Papa Leão XIV escolhe um oficial da Guarda Suíça como seu novo ajudante de câmara
O tenente da Guarda Suíça, Anton Kappler, é o novo ajudante de câmara do Papa Leão XIV. Ele assume o cargo de Piergiorgio Zanetti, que se aposentou na semana passada.

Foto: schweizergarde
Redação (06/03/2026 11:19, Gaudium Press) No coração do Vaticano, onde as grandes decisões da Igreja Católica são tomadas em meio a cerimoniais milenares, existe uma função quase invisível, mas indispensável ao dia a dia do pontífice: o ajudante de câmara (aiutante di câmera), conhecido como majordomo do Papa. Essa função, baseada acima de tudo na confiança absoluta, na discrição total e na proximidade constante com a vida privada do Santo Padre, raramente aparece. No entanto, quando o Papa Leão XIV anunciou, no dia 5 de março de 2026, a escolha de seu novo assistente, a notícia chamou atenção imediata na Cidade do Vaticano e em círculos eclesiais.
O escolhido foi o tenente Anton Kappler, um oficial da Guarda Suíça Pontifícia, que assume o cargo sucedendo Piergiorgio Zanetti, que se aposentou na semana anterior. Kappler, nascido em 16 de agosto de 1979, em Wattwil, na Suíça, ingressou na Guarda Suíça em fevereiro de 2001. Ao longo de mais de duas décadas de serviço, ele acumulou uma trajetória marcada por responsabilidade e dedicação. Por muitos anos, foi responsável pela armaria da organização, uma função que exige rigor extremo e senso de segurança. Antes de ser promovido a tenente, atuou como sargento de esquadrão. Mais recentemente, como tenente, comandava a terceira seção da Guarda, que inclui os membros da banda musical do destacamento.
Com essa nomeação, o Papa Leão XIV confia uma das missões mais delicadas a um homem proveniente da Guarda-Suíça tradicionalmente responsável pela proteção física do Papa. A escolha reforça a ideia de continuidade e de valorização da lealdade comprovada dentro das estruturas vaticanas.
O papel do ajudante de câmara vai muito além de tarefas administrativas ou de protocolo. Ele organiza a rotina diária do pontífice, cuida de detalhes íntimos da vida pessoal, acompanha o Papa em momentos comuns e, sobretudo, preserva o sigilo absoluto sobre tudo o que presencia nos aposentos pontifícios. É uma figura discreta, raramente citada em documentos oficiais, mas essencial para o equilíbrio entre a dimensão pública do ministério petrino e a esfera humana e privada do sucessor de Pedro.
Ao longo da história recente, alguns majordomos se tornaram figuras emblemáticas. Os irmãos Giampaolo e Guido Gusso serviram João XXIII com dedicação notável. Mas o exemplo mais icônico é Angelo Gugel, que acompanhou São João Paulo II durante os 27 anos de seu longo pontificado. Gugel era descrito por quem o conheceu como um homem discreto, eficiente e sempre presente sem ser invasivo. Sua relação com o papa polonês se construía em gestos simples do cotidiano e em uma confiança profunda, mais do que em formalidades protocolares.
No entanto, a história dessa função também registra episódios conturbados. O mais notório ocorreu em 2012, durante o pontificado de Bento XVI, com o caso conhecido como Vatileaks. Paolo Gabriele, então majordomo do Papa, foi acusado de subtrair e vazar documentos confidenciais do apartamento pontifício. Gabriele alegou que agia para expor problemas e supostas corrupções na Cúria Romana. O escândalo abalou o Vaticano profundamente, justamente por envolver uma das pessoas mais próximas do pontífice, destacando a fragilidade inerente a um cargo que exige confiança irrestrita.
Com a nomeação de Anton Kappler, o Papa Leão XIV deposita essa missão sensível nas mãos de um oficial da Guarda Suíça, alguém treinado na tradição de lealdade e serviço discreto.





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