Gaudium news > Árvore da vida no Paraíso de Deus

Árvore da vida no Paraíso de Deus

No novo Paraíso, cresce a Árvore da vida, isto é, o próprio Coração de Maria, copioso em frutos para quem dele se aproxima. E que fruto haveria de brotar de um coração, senão o amor?

Coracao de maria

Redação (16/04/2026 16:34, Gaudium Press) Nos escritos de São Luís Grignion de Montfort, as alusões ao que ele denomina Segredo de Maria apresentam-se à maneira de centelhas: coruscam como pequenas claraboias abertas ao infinito, mas seu brilho logo nos escapa, deixando incontáveis pormenores de um universo ainda por vislumbrar e desvendar. Se a criação guarda tantos mistérios, o que se dirá de sua obra-prima? De fato, esse segredo sugere uma glória interior da Santíssima Virgem tão elevada que se torna incompreensível até para os Anjos (cf. O Segredo de Maria, n.19; Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, n.11).

Certo é que o Santo francês fala de um arcano da graça que faz de Maria um “tabernáculo dos mistérios celestes”, segundo a expressão de Santo Ambrósio (De institutione virginis, c.VII, n.50: PL 16, 319; cf. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, n.82, 220, 248). Esse plural desconcertante – “mistérios” – parece sugerir que não há somente um, mas vários “segredos” na alma de Maria, a multiplicar-se como plantas num éden.

Por outro lado, Nossa Senhora é designada por São Luís como o “Paraíso de Deus” (O Segredo de Maria, n.19), no qual habita o novo Adão, Cristo. Essa fórmula singular coaduna-se com outra expressão encontrada na mesma obra: “Árvore da vida” (O Segredo de Maria, n.67).

Uma conciliação dessas atribuições só se torna possível a partir da consideração de duas dimensões no Segredo de Maria: uma que parte das relações entre Ela e a Santíssima Trindade, e outra que diz respeito às relações d’Ela com os seus filhos.

Deus criou Maria como um mundo inefável, mas não inatingível. Ao contrário do primeiro Paraíso, o novo tem as portas abertas – quiçá escancaradas – a nos conduzir diretamente ao seu cerne. Ali cresce a Árvore da vida, isto é, o próprio Coração de Maria, copioso em frutos para quem dele se aproxima. E que fruto haveria de brotar de um coração, senão o amor?

Ora, essa árvore pervadida de benevolência nutre-se, por certo, também de amor. Buscar entendê-la tão somente seria sufocá-la em nós por inanição. A árvore da ciência privou nossos primeiros pais do fruto da vida, cujo acesso só nos seria dado pela filial obediência da Virgem. Assim, o arco luminoso que conduz ao cerne do Paraíso que é Maria está composto por idênticos elementos – obediência e caridade –, razão pela qual recebe este nome sublime: escravidão de amor.

O Segredo de Maria não é um enigma intricado, mas um mistério, semelhante àqueles que – como o da Trindade ou o da Eucaristia – abundam em nossa Fé: ele não desafia a razão, mas a ultrapassa; é o resultado de um encontro entre a inteligência e o indizível. Portanto, não existe para ser desvendado, mas para ser experimentado.

Quiçá, sob essa luz, poder-se-ia arriscar uma interpretação mariana da promessa feita no Apocalipse ao Anjo de Éfeso, igreja do amor primaveril: “Ao vencedor darei de comer da árvore da vida, que se acha no paraíso de Deus” (Ap 2, 7).

A eternidade resultará curta para compreender o Segredo de Maria. Sem embargo, seu Esposo, o Divino Espírito Santo, que é Puro Amor, pode conceder-nos degustá-lo desde já. Só há uma condição: deixar-se amar…

Por Marcelo S.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas