Organização Ajuda à Igreja que Sofre alerta que 200 professores cristãos podem perder seus empregos em Jerusalém
Professores palestinos da Cisjordânia que trabalham atualmente em Jerusalém podem perder seus empregos.

Foto: Wikipedia
Redação (28/03/2026 08:50, Gaudium Press) O Ministério da Educação de Israel comunicou aos diretores das escolas cristãs de Jerusalém que, a partir do próximo ano letivo de 2026/2027, apenas professores residentes na cidade e com certificações israelenses válidas poderão lecionar nessas instituições. Isso significa que todos os docentes palestinos provenientes da Cisjordânia, que atualmente trabalham nessas escolas graças a uma permissão especial, ficarão sem emprego.
A informação foi divulgada pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (Aid to the Church in Need – ACN), que alertou para o impacto grave da decisão. Segundo a entidade, mais de 200 professores (algumas fontes mencionam cerca de 230) correm o risco de perder seus postos de trabalho. Isso não só ameaça o processo de ensino, mas também o futuro de tradicionais e prestigiadas instituições educacionais cristãs na Cidade Santa.
Cartão verde
Até agora, os professores palestinos da Cisjordânia podiam trabalhar em Jerusalém graças ao chamado “cartão verde” (green card), um documento administrativo emitido pelas autoridades israelenses que permite a certos palestinos trabalhar ou se deslocar em áreas controladas por Israel. Essa permissão, porém, deixará de ser válida para o ensino no próximo ano letivo, conforme a nova orientação do ministério.
Contexto de restrições crescentes
A decisão, anunciada em 10 de março passado, não é isolada. No início do atual ano letivo, a Comissão de Educação da Knesset (parlamento israelense) já havia proibido a contratação de professores em escolas cristãs que possuíssem diplomas de universidades e centros de ensino superior da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Segundo a comissão, essas instituições não atendem aos padrões acadêmicos israelenses.
Como resultado, 171 professores da Cisjordânia não receberam os respectivos certificados de ensino. Em resposta, a Organização das Escolas Cristãs (General Secretariat of Christian Schools) declarou greve em todas as suas instituições em Jerusalém, suspendendo as aulas até que os professores recebessem os documentos necessários.
A greve anterior, que durou uma semana, foi suspensa após negociações, mas a nova medida para 2026/2027 representa uma restrição ainda mais profunda e permanente.
Impacto nas escolas e na comunidade
As escolas cristãs de Jerusalém são bem consideradas e atendem milhares de alunos, tanto cristãos quanto muçulmanos palestinos. Elas desempenham um papel fundamental na preservação da identidade e da presença cristã na Terra Santa. Representantes das instituições afirmam que não há professores cristãos suficientes residentes em Jerusalém para substituir os que vêm da Cisjordânia.
Sem esses profissionais, as escolas enfrentam sérias dificuldades para manter a qualidade do ensino e até mesmo para continuar funcionando plenamente. Líderes cristãos alertam que a medida pode comprometer a sustentabilidade dessas escolas históricas e enfraquecer a missão educacional e cultural que elas representam há décadas.
A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre e outras organizações católicas expressaram preocupação com o futuro da educação cristã em Jerusalém, destacando que a decisão coloca em risco não apenas empregos, mas também o direito à educação de qualidade para as novas gerações.
O que vem pela frente?
Até o momento, as escolas e as organizações envolvidas buscam diálogo com as autoridades israelenses para encontrar uma solução que garanta a continuidade do trabalho dos professores e o funcionamento normal das instituições. A comunidade cristã local e internacional acompanha o caso com atenção, temendo que restrições como essa possam acelerar o êxodo de cristãos da região.
A situação das escolas cristãs de Jerusalém reflete as complexas tensões políticas, administrativas e demográficas que marcam a vida na Cidade Santa, onde educação, identidade cultural e liberdade religiosa se entrelaçam de forma delicada.





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