Ministro das Relações Exteriores do Líbano pede ajuda ao Vaticano
Em uma mensagem publicada no X, Youssef Raggi anunciou ter solicitado à Santa Sé para “intervir e servir de mediador para preservar a presença cristã” no Líbano.

Foto: Facebook
Redação (11/03/2026 15:02, Gaudium Press) Líbano apela ao Vaticano por ajuda e proteção para preservar a presença cristã no sul do país, na fronteira com Israel, região afetada por nova onda de violência no Oriente Médio, com bombardeios constantes e ordens de evacuação que geraram uma grave crise humanitária.
Youssef Raggi, ministro das Relações Exteriores do País dos Cedros, informou por meio de sua conta no X que manteve, nesta terça-feira, uma conversa telefônica com o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário do Vaticano para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais. A informação foi confirmada pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni.
Contatos diplomáticos em andamento
De acordo com o ministro libanês, durante o diálogo, os dois trocaram impressões sobre os últimos acontecimentos no Líbano e a difícil situação dos vilarejos fronteiriços no sul. Raggi pediu ao Vaticano que “intervenha e atue como mediador para ajudar a preservar a presença cristã nesses vilarejos, cujos habitantes sempre apoiaram o Estado libanês e suas instituições militares oficiais, sem jamais falhar nesse compromisso”.
O arcebispo Gallagher, segundo o relato do político libanês, assegurou que a Santa Sé está tomando “todas as medidas diplomáticas necessárias para pôr fim à escalada no Líbano e impedir o deslocamento forçado dos cidadãos de suas terras”. Ele também reafirmou que “o Líbano sempre esteve, e continua estando, nas orações de Sua Santidade o Papa”.
As palavras do Papa em Beirute
O Líbano foi, ao lado da Turquia, o destino escolhido pelo papa Leão XIV para sua primeira viagem apostólica internacional, realizada em dezembro do ano passado. Durante a visita, nas diversas ocasiões em que se pronunciou publicamente, o Santo Padre dedicou especial atenção à contínua diminuição da presença cristã no Líbano — terra que abriga a maior comunidade cristã do Oriente Médio, integrada principalmente por maronitas, mas também por fiéis gregos ortodoxos, melquitas e armênios.”
O Papa definiu a permanência dos cristãos como uma missão para construir uma “civilização do amor e da paz”. O próprio presidente Joseph Aoun, ao receber o Pontífice em Beirute, declarou que “se os cristãos do Líbano desaparecessem, o frágil equilíbrio ruiria, e com ele, a justiça”.
Dor pelo Oriente Médio
Na segunda-feira, o Santo Padre expressou sua profunda tristeza — conforme divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé — pela situação nas regiões do Oriente Médio, especialmente pelo sofrimento de tantos inocentes, em particular crianças, vítimas dos bombardeios incessantes. Entre eles, destaca-se o sacerdote maronita Pierre El Raii, morto na segunda-feira em Qlayaa, enquanto tentava socorrer um de seus paroquianos feridos em um ataque que atingiu uma casa na região de sua paróquia, nas montanhas do sul do Líbano.
O cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, também se manifestou na noite do mesmo dia sobre esse trágico episódio, afirmando que “nem mesmo a Igreja” permanece indiferente aos “sofrimentos da população”. Ele reiterou a importância dos instrumentos da diplomacia — “instrumentos da palavra, da razão e da sabedoria” —, embora nem sempre sejam bem recebidos. “Não dispomos de meios coercitivos para impor nossa visão das coisas”, declarou o cardeal, garantindo que a Santa Sé continua a insistir nos “princípios fundamentais que devem reger a convivência civil e pacífica entre os povos” e que segue dialogando “com todos”.
Quanto ao risco de desaparecimento da presença cristã na Terra Santa e no Oriente Médio em geral, Parolin lembrou que esse perigo sempre foi denunciado pelo Vaticano: “É certo que a guerra, a desestabilização, os conflitos e o ódio que se intensifica não favorecem a permanência dos cristãos; trata-se, portanto, de mais um motivo de preocupação”.
Em nome da Santa Sé, o Cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, também manifestou sua proximidade com o povo libanês nos últimos dias, assegurando-lhes suas orações constantes neste período dramático.
Com informações Vatica News





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