“Se nada é pecado, a santidade torna-se incompreensível”, adverte pregador da Casa Pontifícia
Na presença do Papa Leão XIV, o Padre Roberto Pasolini, contribuiu a primeira meditação de Quaresma, que teve como eixo: “A conversão: seguir o Senhor Jesus no caminho da humildade”.
Cidade do Vaticano (03/10/2026 14:17, Gaudium Press ) O pregador da Casa Pontifícia, Padre Roberto Pasolini, converteu a primeira meditação de Quaresma, que teve como eixo: “A conversão: seguir o Senhor Jesus no caminho da humildade”. As reflexões deste ano têm como tema central: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura (2Cor 5,17). A conversão ao Evangelho segundo São Francisco”.
A conversão evangélica é, antes de tudo, uma iniciativa de Deus
Na presença do Papa Leão XIV, o frade capuchinho assegurou que a paz não nasce apenas de acordos políticos ou estratégias diplomáticas e militares, mas de homens e mulheres que encontram a coragem de se tornarem pequenos: capazes de dar um passo atrás, renunciar à violência em todas as suas formas, resistir à tentativa de vingança e da prepotência e escolher o diálogo, mesmo quando as apesar de negar essa possibilidade.
Em seguida, ele iniciou sua reflexão ligada à vida de São Francisco, definida como “um homem atravessado pelo fogo do Evangelho, capaz de reaender em cada uma a nostalgia de uma vida nova no Espírito”. Padre Pasolini explicou que a conversão evangélica é, antes de tudo, uma iniciativa de Deus, à qual o ser humano é chamado a responder livremente e que ela acontece no ponto mais íntimo da natureza humana.
A palavra pecado parece ter desaparecido
Segundo o frade, a conversão também está ligada à “profundidade do sulco que o pecado cavou” em cada pessoa. Ele alertou que hoje a palavra pecado parece ter desaparecido. “Na consciência comum – e às vezes também na vida da Igreja – tudo é explicado como fragilidade, ferida, limite ou condicionamento. Quando ainda se fala de pecado, muitas vezes ele é limitado a um pequeno erro ou a uma fraqueza”, alertou.
De acordo com o pregador, se não se permitir a possibilidade de um mal verdadeiro, também desaparece a ideia de um bem verdadeiro. Diante desse cenário, a santidade torna-se um destino abstrato e incompreensível. No pecado o ser humano confirma que sua liberdade é real e que pode, com ela, construir ou destruir a si mesmo, aos outros e ao mundo, ressaltou o religioso.
A humildade é um caminho que todo batizado é chamado a percorrer
Tratando sobre a vida de São Francisco de Assis, Pasolini frisou que o Santo é conhecido pela pobreza, inseparável da humildade. “A humildade é um caminho que todo batizado é chamado a percorrer se quiser acolher plenamente a graça da vida em Cristo”. Trata-se de uma maneira de habitar o mundo e as relações, redimensionando “a imagem inflada que temos de nós mesmos” e recuperando a verdade.
O religioso frisou ainda que a humildade não empobrece o homem, mas o entrega a si mesmo e à sua verdadeira grandeza. Por este motivo ela está profundamente ligada à conversão. Segundo ele, o pecado original nasce justamente da recusa da humildade, da não acessível da condição humana, finita e dependente de Deus. Por fim, Padre Pasolini afirmou que a conversão nunca termina.
“Converter-se significa recomeçar continuamente esse movimento do coração, através do qual nossa pobreza se abre à graça de Deus”. São Paulo capítulo compreendeu que as fraquezas não é uma etapa a ser superada, mas a própria forma da vida em Cristo e da vida batismal. É justamente nos conflitos e nas dificuldades que a conversão se torna mais necessária, pois é nesses momentos que se prova a assimilação do Evangelho da Cruz”, concluiu. (EPC)










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