Gaudium news > Exército israelense destrói convento e escola de religiosas no sul do Líbano

Exército israelense destrói convento e escola de religiosas no sul do Líbano

“O que ocorreu não é uma simples agressão passageira, mas uma violação flagrante e inaceitável de todos os valores humanos e das leis internacionais, bem como um ataque direto à missão educativa e espiritual da Igreja”.

Foto: screenshot/ X

Foto: screenshot/ X

Redação (02/05/2026 12:36, Gaudium Press) No dia 1º de maio, o Exército de Israel demoliu um convento e a escola anexa pertencentes às Irmãs do Santo Salvador (Sœurs du Saint-Sauveur), uma congregação greco-católica melquita, na cidade de Yaroun, no sul do Líbano, próximo à fronteira com Israel. O caso gerou forte comoção entre cristãos libaneses e organizações internacionais.

De acordo com reportagens da agência nacional libanesa NNA e do jornal L’Orient-Le Jour, as forças israelenses usaram explosivos e maquinário pesado para destruir o complexo religioso e educacional. O Pe. Charbel Naddaf, pároco local de Yaroun, confirmou a destruição e classificou o ato como “uma violação flagrante do direito internacional”.

Um patrimônio religioso e educacional

O convento das Sœurs du Saint-Sauveur e sua escola eram referências na região há décadas. Além de oferecer formação educacional a gerações de jovens, especialmente das áreas rurais, o local prestava serviços sociais e espirituais à comunidade, contribuindo para a convivência em uma área de diversidade religiosa, uma vez que ele acolhia alunos de diferentes confissões religiosas. Yaroun, localizada no distrito de Bint Jbeil, foi duramente atingida durante o conflito entre Israel e Hezbollah no outono de 2024 e continua sofrendo demolições sistemáticas.

O metropolita greco-católico melquita de Zahlé e da Bekaa, Ibrahim Mikaïl Ibrahim, condenou o episódio como um “crime de destruição” e um ataque direto à missão educacional e espiritual da Igreja: “o que ocorreu não é uma simples agressão passageira, mas uma violação flagrante e inaceitável de todos os valores humanos e das leis internacionais, bem como um ataque direto à missão educativa e espiritual da Igreja”.

Ele ainda ressaltou que: “a destruição deste local religioso e educacional constitui um crime grave contra o ser humano e a terra, e não respeita nem o caráter sagrado dos locais sagrados nem o das instituições científicas”.

Contexto: zona-tampão no sul do Líbano

A demolição ocorre no âmbito das operações israelenses para estabelecer uma “zona-tampão” no sul do Líbano, após o cessar-fogo frágil que se seguiu ao conflito de 2024-2025. Autoridades israelenses justificam as ações como necessárias para impedir a presença de armamentos ou combatentes do Hezbollah perto da fronteira. No entanto, críticos apontam que muitas demolições atingem infraestrutura civil, incluindo residências, mesquitas e agora um convento católico.

Reações

A destruição provocou indignação em diversos setores:

– Líderes cristãos libaneses destacaram o impacto simbólico sobre a presença cristã histórica no sul do país.

– Organizações como a Oeuvre d’Orient, que apoia o santuário, manifestaram preocupação.

– Nos Estados Unidos, o CAIR (Conselho sobre Relações Americano-Islâmicas) condenou o ato, vendo-o como parte de um padrão mais amplo de danos a locais religiosos.

– Nas redes sociais, o caso ganhou repercussão, com vozes de diferentes religiões pedindo respeito aos locais sagrados.

Até o momento, não há posicionamento oficial detalhado do governo israelense sobre essa demolição específica.

Impacto sobre a comunidade cristã

O episódio reforça as preocupações com a preservação da presença cristã no sul do Líbano, uma região que já sofreu forte êxodo durante os conflitos recentes. Para muitas famílias, o convento e a escola representavam não apenas fé, mas também educação, cultura e estabilidade social.

A destruição de um local religioso e de ensino ressalta a vulnerabilidade de instituições religiosas e educacionais em zonas de conflito.

O Pe. Naddaf acredita que o objetivo de Tel Aviv é “esvaziar a região de seus habitantes e impedir seu retorno”, algo que o Exército israelense consegue fazer “diante da ausência de qualquer meio de dissuasão”.

“Eles destroem casas e locais de culto, e ninguém os impede”, lamentou o pároco, que fez um apelo às autoridades libanesas e à comunidade internacional para que intervenham urgentemente.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas