A Virgem distribuiu armas e pólvora aos católicos
No século XVII, o Nordeste do Brasil foi invadido por protestantes holandeses, mas Nossa Senhora interveio em favor dos católicos luso-brasileiros, causando pânico nos inimigos da Santa Igreja.

“A visão dos holandeses” -Benedito Calixto Foto: Facebook
Redação (18/04/2026 08:36, Gaudium Press) Em maio de 1624, os batavos tomaram Salvador, penetraram em igrejas, quebraram as imagens, profanaram os cálices sagrados, saquearam e destruíram as casas. O Governador-Geral, Diogo de Mendonça Furtado, foi preso e enviado para os Países Baixos.
Indignado com essas abominações, o Bispo de Salvador Dom Marcos Teixeira de Mendonça decidiu lutar contra os invasores e reuniu homens que o proclamaram capitão-mor. Vestiu uma cota de malha, tomou uma lança e ordenou que ninguém, sob pena de morte, tratasse com o inimigo.
Num confronto do Rio Vermelho, Nossa Senhora apareceu no alto de um morro e com olhar terribilíssimo pôs em fuga os hereges batavos.
Nessa época, os reinos de Portugal e Espanha estavam unidos. Então, uma poderosa armada espanhola aportou em Salvador e derrotou os holandeses. Em 1 de maio de 1625, assinaram um documento pelo qual a entregaram às autoridades católicas.
Pertinazes no mal, os hereges investiram depois contra o Convento de Nossa Senhora da Penha, situado no alto de um penhasco em Vila Velha, antiga capital do Estado do Espírito Santo. Mas, procedente do Céu, um poderoso exército com armas cintilantes precipitou-se contra os invasores que fugiram em debandada. Eram os mártires da Legião Tebana, comandados por São Maurício que, em 302, deram suas vidas por Nosso Senhor.[1]
Representando essa cena grandiosa, Benedito Calixto pintou um quadro que se encontra no Santuário Nossa Senhora da Penha.
Invasão de Olinda e Recife
Uma esquadra neerlandesa com 67 navios e cerca de 7.000 homens chegou a Olinda, em fevereiro de 1630. Tomaram a cidade, invadiram as igrejas e praticaram abominações. Por estar “contaminada com pecados, de senhora que era veio a ser escrava de hereges holandeses”.[2]
Pouco depois, dominaram Recife onde fizeram semelhantes atentados. O Governador de Pernambuco, Matias de Albuquerque, comandou uma resistência com apoio de poucos homens entre os quais os valorosos chefes dos índios, Felipe Camarão, e dos negros, Henrique Dias.
E aliaram-se aos neerlandeses o mameluco alagoano Domingos Fernandes Calabar, que fizera graves furtos e estivera preso, bem como indígenas tapuias e potiguares.
Devido à enorme desproporção de forças o Governador decidiu, em 1635, rumar para a Bahia com seus soldados. De passagem por Alagoas, reconquistou a cidade Porto Calvo onde se encontrava o traidor Calabar. Sendo Autoridade pública, ele o julgou e sentenciou à morte. Garroteado e esquartejado, partes de seu corpo foram penduradas numa cerca e a cabeça espetada num pau.
Protestantes e judeus no Nordeste
Proveniente da Holanda, o calvinista Maurício de Nassau chegou a Recife, em janeiro de 1637, e reuniu um exército de 5.000 homens. Promoveu a vinda de protestantes e judeus da Europa para o Nordeste. Estes últimos fundaram uma sinagoga, considerada a primeira da América Latina.
Movido por orgulho, mudou o nome Recife para Cidade Maurícia e chamou Nova Holanda o Nordeste do Brasil.
Terminado o domínio espanhol sobre Portugal, em 1640, o Rei D. João IV teve a fraqueza de ordenar a seus súditos a cessação da resistência ao herege holandês, no Brasil. E os batalhadores católicos lhe deram esta nobre resposta: “Depois de expulsarmos os intrusos, iremos receber o castigo por nossa desobediência!”
