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Leão XIV no Ângelus: “ao entrar em contato com Cristo, os olhos se abrem”

Para tirar os fiéis da cegueira espiritual, “Deus encarnou-se em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua graça, pudesse receber uma nova luz, capaz de nos fazer ver finalmente a nós próprios, aos outros e a Deus na verdade”.

Foto: Vatican Media

Foto: Vatican Media

Redação (15/03/2026 14:55, Gaudium Press) Neste quarto domingo da Quaresma, o Papa Leão XIV concentrou sua reflexão na passagem do Evangelho de São João que narra a cura de um cego de nascença (Jo 9,1-41). “Por meio da simbologia deste episódio, o Evangelista João nos fala do mistério da salvação: enquanto estávamos na escuridão e a humanidade caminhava nas trevas (cf. Is 9,1), Deus enviou seu Filho como luz do mundo para abrir os olhos dos cegos e iluminar nossas vidas”, explicou Leão XIV aos 20 mil fiéis reunidos na Praça de São Pedro, sob as janelas do Palácio Apostólico, para onde Leão XIV se mudou oficialmente ontem.

“Os profetas haviam anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos”, recordou o Papa. “Realmente, podemos dizer que todos somos ‘cegos de nascença’, pois não conseguimos, por nós mesmos, ver em profundidade o mistério da vida.” Para libertar os fiéis dessa cegueira espiritual, “Deus encarnou-se em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua graça, pudesse receber uma nova luz, capaz de nos fazer ver finalmente a nós próprios, aos outros e a Deus na verdade”.

Leão XIV ressaltou que, “ao longo dos séculos, difundiu-se a opinião, ainda hoje presente, de que a fé seria uma espécie de “salto no escuro”, uma renúncia ao pensamento, de modo que ter fé significaria acreditar “cegamente”. Porém, o Evangelho nos diz, ao contrário, que, ao entrar em contato com Cristo, os olhos se abrem”

Curados pelo amor de Cristo, os fiéis são chamados a viver um cristianismo “de olhos abertos”. Longe de ser “um ato cego, uma renúncia da razão, um refúgio em alguma certeza religiosa que nos faz desviar o olhar do mundo”, a fé é participação no “modo de ver” (encíclica Lumen fidei, n.º 18) de Jesus.

Portanto, como explicou Leão XIV, “isso nos pede que ‘abramos os olhos’, como Ele fazia, especialmente para o sofrimento dos outros e para as feridas do mundo”.

“Hoje, em particular, diante das muitas perguntas que o coração humano se faz e das situações dramáticas de injustiça, violência e sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé vigilante, atenta e profética – uma fé que nos abra os olhos para as trevas do mundo e leve a luz do Evangelho até ele por meio de um compromisso com a paz, a justiça e a solidariedade”.

Leão XIV exortou os fiéis a rezarem, pela intercessão da Virgem Maria, “a fim de que a luz de Cristo abra os olhos do nosso coração e possamos dar testemunho d’Ele com simplicidade e coragem”.

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