Imagem do Cristo Redentor é erguida no Líbano
Em meio à guerra e à crise, o Líbano ergue um Cristo Redentor de 26 metros na fronteira com a Síria. O projeto também inclui a construção de um santuário e de uma igreja, que servirão de espaço de acolhida para os peregrinos.

Foto: Catholic Gospel Media/ Facebook
Redação (24/03/2026 09:29, Gaudium Press) Enquanto o Líbano enfrenta uma das crises mais graves de sua história — colapso econômico, instabilidade política e os ecos da guerra na região —, o país continua a voltar o olhar para Jesus. Em março de 2026, foi inaugurada uma imponente estátua do Cristo Redentor de 26 metros de altura na aldeia cristã de Al-Qaa, bem na fronteira com a Síria.
Localizada no topo do Jabal al-Salib (Monte da Cruz), na planície do vale da Bekaa, a imagem domina a paisagem e pode ser vista a vários quilômetros de distância, inclusive de partes do território sírio. Com os braços abertos e o olhar voltado para o vale e a fronteira, a imagem segue o padrão clássico do famoso Cristo do Rio de Janeiro, mas carrega um significado ainda mais profundo neste contexto: um novo ponto espiritual numa área que historicamente tem sido assolada por conflitos.
O projeto foi idealizado e financiado por um morador local, Fadi Elyas Awad, em parceria com a prefeitura de Al-Qaa. A estátua propriamente dita mede 16 metros e está montada sobre uma base de 10 metros. O local deve se transformar em um centro de peregrinação, com a construção de um santuário e de uma igreja para receber fiéis da região e de outros países.
Símbolo de resistência e gratidão
Al-Qaa é uma comunidade cristã que, nos últimos anos, viveu momentos de grande tensão devido à proximidade com zonas de conflito na Síria e a ameaças de grupos extremistas. A construção da estátua surge, portanto, como um símbolo de fé e permanência das comunidades locais, que preservam o cristianismo.
A nova imagem se junta a outros grandes monumentos de fé do Líbano, como a famosa Nossa Senhora do Líbano, em Harissa, e a estátua de São Charbel Makhlouf, em Hammana. Juntos, eles formam uma espécie de “cinturão espiritual” que testemunha a vitalidade do cristianismo no país.
Um país de raízes cristãs profundas
O Líbano abriga uma das comunidades católicas mais antigas e significativas do Oriente Médio. A maioria dos cristãos libaneses pertence à Igreja Maronita (rito católico oriental), que representa uma presença histórica e cultural marcante no país. De acordo com o Pacto Nacional de 1943, que estabeleceu o sistema político libanês, a presidência da República deve ser ocupada por um maronita — um reconhecimento da importância dessa comunidade na identidade nacional.
Além dos maronitas, existem católicos de rito grego e latino, além de outras denominações cristãs. Mesmo representando uma minoria numérica em um país de maioria muçulmana, os cristãos libaneses mantêm forte influência social, educacional e cultural.





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