Gaudium news > Carta de um embaixador alerta para sérias desordens dentro da Ordem de Malta

Carta de um embaixador alerta para sérias desordens dentro da Ordem de Malta

A carta dirigida ao Papa centra-se particularmente no governo do Grão-Chanceler da Ordem.

Embaixada da Ordem de Malta em Praga – Foto: Wikimedia Commons

Embaixada da Ordem de Malta em Praga – Foto: Wikimedia Commons

Redação (20/02/2026 09:55, Gaudium Press) Uma carta dirigida ao Papa Leão XIV por um embaixador da Soberana Ordem de Malta traz uma série de acusações graves contra a própria instituição, conforme noticiado pelo jornal italiano Il Fatto Quotidiano. O documento retrata um cenário alarmante de desordem institucional, declínio espiritual e possíveis irregularidades na gestão da Ordem, justamente no momento em que o Vaticano analisa a possibilidade de realizar uma visita apostólica ou até mesmo intervir diretamente por meio de um comissariado.

Acusações contra o Grão-Chanceler

O principal alvo das críticas é Riccardo Paternò di Montecupo, Grão-Chanceler da Ordem. De acordo com a carta, algumas de suas nomeações teriam seguido uma “linha nepotista”, com destaque para a designação de seu irmão Maurizio Paternò como conselheiro junto à Unesco, cargo que confere passaporte diplomático da Ordem.

Além disso, o texto denuncia a nomeação de “pessoas divorciadas ou de divorciados recasados” para cargos na instituição, o que contraria frontalmente os princípios e o caráter católico da Ordem.

O documento vai além de apontar nomes específicos: descreve uma crise mais profunda, marcada por “desvio”, “declínio moral e material” e o “afastamento de membros com grande experiência”. Os autores da carta alertam que a situação tende a se agravar ainda mais caso não sejam tomadas medidas corretivas, lamentando “a dificuldade de manter plenamente visíveis os fundamentos da Ordem de Malta: fé, caridade, fraternidade e espírito de humildade”.

O silêncio imposto e a crise diplomática

Outro ponto de tensão envolve o corpo diplomático da Ordem, que mantém 115 embaixadas ao redor do mundo. Um rígido silêncio teria sido imposto a todas elas: qualquer solicitação da imprensa deve ser encaminhada à Assessoria de Comunicação do Grão-Magistério, sem permissão para respostas diretas.

Mais grave ainda é a precariedade material enfrentada pelos embaixadores. Mario Carotenuto, que atuou por onze anos como embaixador no Egito, descreve a situação com clareza: “Eu mesmo tive de arcar com aluguel, contas de serviços, salários e viagens. Sem receber salário e sendo considerado um ‘serviço voluntário’, fica muito difícil encontrar candidatos”. Carotenuto acabou renunciando ao cargo após o Conselho Soberano recusar por duas vezes a nomeação de seu sucessor residente no Cairo.

Outro embaixador confirma sem rodeios: “Todos os gastos ficam por nossa conta. Sem qualquer apoio vindo de Roma”. Essa precariedade financeira gera, segundo o mesmo depoimento, uma dinâmica preocupante: “Não acredito que haja um comércio efetivo de passaportes diplomáticos, mas o mecanismo é induzido pela necessidade: sem recursos, quando surgem pessoas com condições econômicas de ‘ajudar’, elas são chamadas e incorporadas ao serviço diplomático”.

Gastos do Grão-Mestre e reforma não cumprida

Enquanto as embaixadas enfrentam dificuldades financeiras, os gastos no topo da instituição contrastam fortemente. Segundo dados citados na reportagem, em 2024, o Grão-Mestre gastou 200 mil euros apenas em voos e hotéis. O custo total do Magistério chega a 10 milhões de euros por ano.

Esse contexto leva o analista a recordar as diversas iniciativas de reforma promovidas no pontificado anterior, que agora parecem ter fracassado. Com um novo Pontífice no trono de Pedro, o futuro da instituição — e a possibilidade de uma nova intervenção vaticana — está agora nas mãos de Leão XIV.

Com informações Il Fatto Quotidiano / Open Online

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas