Castelgandolfo voltará a ser residência do Papa e deixará de ser museu
Após o breve período como museu, Castel Gandolfo retoma seu papel histórico e volta a ser o lugar de descanso, oração e renovação do Papa durante o verão.

Foto: Wikipedia
Redação (18/04/2026 09:24, Gaudium Press) O Palácio Apostólico de Castel Gandolfo encerrará suas portas ao público a partir de julho de 2026 para recuperar sua função original como residência de verão dos Pontífices. A decisão, confirmada por fontes consultadas pela agência Rome Reports, visa facilitar o traslado definitivo do Papa Leão XIV para a sede oficial durante os meses mais quentes do ano, encerrando o período museológico iniciado pelo Papa Francisco em 2016.
As entradas para visitar o complexo, localizado nos Castelli Romani às margens do lago Albano, estão disponíveis apenas no site oficial até o dia 30 de junho. A partir de julho e agosto — período de alta temporada turística —, a venda de ingressos aparece bloqueada, assim como para os meses seguintes.
Segurança e praticidade motivam a mudança
Até agora, Leão XIV tem se alojado durante suas estadas semanais na Villa Barberini, um local que apresenta limitações significativas de segurança para um chefe de Estado. A villa fica no meio de uma rua, com entrada estreita e aberta ao trânsito de veículos e pedestres. A cada chegada ou saída do Papa, multidões se formam na porta, sem medidas de segurança adicionais além da escolta pessoal, o que aumenta o risco de incidentes.
O projeto para reconverter o antigo museu em residência foi apresentado diretamente ao Papa Leão XIV, que o aprovou. As obras de adequação começam em maio, mas não envolvem reforma estrutural de grande porte. O edifício está em excelentes condições após quase uma década como espaço de exposição, sendo necessário apenas um acondicionamento geral para tornar as dependências habitáveis novamente.
Um respiro semanal para o Pontífice
Para Leão XIV, Castel Gandolfo significa muito mais do que uma residência oficial: é seu momento de pausa semanal. O Papa costuma chegar toda segunda-feira à tarde e retornar ao Vaticano na terça, dedicando esse tempo tanto ao exercício físico quanto à vida espiritual. “Uma pausa durante a semana me faz muito bem, ajuda bastante”, confessou o Pontífice, que aproveita o local para praticar tênis e natação.
Com esse traslado, Leão XIV se tornará o 16º Papa a passar o verão na residência oficial de Castel Gandolfo, um lugar carregado de história pontifícia.
O parêntese de Francisco
Em 2016, o Papa Francisco decidiu abrir ao público partes do Palácio Apostólico que nunca haviam sido visitadas: o quarto do Papa, sua capela privada, o escritório particular, a biblioteca onde recebia chefes de Estado e personalidades, a sala do consistório e a sala do trono. A partir de 2021, os jardins também ficaram acessíveis por meio de um trem ecológico que permitia percorrer vestígios romanos, vinhedos papais, estufas, a granja e o heliporto.
Essas dependências, que por quase dez anos revelaram aos turistas a intimidade da vida papal, voltarão a se fechar para o mundo e acolherão novamente a vida privada e de oração do Sucessor de Pedro.
Um palácio com séculos de história
A ligação da colina de Castel Gandolfo com o papado é antiga. Segundo a tradição, Urbano VIII foi o primeiro Papa a veranear ali, seguindo um costume que já tinha como cardeal. Os Pactos de Latrão de 1929 confirmaram a propriedade papal do conjunto e, em 1934, foi instalado no local o Observatório Astronômico do Vaticano.
O palácio foi refúgio favorito de João Paulo II, que o apelidou de “Vaticano II” e mandou construir uma piscina. Bento XVI também residiu ali e se transferiu para Castel Gandolfo na tarde de 28 de fevereiro de 2013, quando sua renúncia ao pontificado foi efetivada.
Dois Papas faleceram entre seus muros: Pio XII, em outubro de 1958, e Paulo VI, em agosto de 1978.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Pio XII transformou o palácio e os jardins em hospital para refugiados e feridos. O próprio quarto papal foi usado como sala de parto: cerca de quarenta crianças nasceram ali, e até hoje são lembradas na região como “os filhos do Papa”.
Com informações Infocatólica





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