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Canadá: idosa vai ao hospital com dor nas costas e médica oferece eutanásia

“Parem de oferecer a morte a pessoas que têm ainda aventuras para viver!”, escreveu Amanda Achtman, fundadora do projeto Dying to Meet You, que visa prevenir a eutanásia.

Miriam Lancaster Foto: screenshot/ Amanda Achtman/ X

Miriam Lancaster Foto: screenshot/ Amanda Achtman/ X

Redação (31/03/2026 09:27, Gaudium Press) Casos recentes no Canadá estão gerando forte debate sobre os rumos do programa de Morte Assistida Médica (MAiD – Medical Assistance in Dying), a eutanásia e o suicídio assistido legalizados no país desde 2016. Em vez de priorizar cuidados paliativos, tratamentos e apoio à vida, relatos indicam que a opção de morrer tem sido oferecida de forma precoce ou como alternativa a problemas tratáveis.

Um dos casos mais recentes envolve Miriam Lancaster, de 84 anos. Em abril de 2025, a idosa deu entrada no Vancouver General Hospital (VGH), em Vancouver, queixando-se de fortes dores nas costas. Sem realizar qualquer exame prévio, uma médica jovem propôs-lhe imediatamente o procedimento de MAiD, afirmando que “é uma opção que acabará com a dor para sempre”.

Felizmente, a Sra. Lancaster estava acompanhada pela filha, que rejeitou a proposta. Posteriormente, descobriu-se que ela sofria de osteoporose e havia fraturado a pelve. Após tratamento adequado em outro hospital, recuperou a mobilidade em cerca de um mês e retornou para casa. A família agora se questiona: o que teria acontecido se a idosa, possivelmente em momento de depressão ou vulnerabilidade, estivesse sozinha no hospital?

Custos hospitalares versus “solução única”

Em Ontário, outro caso emblemático é o de Roger Foley, que luta contra ataxia cerebelar, uma doença neurológica degenerativa que afeta a coordenação motora e o equilíbrio. Internado em um hospital de Ontário, em 2018, ele foi informado de que o custo diário de sua internação seria de cerca de 1.500 dólares canadenses. Em vez de buscar soluções para o cuidado domiciliar ou tratamento, profissionais do hospital propuseram-lhe o MAiD como alternativa “mais simples e barata”. Foley gravou as conversas e moveu processo judicial contra o hospital e o governo provincial, denunciando coerção.

Elevador ou eutanásia?

Na província de Quebec, a ex-paraolímpica Christine Gauthier, tetracampeã mundial de canoagem de velocidade e veterana das Forças Armadas canadenses, relatou ter recebido proposta de suicídio assistido após reclamar da demora na instalação de um elevador em sua casa. Apesar de contrato e diversas notificações, a empresa responsável pelo serviço sugeriu o MAiD como “opção” diante da dificuldade de acesso.

Fratura no tornozelo e morte assistida

Um relatório da Comissão sobre o fim da vida, em Quebec, revelou dados preocupantes. Entre 1º de abril de 2018 e 31 de março de 2019, foram registrados três procedimentos de MAiD em pessoas que haviam sofrido apenas fratura no tornozelo — uma condição dolorosa, mas tratável e não terminal.

Esses casos ilustram uma tendência observada por críticos do programa: a expansão gradual do MAiD, que deixou de ser restrito a situações terminais e passou a ser oferecido como “solução” para dores crônicas, deficiências, custos hospitalares ou falta de acessibilidade. No Canadá, o número de mortes por MAiD tem crescido ano após ano, representando uma porcentagem significativa de óbitos totais.

Uma questão de dignidade humana

Para a Doutrina Social da Igreja e a tradição católica, a vida humana é um dom sagrado de Deus, desde o início até o fim natural. A eutanásia e o suicídio assistido contrariam o princípio fundamental de que ninguém tem o direito de dispor diretamente da vida de outrem ou da própria, mesmo com sofrimento envolvido. A verdadeira compaixão passa pelo cuidado integral — alívio da dor, acompanhamento psicológico, suporte familiar e valorização da dignidade da pessoa em todas as fases da existência.

Casos como os de Miriam Lancaster, Roger Foley e Christine Gauthier levantam um alerta sério: quando a morte passa a ser apresentada como uma “opção terapêutica” ou solução econômica, o risco é que pessoas vulneráveis, idosas, deficientes ou em momentos de fraqueza sejam pressionadas, ainda que sutilmente, a escolherem deixar de viver.

A Igreja no Canadá e em todo o mundo continua a defender a cultura da vida, promovendo cuidados paliativos de qualidade, o apoio às famílias e a formação de profissionais de saúde que vejam o paciente sempre como pessoa, nunca como um “custo” ou um “problema a ser resolvido”.

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