“A Cruz faz parte da missão”, recorda Leão XIV na Santa Missa do Crisma
Durante esta celebração, foram renovadas as promessas sacerdotais e dada a bênção dos santos óleos que serão usados nas cerimônias sacramentais do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos.
Cidade do Vaticano (02/04/2026 12:29, Gaudium Press) O Papa Leão XIV presidiu nesta Quinta-feira Santa a Santa Missa do Crisma, também chamada dos Santos Óleos. A cerimônia litúrgica, celebrada na Basílica de São Pedro, contou com a concelebração de diversos Patriarcas, Cardeais, Arcebispos, Bispos e sacerdotes presentes em Roma. Esta é a primeira vez que Prevost preside esta celebração como Bispo de Roma.
Nesta celebração, são renovadas as promessas sacerdotais e dada a bênção dos santos óleos que serão usados nas cerimônias sacramentais do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos. Em sua homilia, o Pontífice refletiu sobre três segredos da missão cristã, na qual cada um participa segundo sua própria vocação, obedecendo à voz do Espírito Santo e sem negligenciar ou romper a comunhão com os outros.
Lei do desapego, para estarmos a serviço de todos os batizados
Dirigindo-se aos Bispos e sacerdotes, o Santo Padre explicou que renovar as promessas é ser Igreja enviada, com “desapego” e “herdeiros de tanto bem”, para estar a serviço de todos os batizados. Uma missão que precisa de “esvaziamentos” para renascer, como fez Jesus ao “esvaziar-se a si mesmo”. Esse é o primeiro segredo da missão de “algo que não se experimenta uma só vez, mas em cada recomeço, em cada novo envio”.
“O caminho de Jesus revela-nos que a disponibilidade para perder, para se esvaziar, não é um fim em si mesma, mas condição para o encontro e para a intimidade. O amor só é verdadeiro se estiver desarmado – desprovido de muitos empecilhos e sem nenhuma ostentação –, se guarda delicadamente a fraqueza e a nudez. Temos dificuldade em lançar-nos numa missão tão exposta e, no entanto, não há ‘Boa-nova aos pobres’ (Lc 4, 18) se formos ao seu encontro com sinais de poder, nem há libertação autêntica se não nos libertarmos do possuir”, advertiu.
Lei do encontro e rejeição
O segundo segredo da missão cristã é a lei do encontro. Na Igreja é necessário caminharmos juntos, darmos testemunho vivo de um Corpo com muitos membros, estabelecendo “uma sintonia com o invisível” ao confiar no Espírito Santo, a missão não pode ser “pervertida por lógicas de domínio, totalmente estranhas ao caminho de Jesus Cristo. Os grandes missionários são testemunhas de aproximações feitas com delicadeza, cujo método consiste na partilha da vida, no serviço desinteressado, no diálogo, no respeito”.
Aprofundando sobre a terceira dimensão da missão cristã, talvez a mais radical, o Papa explicou que esta é a dramática possibilidade de incompreensão e de rejeição, manifestada inclusive pelos habitantes de Nazaré. A cruz faz parte da missão e é preciso se comprometer “a não fugir, mas a ‘passar pelo meio’ da provação, como Jesus, que, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho”. Podemos nos questionar se a missão terá sido inútil, continuou o Pontífice recomendando termos nossa esperança nos testemunhos dos Santos.
Os Santos escrevem a história
“Os Santos escrevem a história. Nesta hora sombria da história, foi do agrado de Deus enviar-nos para difundir o perfume de Cristo onde reina o odor da morte. Renovemos o nosso ‘sim’ a esta missão que nos exige unidade e que traz a paz. Sim, aqui estamos! Superemos o sentimento de impotência e de medo! Anunciamos a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”, concluiu o Papa Leão XIV encorajando os clérigos presentes no Vaticano. (EPC)










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