Sacerdote canadense de 79 anos denuncia oferecimento de eutanásia no hospital
O caso do sacerdote de 79 anos reabre o debate sobre os limites da “ajuda médica para morrer” em contextos de vulnerabilidade.

Foto: Facebook
Redação (06/05/2026 11:52, Gaudium Press) Outro caso recente no Canadá reacendeu o debate sobre os limites éticos do programa de Ajuda Médica para Morrer (MAID), a forma oficial de eutanásia e suicídio assistido no país. O Pe. Larry Holland, de 79 anos, da Arquidiocese de Vancouver, relatou ter recebido a proposta de eutanásia em duas ocasiões enquanto se recuperava de uma fratura no quadril, apesar de ter manifestado claramente sua oposição à prática por razões de fé.
O sacerdote sofreu a queda em sua casa no dia de Natal de 2025 e foi internado no Hospital Geral de Vancouver (Vancouver General Hospital). Segundo seu depoimento ao jornal The B.C. Catholic, um médico abordou o tema da MAID durante a internação, sugerindo a opção caso seu quadro de saúde piorasse. Embora o sacerdote não estivesse em situação terminal, o profissional justificou a conversa como parte de seu dever de informar os pacientes sobre todas as opções disponíveis no sistema de saúde canadense.
Semanas depois, uma enfermeira voltou a levantar o assunto. O Pe. Holland descreveu o momento como chocante e interpretou a insistência como uma “falsa compaixão”. Em entrevista, ele admitiu que a dor física e a vulnerabilidade do momento chegaram a gerar nele uma breve tentação, o que reforça a preocupação de como pacientes em situação de fragilidade podem ser influenciados.
Reações e preocupação
O caso gerou reações em setores eclesiais e pró-vida. O Pe. Larry Lynn, capelão pró-vida da Arquidiocese de Vancouver, classificou o episódio como alarmante, especialmente por ocorrer com alguém que havia expressado explicitamente sua oposição por convicções religiosas. Segundo ele, isso poderia ser interpretado como uma falta de sensibilidade em relação às convicções dos pacientes.
Críticos argumentam que a normalização dessas abordagens em ambientes hospitalares revela uma cultura que vê a morte como solução rápida para situações de sofrimento ou dependência.
O Pe. Holland possui formação em capelania hospitalar e atuou em diversas paróquias da arquidiocese, o que torna seu testemunho ainda mais significativo.
Expansão preocupante da MAID no Canadá
O incidente não é isolado e ocorre em um contexto de forte expansão do programa de eutanásia canadense. Legalizada em 2016 inicialmente para casos terminais, a MAID foi ampliada em 2021 com a remoção da exigência de prognóstico terminal. Em 2024, foram registradas 16.499 mortes por MAID, representando cerca de 5,1% de todas as mortes no país — ou seja, uma em cada 20 mortes. Até o final de 2024, o total acumulado ultrapassava 76 mil casos, com projeções indicando que o país atingiria a marca de 100 mil mortes por eutanásia em 2026.
Especialistas e organizações pró-vida alertam para o risco de “efeito dominó”, com relatos crescentes de ofertas de MAID a pacientes com deficiências, problemas crônicos de saúde, pobreza ou mesmo transtornos mentais — embora a expansão para doenças mentais como único critério tenha sido adiada.
Implicações éticas e pastorais
Para a Igreja Católica, a posição é clara: a vida é um dom sagrado desde a concepção até a morte natural, e a eutanásia constitui uma grave violação da dignidade humana. Casos como o do Pe. Holland evidenciam a tensão entre o discurso oficial de “autonomia” e “compaixão” e a realidade de pacientes vulneráveis, especialmente idosos e pessoas de fé, que se sentem pressionados em ambientes hospitalares.
Enquanto o Canadá caminha para “comemorar” os dez anos da MAID em 2026, histórias como esta servem de alerta sobre os rumos de uma sociedade que, progressivamente, transforma a morte assistida em uma opção rotineira de “cuidados” de saúde.





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