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Pesquisa revela queda acentuada no apoio dos católicos ao governo Trump

Essa queda pode indicar uma mudança mais profunda no eleitorado religioso americano, que ajudou a eleger Trump, mas agora demonstra maior cautela e divisão.

Catedral de São Patrício, Nova York – Foto: Dana Andreaa Gheroghe / Unsplash

Catedral de São Patrício, Nova York – Foto: Dana Andreaa Gheroghe / Unsplash

Redação (15/04/2026 09:34, Gaudium Press) A agência católica Zenit reportou uma drástica queda no apoio dos católicos americanos à administração de Donald Trump, um grupo que foi decisivo para sua vitória e retorno à Casa Branca em 2024.

Uma pesquisa recente indica que esse apoio, antes sólido, está se enfraquecendo rapidamente. A guerra com o Irã parece estar acelerando um descontentamento entre os eleitores católicos, especialmente diante do uso da força militar e das tensões recentes envolvendo declarações do Papa Leão XIV sobre o tema.

De acordo com uma enquete realizada entre os dias 20 e 23 de março de 2026 pelas empresas Shaw & Company Research (de orientação republicana) e Beacon Research (de orientação democrata), o índice de aprovação de Trump entre os votantes católicos caiu para 48%, enquanto 52% expressam desaprovação.

Os números são ainda mais preocupantes quando analisados em detalhes: apenas 23% dos católicos aprovam fortemente a gestão de Trump, ao passo que 40% a desaprovam de forma contundente. Com margem de erro de cerca de três pontos percentuais, os dados apontam para uma erosão clara em relação ao impulso eleitoral de 2024, quando Trump conquistou entre 55% e 56% do voto católico, derrotando Kamala Harris por mais de 12 pontos de vantagem nesse grupo.

Esse resultado de 2024 já representava uma recuperação em comparação com 2020, quando os católicos ficaram praticamente divididos: 49% para Trump e 50% para Joe Biden.

Queda que acompanha o sentimento nacional

A diminuição de popularidade entre os católicos segue uma tendência semelhante observada no eleitorado geral. A mesma pesquisa mostra que a aprovação geral de Trump está em apenas 41%, com 59% de desaprovação.

Especialistas apontam que essa erosão está diretamente relacionada à promessa de Trump de evitar novos conflitos militares. No entanto, a tensão atual com o Irã parece ter transformado essa questão em algo concreto.

Apenas 40% dos católicos consultados aprovam a forma como Trump está conduzindo o conflito com o Irã, enquanto 60% desaprovam. No quesito uso da força militar, 45% apoiam as ações contra o Irã, mas uma maioria de 55% se opõe.

Quanto à efetividade da abordagem militar, novamente 45% acreditam que está dando resultados, contra 55% que não veem avanços.

Divididos nos meios, unidos nos objetivos

Apesar da rejeição maior ao uso da força, a pesquisa revela uma visão estratégica mais complexa entre os católicos. Grandes parcelas dos católicos continuam apoiando os objetivos estratégicos importantes no Oriente Médio:

– 71% consideram importante impedir que o Irã desenvolva armas nucleares;

– 71% destacam a necessidade de proteger o fluxo de petróleo na região;

– 73% priorizam a redução do apoio iraniano ao terrorismo;

– 61% defendem a promoção de mudanças políticas dentro do Irã.

Esses dados sugerem que o desacordo não está nos fins, mas nos meios: muitos católicos concordam com os objetivos, mas rejeitam o caminho militar escolhido.

Essa ambivalência aparece também na percepção de segurança nacional. Apenas 39% acreditam que os ataques contra o Irã tornarão os Estados Unidos mais seguros, enquanto 38% temem o efeito contrário e 23% preveem pouco impacto.

Por outro lado, a preocupação com as ambições nucleares de Teerã permanece alta: 74% dos católicos expressam inquietação diante da possibilidade de o Irã adquirir armas nucleares.

O voto católico foi fundamental para a vitória de Trump em 2024. Agora, menos de dois anos depois, esse apoio mostra sinais claros de desgaste. A pesquisa, divulgada em meio ao conflito com o Irã, sugere que os católicos americanos — historicamente um grupo oscilante entre os partidos — podem estar passando por um realinhamento significativo.

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