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Papa Leão XIV ordena dez novos sacerdotes na Basílica de São Pedro

Oito dos novos sacerdotes servirão na Diocese de Roma, um na Índia e um em um instituto de vida consagrada.

Foto: Vatican Media

Foto: Vatican Media

Redação (26/04/2026 12:35, Gaudium Press) Neste 26 de abril, IV Domingo da Páscoa — conhecido como Domingo do Bom Pastor —, a Igreja celebrou também o 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. A Basílica de São Pedro, em Roma, encheu-se de alegria e fervor quando o Papa Leão XIV presidiu a Santa Missa e ordenou dez novos sacerdotes para a Diocese de Roma.

Os dez candidatos, provenientes de diferentes países como Colômbia, Camarões e Itália, refletiam a universalidade da Igreja. Alguns deixaram carreiras promissoras, outros sentiam o chamado desde a infância. Todos, porém, pronunciaram com emoção o seu “sim” definitivo ao Senhor. Um a um, responderam “Eis-me aqui”, com a voz ora firme, ora carregada de emoção, antes de receberem a imposição das mãos do Santo Padre.

Na homilia, o Papa dirigiu-se especialmente aos novos sacerdotes e propôs três “segredos” para viver a vocação com fidelidade e fecundidade: comunhão com Cristo, a atitude de não ter medo diante dos males do mundo e serem um canal, e não um filtro para o encontro com Jesus.

Partindo do Evangelho de São João (Jo 10,10), Leão XIV destacou a generosidade e o entusiasmo dos jovens que se entregam ao sacerdócio. “Este é um domingo cheio de vida!”, exclamou. O Espírito Santo, disse ele, une pessoas e vocações na liberdade, para que ninguém viva mais para si mesmo.

Cada domingo, prosseguiu o Papa, é um convite para “sair do sepulcro do isolamento e do fechamento, e para que nos encontremos no jardim da comunhão, do qual o Ressuscitado é o guardião”. O serviço do sacerdote é, antes de tudo, um ministério de comunhão.

O primeiro segredo: a comunhão profunda com Cristo

“Quanto mais profundo for o vosso vínculo com Cristo, tanto mais radical será a vossa pertença à humanidade comum”, afirmou o Pontífice. Não existe oposição nem competição entre céu e terra: ambos se unem para sempre em Jesus.

Comparando o amor sacerdotal ao amor conjugal, Leão XIV lembrou que o celibato pelo Reino de Deus também precisa ser cuidado e renovado continuamente. “Todo verdadeiro afeto amadurece e torna-se fecundo com o tempo.” Por isso, exortou os novos sacerdotes a amar de modo específico, delicado e difícil, deixando-se amar por Deus na liberdade. Apenas assim serão “bons sacerdotes, cidadãos honestos, disponíveis, construtores de paz e de amizade social”.

O segundo segredo: não ter medo da realidade

O Papa recordou as palavras de Jesus sobre as agressões que as ovelhas podem sofrer — tanto físicas quanto espirituais. Mesmo assim, o Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas. “A realidade não deve nos causar medo. É o Senhor da vida quem nos chama”, enfatizou. “A denúncia não se torna renúncia, o perigo não leva à fuga”.

Num mundo onde a busca por segurança “torna os ânimos agressivos, leva as comunidades a fecharem-se sobre si mesmas e induz à procura de inimigos e bodes expiatórios”, o sacerdote não pode colocar sua segurança na função que exerce, mas na vida, morte e ressurreição de Jesus. “A vossa segurança deve estar na história da salvação, da qual participais junto com o vosso povo.” “O que anunciais e celebrais proteger-vos-á também em situações e tempos difíceis”, explicou o Papa.

“O que falta às pessoas é, muitas vezes, um lugar onde experimentar que juntos é melhor, que é bom estar com os outros e que se pode viver em conjunto. Facilitar o encontro, ajudar a aproximar quem de outra forma jamais se encontraria e encurtar distâncias entre opostos é indissociável da celebração da Eucaristia e da Reconciliação. Reunir é sempre e de novo implantar a Igreja”, frisou Leão XIV.

O terceiro segredo: ser canal, não filtro

Leão XIV concentrou-se na imagem de Jesus como a Porta (Jo 10,7). A Igreja deve permanecer sempre aberta, acolhedora e acessível — como recorda o Jubileu da Misericórdia de 2025. “Não escondam esta porta santa, não a bloqueiem, não sejam obstáculo para quem deseja entrar”, recomendou. “Ao iniciar outros na fé, reavivareis a vossa própria fé. Com os outros batizados, atravessareis todos os dias o limiar do Mistério, aquele limiar que tem o rosto e o nome de Jesus”. “Sede reflexo da sua paciência e da sua ternura”.

“Vós sois um canal, não um filtro”, disse com força. “Vós sois de todos e para todos! Que este seja o traço fundamental da vossa missão: manter livre essa soleira e indicá-la, sem necessidade de muitas palavras”.

O Papa incentivou os novos sacerdotes a sair, conhecer a cultura, as pessoas e a vida real. “Maravilhem-se com o que Deus faz crescer sem que tenhamos semeado.” Os sacerdotes devem conhecer as “pastagens” onde vivem os fiéis leigos, as famílias, os jovens, os idosos, as crianças e os doentes. “O Bom Pastor tem o mapa. É a sua voz, tão familiar, que devemos escutar.”

As comunidades para as quais os novos padres serão enviados são lugares onde o Ressuscitado já está presente e onde muitos já O seguem de modo exemplar. “São as comunidades que vos ajudarão a vos tornardes santos! E vós, ajudai-as a caminhar unidas atrás de Jesus, o Bom Pastor, para que sejam jardins onde a vida ressuscita e se comunica.”

Um rito marcado por solenidade

Após a homilia, os dez candidatos pronunciaram seus votos. Seguiu-se a Ladainha de Todos os Santos, a imposição das mãos do Papa sobre cada um deles e, depois, a unção das mãos com o Sagrado Crisma. Os novos sacerdotes receberam o cálice e a patena, símbolos de seu ministério eucarístico.

No final, o clima passou da gravidade para a alegria. Papa Leão XIV e os novos padres trocaram um abraço fraterno — o ósculo da paz —, momento de grande emoção. Rostos iluminados por sorrisos marcaram o fim da celebração, enquanto os recém-ordenados recebiam as felicitações de seus irmãos no sacerdócio.

A ordenação destes dez novos pastores é um sinal de esperança para a Igreja. No Domingo do Bom Pastor, o Papa Leão XIV reafirmou que a vocação sacerdotal continua viva e que o mundo ainda precisa de homens dispostos a serem canais da “vida em abundância” que só Jesus pode dar.

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