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“O modelo cubano é um fracasso”

O sacerdote cubano Alberto Reyes publicou uma reflexão no Facebook direcionada à esquerda internacional. Nela, ele ressalta que o modelo implantado em Cuba é um fracasso e pediu que parem de defender uma realidade que simplesmente não existe.

Foto: Unsplash / Delaney Turner

Foto: Unsplash / Delaney Turner

Redação (27/02/2026 10:16, Gaudium Press) O Padre Alberto Reyes, sacerdote da Arquidiocese de Camagüey, em Cuba, fez um apelo à esquerda latino-americana e europeia para reconhecer, de uma vez por todas, que “o modelo cubano tem sido um fracasso”. Segundo ele, enquanto setores da esquerda insistem em negar essa realidade e continuam a incentivar um sistema que já não respira — como se dissessem a um morto: “Ânimo, você ainda pode seguir em frente!”; o povo cubano sofre, padece e morre. “Por favor, parem de zombar do meu povo, parem de defender maquinalmente uma realidade que não existe”, insistiu.

Em uma publicação recente em seu perfil no Facebook, o sacerdote descreveu a vida cotidiana em Cuba como semelhante à de nações em guerra, onde as pessoas não têm controle sobre seu presente nem sobre seu futuro. Por isso, ele pediu para que a esquerda assuma que “Cuba não é o que vocês teriam desejado que fosse” e que, após 67 anos, já houve tempo mais do que suficiente para provar que nunca o será.

“Se vocês acreditam que o marxismo-leninismo é a solução para os problemas deste mundo, têm todo o direito de buscar soluções dentro dele, e eu respeitarei isso. Mas não aplaudam o fracasso do socialismo na minha terra com discursos de falso orgulho. E, se não quiserem admitir abertamente que fracassamos, pelo menos guardem silêncio — aprender a calar também pode ser uma opção digna”, afirmou o sacerdote.

Ele frisou que os cubanos: “seguiremos tentando construir uma Cuba onde se possa viver na verdade e na liberdade, recordando, de vez em quando, as palavras de Oscar Wilde: ‘Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando para as estrelas”.

 “Cuba tem que mudar”

Por sua parte, o bispo de Santa Clara, Dom Arturo González Amador, declarou durante a missa de 15 de fevereiro na Catedral de Santa Clara de Assis que “Cuba tem que mudar”, pois a forma como o povo está vivendo “não é humana”.

O prelado destacou que a situação no país não apenas se manteve grave e difícil desde a mensagem episcopal pelo Jubileu anterior, mas que piorou significativamente. Ele também explicou as razões pelas quais a Conferência dos Bispos Católicos de Cuba decidiu adiar a visita ad limina ao Vaticano, originalmente marcada para 16 a 20 de fevereiro de 2026.

“É muito preocupante que todos os bispos saiam de Cuba e estejam ausentes caso ocorra alguma situação difícil ou dolorosa. Isso foi o que nos motivou a pedir ao Santo Padre o adiamento da visita”, disse Dom Arturo.

Os bispos optaram por priorizar a presença junto ao povo: “Onde os pais devem estar quando há dificuldade? Ao lado dos filhos. Estar ao lado do nosso povo”, enfatizou.

Inicialmente prevista para 2027, a visita ad limina havia sido antecipada pelo Papa Leão XIV como gesto de proximidade com a Conferência Episcopal Cubana. Apesar do desejo mútuo de encontro — tanto dos bispos quanto do Papa —, o bispo reforçou que não seria possível deixar o povo sozinho em meio ao que está acontecendo.

“Conservamos a paz, buscamos a verdade, buscamos servir. Isso se faz acompanhando, rezando no nosso lugar, com a nossa gente”, afirmou na catedral.

Por fim, Dom Arturo González recordou o apelo recorrente do Episcopado cubano por um “diálogo sincero e eficaz”: “É preciso sentar-se, falar, ouvir. Diante do sofrimento dos nossos irmãos, é necessário dar passos reais pelo bem comum. Temos que nos deixar interpelar pelo sofrimento desse povo e fazer algo por ele”.

Essas declarações do Padre Alberto Reyes e de Dom Arturo González Amador refletem uma voz cada vez mais clara e uníssona da Igreja Católica em Cuba: a urgência de reconhecer a realidade, romper com ilusões ideológicas e priorizar o sofrimento concreto do povo em busca de mudanças verdadeiras.

Com informações Aciprensa

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