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Mônaco se prepara para a visita do Papa Leão XIV: comunicado do Principado

Em Mônaco, o catolicismo é a religião oficial de Estado, conforme estabelecido no artigo 9º da Constituição de 1962. Pela primeira vez na história das viagens apostólicas, um papa visitará o principado.

Foto: Vatican News/ Facebook

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Redação (28/02/2026 10:19, Gaudium Press) Com a proximidade da visita histórica do Papa Leão XIV ao Principado de Mônaco, o Palácio divulgou um comunicado oficial destacando que a religião católica, expressamente mencionada na Constituição, representa um pilar fundamental da identidade monegasca.

No sábado, 28 de março de 2026, pela primeira vez na história, um Pontífice reinante pisará em solo monegasco durante uma visita apostólica. O Papa Leão XIV atenderá ao convite de S.A.S. o Príncipe Albert II e de Dom Dominique-Marie David, arcebispo de Mônaco. Esse acontecimento carrega um significado profundo, unindo dimensões institucionais, espirituais e históricas.

No comunicado emitido em 25 de fevereiro de 2026, o Palácio do Príncipe declara que a visita “se insere na continuidade dos laços seculares que unem a dinastia dos Grimaldi aos Sucessores de Pedro”. O texto reforça que Mônaco, como “Estado soberano cuja religião católica, apostólica e romana está inscrita na Constituição, extrai desse patrimônio espiritual um fundamento essencial de sua identidade, de sua unidade e da continuidade de suas instituições, ao mesmo tempo em que o inscreve em uma dinâmica de abertura e adaptação ao mundo contemporâneo”. Com essas palavras, o Príncipe Albert II deixa claro que a fé católica transcende o mero legado cultural, configurando-se como elemento estruturante da vida pública no principado.

Vale recordar que a divisa oficial de Mônaco é “Deo Juvante”, expressão latina que significa “Com a ajuda de Deus”. Ela aparece nas armas principescas, abaixo do escudo sustentado por dois monges empunhando espadas — alusão à lendária conquista do Rochedo por François Grimaldi em 1297.

Arquidiocese de Mônaco

A Arquidiocese de Mônaco possui uma configuração singular na Europa: abrange exatamente o território da Principado, resumindo-se na fórmula emblemática “um Estado, uma comuna, uma diocese”. Sua história remonta ao século XIII. Em 1247, pela bula Pro Puritate, o Papa Inocêncio IV autorizou a construção de uma capela no Rochedo. Em 1868, o Beato Pio IX desmembrou a paróquia de Mônaco da diocese de Nice, elevando-a a abadia nullius (equivalente a uma diocese). Em 1887, a bula Quemadmodum sollicitus Pastor, do Papa Leão XIII, erigiu a diocese de Mônaco, diretamente subordinada à Santa Sé.

Em 1981, São João Paulo II elevou-a à dignidade de arquidiocese. Em 2027, a Igreja local celebrará os 780 anos da primeira paróquia e os 140 anos da criação da diocese, evidenciando a longa trajetória dessa Igreja particular.

O artigo 9º da Constituição estabelece que “a religião Católica, Apostólica e Romana é religião de Estado”. Essa confessionalidade confere à arquidiocese um status especial: o Estado reconhece oficialmente o papel da Igreja nas instituições nacionais e apoia suas atividades. Assim, 21 leigos são remunerados pelo Governo Príncipe para servir à diocese — um exemplo concreto dessa parceria institucional.

Com cerca de 38.423 habitantes, estima-se que aproximadamente 28.817 sejam católicos, o que representa perto de 75% da população. A prática religiosa regular gira em torno de 8%. O território abriga cidadãos de quase 150 nacionalidades diferentes. Os monegascos compõem cerca de 24,1%, seguidos pelos franceses (21,8%) e italianos (19,5%). Essa diversidade multicultural imprime à arquidiocese um caráter marcadamente cosmopolita.

A fé católica permeia intensamente a vida pública monegasca. A Festa Nacional, em 19 de novembro, inicia-se com uma missa solene e um Te Deum na catedral. No dia 27 de janeiro, autoridades e os habitantes se reúnem para celebrar Santa Devota, padroeira da Principado. As procissões da Sexta-feira Santa, da Imaculada Conceição e de Corpus Christi expressam uma devoção popular profundamente enraizada na tradição histórica.

A vida sacramental segue vigorosa: anualmente, celebram-se cerca de 200 Batismos, 160 Primeiras Comunhões, 150 Crismas, 50 Matrimônios e 80 Unções dos enfermos. A diocese conta com aproximadamente 29 sacerdotes, 5 diáconos permanentes, 11 religiosas, além de um seminarista e um propedêutico em formação.

Seis paróquias organizam a vida pastoral: a Catedral (Imaculada Conceição), São Carlos, Santa Devota, São Nicolau, São Martinho e a Capela Palatina do Palácio do Príncipe. A arquidiocese também exerce a responsabilidade pastoral sobre a paróquia do Espírito Santo, situada em território fronteiriço.

A cúria arquidiocesana, os conselhos e cerca de quinze serviços pastorais coordenam as diversas frentes de ação: catequese, liturgia, pastoral familiar, bioética, cultura, vocações, entre outras. A educação católica destaca-se como um dos eixos prioritários, com forte presença em estabelecimentos de ensino e na formação integral das novas gerações.

O Principado de Mônaco figura entre os poucos países europeus que ainda mantêm o catolicismo como religião oficial de Estado. A Arquidiocese local reforça que a Igreja “segue sendo uma instituição central na vida do principado, ativa e presente em diversas áreas, muitas vezes pouco conhecidas pelo público em geral”.

A iminente visita do Papa Leão XIV gera grande expectativa na população. Para além do ineditismo histórico — trata-se da primeira vez que um Pontífice reinante visita o território monegasco —, o Palácio do Príncipe considera o evento “um forte sinal de esperança, em um espírito de diálogo, paz e responsabilidade partilhada”.

Com informações Tribune Chrétienne

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