Perseguição continua: mais um sacerdote expulso ao tentar voltar para a Nicarágua
Com esse novo caso de expulsão, o total de religiosos exilados, expulsos ou proibidos de ingressar na Nicarágua sobe para 309, conforme atualização divulgada pela pesquisadora Martha Patricia Molina, que monitora as agressões contra a Igreja Católica no país desde 2018.

Pe. José Concepción Reyes Mairena Foto: Panorama Católico/ Facebook
Redação (15/02/2026 10:44, Gaudium Press) O sacerdote José Concepción Reyes Mairena, da Diocese de León, foi expulso da Nicarágua logo após tentar retornar ao país vindo da Espanha. A denúncia veio da advogada e pesquisadora Martha Patricia Molina, que acompanha de perto as agressões contra a Igreja Católica no país.
De acordo com Molina, o religioso foi retido por agentes da Direção-Geral de Migração e funcionários do Ministério do Interior ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Manágua. Após um interrogatório, as autoridades negaram sua entrada e o forçaram a embarcar imediatamente em um voo de volta à Espanha. O Pe. Reyes trabalhou durante vários anos no seminário maior San Agustín, da diocese de León, e há mais de um ano estava na Espanha.
Conforme fontes eclesiais ouvidas pelo Despacho 505, “eles o retiveram, fizeram perguntas sobre sua estadia na Espanha e os motivos de sua volta ao país. Após um interrogatório prolongado, negaram a entrada e o mandaram de volta”.
Em novembro de 2022, durante o aumento das hostilidades do regime contra a Igreja, o sacerdote havia celebrado uma missa de início da Novena em honra à Imaculada Conceição de Maria nas instalações do Poder Judiciário no Ocidente, mas não recebeu qualquer proteção ou intervenção para evitar sua expulsão posterior.
De acordo com as fontes, não houve qualquer mediação em seu favor por parte do bispo de León, Dom Sócrates René Sándigo Jirón, frequentemente criticado pelos fiéis por sua proximidade excessiva com o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo.
Mais de 300 religiosos exilados ou expulsos
“A expulsão do Pe. Concepción Reyes demonstra que a ditadura Ortega-Murillo não concede trégua à Igreja Católica nicaraguense”, afirmou a pesquisadora em suas redes sociais. Ela destacou que, com esse episódio, o número de sacerdotes e religiosas desterrados, expulsos ou proibidos de ingressar no território — inclusive cidadãos nicaraguenses — chega a 309.
Trata-se de uma espécie de “limpeza eclesial” que afeta sobretudo as comunidades rurais, onde a presença católica historicamente fortalece a organização comunitária.
Fontes consultadas apontam que essa abordagem silenciosa permite ao governo reconfigurar o mapa religioso do país, limitando a capacidade de mobilização social da Igreja. No entanto, alertam que a medida representa um risco para o próprio regime, pois ocorre em um contexto de crescente pressão internacional — especialmente dos Estados Unidos —, que exige o fim das prisões arbitrárias e a libertação incondicional de presos políticos.





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