Leão XIV: vida monástica é modelo para todo o povo de Deus
Leão XIV recebeu no Vaticano três comunidades monásticas beneditinas, e refletiu sobre o valor do carisma beneditino na vida delas, na vida da Igreja e do mundo.

Foto: Vatican Media
Redação (31/03/2026 09:27, Gaudium Press) As monjas beneditinas das abadias de Santa Escolástica de Subiaco, de Santa Maria do Monte de Cesena e de Santa Escolástica de Bari, bem como um grupo de monges beneditinos, foram recebidos em audiência nesta segunda-feira, 30 de março, pelo Papa, na sala do consistório do Palácio Apostólico. Neste encontro, Leão XIV relembrou o sentido da vida monástica, que “não pode ser entendida como um simples isolamento em relação ao mundo exterior”. Para o Santo Padre, “ela é um instrumento para que, no coração dos discípulos, cresça um amor semelhante ao do Mestre, pronto para a partilha e a ajuda, inclusive entre mosteiros”.
No centro da vida monástica estão “a oração e a leitura orante da Palavra de Deus, em particular na Lectio divina”, que permite também “àqueles que as praticam compreender a verdade sobre si mesmos, reconhecer suas fraquezas e pecados e celebrar as graças e bênçãos do Senhor. Assim se fortalece em nós o desejo de pertencer a Ele e se confirma o voto de nossa consagração”. Leão XIV ressaltou a importância da Escritura que serve de “alimento para a vossa contemplação e para a vossa vida diária”.
Missão monástica
Um aspecto primordial e fundamental da missão monástica é o “da intercessão, em que a Palavra transformada em oração nos une a Cristo, o mediador, que intercede por nós (cf. Hb 7,25). Interceder é prerrogativa dos corações que batem em sintonia com a misericórdia de Deus, prontos a acolher e apresentar ao Senhor as alegrias e as dores, as esperanças e as angústias dos homens de hoje e de todos os tempos”, sublinhou o Papa. Um exemplo disso é a profetisa Ana, que “nunca se afastava do templo, mas adorava dia e noite, com jejum e orações. A oração e a ascese levaram-na a reconhecer no menino pobre e anônimo apresentado por Maria e José o Messias: permitiram-lhe perceber, nas dobras da história, a intervenção de Deus e fazer dela um anúncio profético de alegria e esperança para todo o povo de Israel”.
Em um mundo frequentemente marcado pelo isolamento e pelo individualismo, a vida monástica deve ser “um modelo para todo o povo de Deus, lembrando-nos de que ser missionário, antes mesmo de agir, exige uma maneira de ser e de viver as relações”. O Sumo Pontífice destacou, em seu discurso, que o caminho de santificação de uma pessoa consagrada ou de uma religiosa, “por mais rico que seja em fervor e inspiração, não pode se reduzir a um simples percurso pessoal”. Ele comporta, explicou ele, “uma dimensão comunitária indispensável, na qual o anúncio da libertação pascal se concretiza pelo serviço fraterno, reflexo do amor universal de Cristo pela Igreja e pela humanidade”.
Sinodalidade
Em seguida, foi destacada a importância da sinodalidade, promovida pelo Papa Francisco como um aspecto fundamental da vida cristã da Igreja. Ela “se traduz no mosteiro pela prática diária do “caminhar juntos”, pela “escuta recíproca, pelo discernimento comunitário sob a orientação do Espírito Santo; a comunhão com a Igreja local e com a Congregação monástica da família beneditina”. Ela se manifesta igualmente na “assembleia fraterna, na oração comum e nas decisões compartilhadas, onde autoridade e obediência se conjugam no diálogo, para buscar juntos a vontade de Deus”.
Formação permanente
Enfatizando especialmente a formação permanente, “particularmente necessária em uma época como a nossa”, o Papa lembrou que ela “consiste, antes de tudo, em conhecer o amor de Cristo, que supera todo o conhecimento”, e é “fundamental para que a vida consagrada possa desempenhar de maneira cada vez mais adequada seu serviço ao mosteiro, à Igreja e ao mundo”. O Papa frisou que isso implica, para todos os religiosos, um compromisso de encorajar, “com sabedoria e prudência, toda boa intenção e orientar todo esforço para o crescimento comum na capacidade de doação, para que cada mosteiro se torne cada vez mais, como desejava São Bento, uma ‘escola do serviço do Senhor’”.
“Obrigado pelo bem imenso e oculto que vocês fazem à Igreja, por meio de sua oferta, de sua oração contínua, de seu serviço e testemunho de vida”, concluiu Leão XIV.





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