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Polêmica sobre supostas palavras do Papa Leão XIV aos bispos espanhóis: sua maior preocupação é a ultradireita

“Eu estive presente nessa reunião, e essa notícia exagerada e fora de contexto não corresponde ao que o Papa Leão disse”, afirma um bispo. “Percebe-se o interesse desses jornalistas em hostilizar a Igreja inclusive com o tema dos abusos”.

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Redação (25/02/2026 15:26, Gaudium Press) No último dia 23 de fevereiro, diversos veículos de imprensa espanhóis — com repercussão em noticiários internacionais — publicaram que o Papa Leão XIV, durante a audiência privada com a Comissão Executiva da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) em 17 de novembro de 2025, teria afirmado que sua maior preocupação com a Espanha era “a ideologia de ultradireita” e os esforços de grupos políticos para manipular a opinião católica em busca de votos. Alguns relatos chegaram a mencionar referência explícita a um partido específico.

A Comissão Executiva da CEE é composta pelo presidente, Dom Luís Argüello (arcebispo de Valladolid); o vice-presidente, Cardeal José Cobo; o secretário-geral, Dom César García Magán; e seis bispos membros: Ginés García Beltrán, Jesús Sanz Montes, Mario Iceta, Enrique Benavent, José Ángel Saiz e José María Gil. Foram esses prelados que se reuniram com o Pontífice no Vaticano.

A publicação gerou imediata repercussão e polêmica. Meios católicos especializados, como o portal Religión Confidencial, consultaram dois membros da própria Comissão Executiva. Os prelados manifestaram surpresa e desconforto com a divulgação de supostas palavras privadas do Papa. Um deles destacou: “Foi violada uma norma básica que não se deve comentar publicamente o que o Papa diz em privado. Isso deixa Sua Santidade em uma situação sem defesa e prejudica a Igreja. Em outros tempos, talvez fosse comum, mas não deveria ser assim agora”.

Questionados sobre o tema em concreto, os bispos negaram a versão veiculada. Um prelado afirmou: “Não vou revelar o que o Papa disse, mas posso garantir que ele não falou da forma como estão relatando. Pelo menos eu não ouvi”. Outro completou: “A notícia está descontextualizada e não corresponde ao que o Papa Leão XIV realmente disse”. Segundo as fontes ouvidas pelo Religión Confidencial, o tema surgiu a partir de uma pergunta feita por um dos presentes, e não por iniciativa espontânea do Pontífice. Leão XIV teria falado “sobre outra série de preocupações mais profundas, como a secularização, a situação dos casamentos, dos jovens e o impulso evangelizador”.

“É lógico que, se um dos presentes levantasse a questão, o Papa ofereceria critérios sobre o que é a doutrina clássica da Igreja nesta matéria e tentaria estabelecer um quadro de compreensão do assunto a partir da relação da Igreja com a comunidade política, comentam nossas fontes”, afirma Religión Confidencial.

Diante da repercussão e da gravidade do assunto, a própria Comissão Executiva da CEE emitiu, em 24 de fevereiro, uma nota oficial curta de esclarecimento. Nela, os bispos afirmam: “No diálogo, o Santo Padre refletiu, entre outras coisas, sobre os riscos de submeter a fé às ideologias, sem mencionar nenhum grupo concreto”.

Em outras palavras, o encontro envolveu um intercâmbio teórico, e as informações divulgadas foram tergiversadas e retiradas de contexto, possivelmente por interesses diversos, buscando minar a confidencialidade que tradicionalmente rege essas audiências privadas, de natureza reservada e até íntima entre o Sucessor de Pedro e os pastores locais. (CCM)

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