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Igrejas dos anos 60 ou 70? Nem mesmo de graça…

Na França, estão colocando à venda uma igreja de estilo “moderno”, mas a preço de banana.

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Redação (19/03/2026 10:10, Gaudium Press) É difícil negar que algo saiu profundamente errado na arquitetura católica dos últimos sessenta ou setenta anos. Não é preciso ser especialista em arquitetura para perceber isso. Basta observar que até as pequenas ermidas antigas, construídas muitas vezes por pedreiros analfabetos, continuam belíssimas após séculos. Já os templos levantados nas últimas décadas por arquitetos renomados costumam apresentar uma feiura desconcertante e parecem inevitavelmente destinados à demolição.

Um exemplo concreto

Na cidade francesa de Épinal, na região histórica da Lorena, uma igreja dos anos 1960 foi colocada à venda pelo preço inicial irrisório de 29.916 euros. O leilão, marcado para ocorrer entre os dias 24 e 26 de março de 2026, é organizado pela plataforma Agorastore, sob responsabilidade da AGRASC (Agência para a Gestão e Recuperação de Bens Apreendidos e Confiscados).

O imóvel — a antiga igreja paroquial Sainte-Marie-Goretti — oferece cerca de 495 m² de área útil, incluindo uma grande nave principal, várias salas anexas, um espaço semelhante a uma sala de cinema no subsolo e um campanário ao lado. O terreno total é de 840 m². Em uma cidade de aproximadamente 30 mil habitantes, um espaço com essas características deveria valer bem mais, porém, o valor inicial reflete o pouco interesse despertado.

Além da estética pouco atraente (embora existam exemplos bem piores da mesma época), o prédio apresenta problemas típicos: materiais de qualidade duvidosa e, como é comum em construções da década de 1960, presença de amianto (asbesto), o que exige obras caras de descontaminação e reforma.

Não é a primeira tentativa frustrada de dar destino ao imóvel. Desacralizada em 2014 pela diocese, foi vendida a um investidor privado. Um projeto de transformação em apartamentos para aluguel chegou a ser cogitado, mas foi abandonado por falta de viabilidade ou interesse. O imóvel acabou sendo comprado por um segundo investidor e agora vai a leilão “no estado em que se encontra”.

Esse caso não é isolado de Épinal, mas exemplifica uma tendência mais ampla observada na arquitetura católica das últimas seis ou sete décadas. Enquanto igrejas antigas, mesmo quando convertidas em discotecas, restaurantes ou livrarias, ainda atraem compradores pelo seu encanto e valor histórico, a grande maioria das igrejas modernas simplesmente não desperta o mesmo interesse — muitas vezes ficam vazias, fechadas ou à venda por preços simbólicos.

Épinal, aliás, preserva um patrimônio religioso muito mais valorizado: a basílica de São Maurício, um belo exemplo do estilo românico-gótico do século XI. A venda dessa igreja dos anos 1960 por um preço bem baixo, portanto, não é apenas uma notícia local; ela reacende o debate sobre as razões profundas dessa decadência estética na arquitetura sacra católica recente — e sobre a possível ligação entre a perda de beleza e a crise de fé, ou vice-versa.

Um retorno à beleza nas novas construções de igrejas seria, sem dúvida, uma excelente notícia para todos.

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