica em simbolismo
A celebração teve início com uma solene procissão ao redor do novo templo, que possui 49 metros de comprimento por 30 metros de largura. Dentro da igreja, antes da consagração do altar, o bispo Olivier depositou relíquias de santos na pedra do altar — uma antiga tradição cristã que remonta aos primórdios da Igreja, quando as missas eram celebradas sobre os túmulos dos mártires.

Foto: Catholic Church in Cambodia/ Facebook
Em seguida, o altar foi ungido com óleo sagrado, incensado e coberto com um linho branco, sendo então iluminado por velas, símbolo da luz de Cristo ressuscitado.
“A alegria do povo de Deus em Camboja”
Em sua homilia, Dom Olivier Schmitthaeusler descreveu a nova igreja como “a alegria do povo de Deus no Camboja”. Ele destacou especialmente o mosaico de vidro instalado atrás do altar, que representa anjos “dançando e cantando com alegria junto a todas as gerações de cristãos que nos precederam”.
“É a história da nossa Igreja que vemos refletida aqui: seus primeiros passos, seus momentos de glória e também suas horas de escuridão”, afirmou o bispo.
O Vicariato Apostólico de Phnom Penh reforçou a mensagem nas redes sociais: “Este magnífico edifício é mais do que uma simples estrutura de tijolos e cimento. É um testemunho do crescimento da nossa fé, da solidariedade da nossa comunidade e da Divina Providência. Este lugar sagrado será um espaço onde nos reuniremos para rezar e nos encorajar mutuamente”.
Homenagem aos mártires cambojanos
Durante a celebração, o bispo Olivier prestou emocionada homenagem aos mártires cambojanos. Ele anunciou que, no dia 27 de maio, entregará pessoalmente ao Dicastério para as Causas dos Santos, em Roma, os documentos da investigação diocesana para a beatificação dos doze mártires do Camboja — entre eles o bispo Joseph Chhmar Salas e seus onze companheiros, assassinados pelo Khmer Vermelho.
O prelado lembrou ainda que, um ano após a ordenação do primeiro bispo cambojano desde o regime comunista, a consagração da nova igreja representa “mais um sinal do crescimento da pequena Igreja cambojana”.
“Estamos às margens do rio Mekong, em frente ao antigo mosteiro carmelita, ao lado da Igreja de São Pedro e São Paulo, onde quase 600 cristãos foram assassinados em 1970. De um rio que já foi tingido com o sangue de nossos irmãos, hoje brota um rio de vida”, declarou.
Da destruição comunista à renovação da fé
A nova igreja foi consagrada exatamente 50 anos após a destruição da Catedral de Notre-Dame de Phnom Penh pelo Khmer Vermelho, em abril de 1975. O regime ultramaoísta de Pol Pot causou a morte de até 2,3 milhões de pessoas por fome, execuções e genocídio. Esse regime, que via a fé em Deus como uma ameaça à sua ideologia, adotou uma postura fortemente antirreligiosa.
Antes da revolução, o Camboja contava com cerca de 100 mil católicos. Estima-se que 40 mil tenham sido assassinados, todos os missionários estrangeiros foram expulsos ou mortos, e a maioria dos fiéis cambojanos fugiu do país. O retorno gradual só começou em 1992, com a chegada das forças de paz da ONU.
Hoje, o país tem aproximadamente 25 mil católicos. A inauguração da Igreja de São José surge, portanto, como um forte símbolo de ressurreição e esperança após décadas de perseguição.
Com informações da Ucanews





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