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Equador: dois sacerdotes morrem ao salvar acólitos que estavam se afogando

Dois sacerdotes faleceram afogados após resgatarem com sucesso dois acólitos que estavam sendo arrastados pelas fortes ondas do mar, em um retiro quaresmal realizado na costa equatoriana.

Foto: Facebook

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Redação (16/03/2026 17:48, Gaudium Press) No dia 13 de março de 2026, um retiro espiritual preparatório para a Semana Santa transformou-se em uma profunda perda para a Igreja Católica no Equador. Dois sacerdotes, Alfonso Avilés Pérez e Pedro Anzoátegui, perderam a vida no mar da praia de General Villamil Playas, na província de Guayas, no Equador, ao se lançarem para resgatar dois jovens acólitos que estavam sendo arrastados pela forte correnteza.

O incidente ocorreu durante um retiro de acólitos organizado na região costeira. Os adolescentes entraram no mar e, devido às condições perigosas das águas, começaram a se afogar. Sem hesitar, os sacerdotes, que acompanhavam o grupo, entraram na água para socorrê-los. Graças à ação rápida e corajosa, os dois jovens conseguiram ser salvos e levados em segurança para a praia. Infelizmente, os padres não conseguiram voltar à terra firme, sendo tragados pelas ondas. Os acólitos estão bem fisicamente e já retornaram para suas famílias, sem correr risco de vida.

Padre Alfonso Avilés Pérez, nascido em 1966 na cidade de Murcia, na Espanha, dedicou mais de três décadas ao sacerdócio. Ordenado em 1990, ele pertencia à Sociedade de Jesucristo Sacerdote e, nos últimos nove anos, atuava como pároco da Paróquia San Alberto Magno, na Diocese de Daule. Antes disso, serviu em outras comunidades, como a Paróquia Santa Teresita, em Entre Ríos, onde promoveu a catequese familiar, a adoração eucarística e a formação de acólitos — atividades que marcaram sua missão evangelizadora. Em 2021, recebeu reconhecimento da prefeitura de Samborondón por sua contribuição espiritual e social à comunidade.

Quem o conheceu lembra de sua personalidade próxima, alegre e motivadora. Uma frase que ele repetia com frequência era: “¡Al ataque, que la meta es el cielo!” (em português: “Ao ataque, pois a meta é o céu!”). Essa expressão, que inspirava tantos fiéis, ganha agora um significado ainda mais forte após seu falecimento.

Padre Pedro Anzoátegui, mais jovem, nasceu em 1982 e foi ordenado sacerdote em 20 de novembro de 2010, na Catedral de Guayaquil. Ele serviu em paróquias como Santa Cruz de Durán e em outras comunidades da Diocese de San Jacinto, sempre dedicado ao acompanhamento de fiéis e, especialmente, de acólitos.

A notícia abalou profundamente a Igreja equatoriana e gerou comoção entre os católicos do país. No sábado, 14 de março, foram celebradas missas de despedida. Na Paróquia San Alberto Magno, o Cardeal Luis Cabrera, arcebispo de Guayaquil, presidiu uma celebração, pedindo orações pelos sacerdotes Alfonso e Pedro, a quem encomendou à misericórdia divina. O bispo de Daule, Mons. Cristóbal Kudławiec, reconheceu a dor do momento e lembrou que, mesmo quando as palavras humanas falham, é preciso confiar na vontade santa de Deus, que “não se equivoca”.

Centenas de fiéis lotaram a paróquia para as exéquias. Entre os presentes estavam personalidades como a primeira-dama Lavinia Valbonesi e Annabella Azín, mãe do presidente Daniel Noboa, que foram prestar condolências e rezar no local.

Testemunhos de quem conviveu com os sacerdotes destacam sua santidade e entrega. Martha de Murillo, que trabalhou por mais de 20 anos como secretária do Padre Alfonso, e Carlos Polo, do Population Research Institute, recordaram sua amizade espiritual e o exemplo de vida. Polo citou o Evangelho de São João (15,13): “Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos”, afirmando que o padre morreu “em sua lei, a do amor”.

Esse triste episódio, ocorrido em pleno tempo de Quaresma, recorda o chamado ao amor ao próximo. Os padres Alfonso e Pedro entregaram-se até o fim para proteger a vida daqueles que estavam sob sua responsabilidade pastoral. Sua morte, embora trágica, é vista por muitos como um testemunho vivo do que significa seguir Cristo: amar sem medida, mesmo ao custo da própria vida.

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