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A verdadeira alegria dos filhos da luz

“Alegra-te Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais! Cheios de jubilo, exultai de alegria, vós que estais tristes, e sereis saciados nas fontes de vossa consolação” (Is 66,10ss).

Cura do cego de nascença - Catedral de Green Bay (Estados Unidos) Foto: Thiago Tamura

Cura do cego de nascença – Catedral de Green Bay (Estados Unidos) Foto: Thiago Tamura

Redação (14/03/2026 17:27, Gaudium Press)Alegra-te Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais! Cheios de jubilo, exultai de alegria, vós que estais tristes, e sereis saciados nas fontes de vossa consolação” (Is 66,10ss). Eis a exclamação, com a qual se inicia a Santa Missa do 4° Domingo da Quaresma, o Domingo da Alegria; uma pausa no meio da penitência quaresmal, feita com a finalidade de restaurar nossas energias e permitir-nos entrar com as melhores disposições nos dias santos em que se celebrarão os principais mistérios da nossa fé. Como sapientíssima mestra, a Santa Igreja nos mostra como deve ser nosso gáudio, de onde ele provém e quais os frutos que deve produzir.

O bem age à luz do dia, o mal nas trevas

A luz, um dos elementos marcadamente presentes na liturgia de hoje, nos leva a refletir sobre um princípio que, presente no nosso cotidiano, é reflexo do que acontece nas almas e na sociedade. Um ambiente luminoso e arejado é agradável, convida a ser frequentado e favorece a ordem e a limpeza. Ao contrário, um lugar no qual nunca entra a luz e dominam as trevas geralmente é úmido e malsão, propício a abrigar toda espécie de sujeira e animais indesejáveis. Basta, porém, deixar entrar a luz do sol nesse ambiente e fazer circular o ar puro para que, paulatinamente, os efeitos nocivos próprios das trevas comecem a se desfazer.

Com efeito, as boas ações, as obras da luz, são realizadas em pleno dia, sem temor de serem vistas: “É necessário que nós realizemos as obras daquele que Me enviou enquanto é dia” (Jo 9,4a). O bem é transparente, manifesta-se tal qual é, para, desta forma, atrair aqueles que desejam seguir pelo bom caminho. O mal, pelo contrário, age nas trevas da mentira e da fraude; nunca se revela por inteiro, pois sabe que, se o fizesse, perderia sua penetração e seu dinamismo. Por isso, a melhor maneira de enfraquecer o mal é deitar luz sobre suas ações e pô-las a descoberto: “Tudo o que é condenável torna-se manifesto pela luz; e tudo o que é manifesto é luz” (Ef 5,13).

Verdadeira alegria de quem vive na luz

O princípio acima descrito fica muito claro na narração do Evangelho deste domingo. Nosso Senhor Jesus Cristo cura um cego de nascença — um milagre espetacular que gera grande comoção entre o povo e, especialmente, entre as autoridades judaicas.

Por outra parte, a conduta do homem curado da cegueira é exemplar e digna de nossa consideração. A partir do momento em que é favorecido pelo Senhor, o miraculado não deixa de reconhecê-Lo, seja qual for a circunstância. Em primeiro lugar, glorifica seu Divino Benfeitor assumindo, diante do povo e sobretudo diante de si mesmo, sua antiga condição de desventura. Ele não se apoia nas qualidades recém-adquiridas, mas no poder d’Aquele que o curou. Isso lhe confere uma segurança que transparece nas aguçadas respostas com que proclama sua fidelidade a Jesus diante dos fariseus; respostas que contrastam com a manifesta confusão destes últimos perante o patente milagre. Aquele homem não só recuperou a vista física, mas foi dotado de uma força de alma que os fariseus não conseguiram segurar. A simples existência desse homem os incomoda, pois é a prova de que as suas urdiduras para eclipsar a Pessoa do Messias são vãs. Não é possível cobrir o sol com uma peneira… quanto mais o Sol da Divindade do Verbo Encarnado com os remendos daquela hipocrisia!

Esse homem não teme os castigos que o mundo lhe inflige por proclamar-se seguidor de Cristo. Ao contrário, enfrenta-os com a santa ufania dos “filhos da Luz” (Ef. 5,8).

Deixemo-nos iluminar pela sua luz

Quanto à nossa humanidade — tão confundida e obnubilada pelos falsos brilhos do pecado, do mundo e da carne —, ela precisa da verdadeira Luz de Cristo!  Não será esta quaresma o momento oportuno para que essa Luz resplandeça com todo seu fulgor, a começar por nossas almas?

Não será esta liturgia um convite do Divino Benfeitor para lançar luz sobre alguns pontos que toldam o brilho da Luz Divina em nós? Por que não aproveitar este tempo de reflexão para, em um exame honesto de nossa vida, reconhecer-nos necessitados e pôr em ordem aqueles pontos que sabemos que nos conduzem aos enganos do pecado? Não está sempre Nosso Senhor Jesus Cristo no confessionário à nossa espera, pronto para nos curar e nos banhar na Luz da sua infinita Misericórdia?

* * *

É esta a verdadeira alegria que a Santa Igreja nos quer transmitir: a que provém de uma consciência em paz com Deus, que não teme as urdiduras do mal e do pecado, mas reflete a verdadeira Luz de Cristo diante dos seus próximos e do mundo inteiro.

Por Nicolás Forero

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