Dentre esses heroicos resistentes, destacaram-se: João Fernandes Vieira, português que se mudou para o Brasil quando criança; André Vidal de Negreiros, paraibano; Henrique Dias, pernambucano negro, filho de escravos; Felipe Camarão, índio nascido no Rio Grande do Norte.
Em setembro de 1643, Nassau regressou aos Países Baixos, mas deixou no Brasil comandantes militares calvinistas que continuaram a perseguir com extremos de ódio os católicos.
Vitória de Santo Antão
No Monte das Tabocas, situado a 50 km de Recife, encontravam-se 400 católicos chefiados por Fernandes Vieira. Visando exterminá-los, 1.500 soldados holandeses bem armados para lá se dirigiram, em 3 de agosto 1645.
Três sacerdotes atenderam em confissão os nossos, e um outro, com uma imagem de Jesus Crucificado nas mãos, caminhava invocando a Nosso Senhor e à Virgem para que esmagassem os inimigos da Igreja.
Trremendas lutas se travaram e bom número de defensores da Fé pereceram. Em certo momento, Fernandes Vieira seguido por negros e mestiços, com facões e velhas espadas, avançaram com tamanha fúria sobre os invasores, na luta corpo a corpo, que eles fugiram apavorados.
Holandeses que escaparam com vida contaram terem visto, no fragor da batalha, andar entre os católicos “uma Mulher muito formosa, vestida de branco e azul, com um Menino nos braços, e junto a Ela um venerando ancião em hábito de ermitão, os quais davam armas, pólvora e balas aos nossos soldados; e que era tanto o resplendor que a Mulher e o Menino tinham, que os olhos se lhes ofuscavam (… ); e que isto lhes meteu tanto temor e espanto, que lhes fez logo virar as costas, e retirarem-se descompostamente”.[3]
Quanto ao ancião, verificou-se que se tratava de Santo Antão, celebérrimo eremita do Egito que faleceu em 356, com 105 anos de idade. E o município onde se localiza o Monte das Tabocas passou a ser chamado Vitória de Santo Antão.
João Fernandes Vieira, o “Valeroso Lucideno”
Frei Manoel Calado (1584- 1654), português que viveu por 30 anos no Nordeste do Brasil e acompanhou os fatos ocorridos durante as invasões holandesas, escreveu a obra “O Valeroso Lucideno”, título com o qual ele homenageou João Fernandes Vieira. A palavra “lucideno” provém do latim lucidu, resplandecente.
Para expulsar os calvinistas que, no século XVII, investiram contra a Igreja, membros do clero arriscaram suas vidas para defendê-la. Em nossos dias, a situação da Esposa de Cristo é muitíssimo mais grave porque inimigos internos desfigurarm sua face imaculada.
Supliquemos ao Divino Redentor: “Dignai-Vos humilhar, abaixar, castigar, tirar a influência, o prestigio, a quantidade e a capacidade de fazer mal, aos inimigos da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, a começar pelos mais terríveis; e estes não são os externos, mas os internos.
“Em suma, peçamos a forma mais requintada da vitória de Nosso Senhor: o esmagamento dos seus adversários e a vitória de sua Mãe Santíssima!” [4]
Por Paulo Francisco Martos
Noções de História da Igreja
[1] Cf. CARVALHO, Adamantino P. Convento de Nossa Senhora da Penha do Espírito Santo. Petrópolis: Vozes. 1984. 3. ed.
[2] SANTIAGO, Diogo Lopes de. História da guerra de Pernambuco. Recife: Companhia Editora de Pernambuco. 2004, p. 21.
[3] CALADO, Manoel. O Valeroso Lucideno. Recife: Companhia Editora de Pernambuco. 2004, v. II , p. 15-16.
[4] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Presença régia e vitoriosa do Divino Infante. In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XXIV, n. 285 (dezembro 2021), p. 10.





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