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Argélia: Leão XIV segue os passos de Santo Agostinho

Seguindo os passos de Santo Agostinho, o Papa Leão XIV visitou o sítio arqueológico de Hipona, na atual cidade de Annaba, nesta terça-feira, 14 de abril, segundo dia de sua viagem apostólica à Argélia.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

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Redação (14/04/2026 08:55, Gaudium Press) Leão XIV, o primeiro papa da história pertencente à Ordem de Santo Agostinho, realiza nesta terça-feira uma visita profundamente simbólica à terra que, há mais de 1.600 anos, foi palco da vida e do ministério de Santo Agostinho. A peregrinação a Annaba, antiga cidade de Hipona, não é apenas um ato de devoção pessoal, mas também uma mensagem forte em favor do diálogo interreligioso e da paz num mundo que tanto precisa de reconciliação.

Desde o início de seu pontificado, o Santo Padre tem repetido com frequência: “Sou filho de Santo Agostinho, agostiniano”. Essa declaração, feita já na primeira bênção Urbi et Orbi, tem sido reafirmada em quase todos os seus discursos. Com efeito, ontem, dia 13 de abril, ele a repetiu: “Vocês sabem que, como filho espiritual de Santo Agostinho, já estive em Annaba duas vezes — em 2004 e 2013 — e sou grato à Divina Providência, porque, segundo o seu misterioso plano, providenciou para que eu regressasse como Sucessor de Pedro”. Assim, essa identidade espiritual ganha forma concreta ao pisar o solo que o grande Doutor da Igreja percorreu séculos atrás.

O Papa havia manifestado publicamente, ainda ontem aos jornalistas que o acompanham, o desejo antigo de que a Argélia fosse o primeiro destino de uma viagem apostólica. Esse desejo se realiza agora, na primeira etapa de sua peregrinação pela África.

Encontro com o pai espiritual

Nesta terça-feira,14 de abril, o “filho” regressa ao seu pai espiritual, “que tanto quis ensinar ao mundo, sobretudo através da busca da verdade, da busca de Deus, do reconhecimento da dignidade de cada ser humano e da importância de construir a paz”, afirmou Leão XIV ao reitor da Grande Mesquita de Argel, Mohamed Mamoun Al Qasimi.

Leão XIV voou de Argel para Annaba, onde Santo Agostinho exerceu o ministério episcopal entre os anos 396 e 430. O programa do dia começou com a visita ao local arqueológico de Hipona. Ali, o Papa caminhou entre as ruínas da antiga cidade romana e cristã – incluindo a Basílica da Paz, onde Santo Agostinho exerceu o seu ministério – depositou uma coroa de flores e dedicou um momento de oração silenciosa, revivendo os passos de seu mestre espiritual.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

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Em seguida, encontrou-se com os residentes do lar de idosos administrado pelas Irmãzinhas dos Pobres, localizado ao lado da Basílica de Santo Agostinho. À hora do almoço, reuniu-se com seus irmãos agostinianos, cuja casa já visitara por duas vezes quando era Superior Geral da Ordem.

Esses momentos carregam um significado especial: como religioso agostiniano, Leão XIV (então padre Robert Prevost) já conhecia bem a Argélia e a comunidade local. Agora, como sucessor de Pedro, retorna não apenas como visitante, mas como pastor universal que quer reforçar as raízes espirituais de seu ministério.

A missa: o ponto alto da peregrinação

O momento mais importante do dia está reservado para a tarde: Leão XIV presidirá a Eucaristia na Basílica de Santo Agostinho. Esta será a única missa celebrada pelo Papa durante sua permanência na Argélia e, portanto, o principal encontro com os fiéis católicos do país – uma comunidade pequena, mas viva, em meio a uma nação majoritariamente muçulmana.

Após a celebração, o Santo Padre retornará a Argel. Na manhã de quarta-feira, após a despedida oficial no aeroporto, ele partirá para o Camarões, dando continuidade à sua viagem apostólica pela África.

Um gesto de diálogo e esperança

Mais do que uma viagem pessoal, a peregrinação de Leão XIV a Hipona transmite uma mensagem clara: o respeito pelas raízes cristãs da África do Norte e o compromisso com o diálogo interreligioso. Num contexto global marcado por tensões, o gesto do primeiro papa agostiniano de pisar a terra de Santo Agostinho reforça o chamado à fraternidade, à busca da verdade e à construção da paz entre povos e religiões.

Santo Agostinho, que nasceu na atual Argélia e se tornou um dos maiores santos do cristianismo, continua a inspirar não só os católicos, mas também a própria identidade cultural do país. Ao caminhar por essas ruínas e celebrar na basílica que leva o nome do santo, Leão XIV une passado e presente, a fé e o diálogo.

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