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V Domingo do Tempo Comum: sentinelas da luz

O dever de todos aqueles que exercem uma missão profética – pastores ou fiéis – é ser luz neste mundo de trevas.

Foto: David Ayusso

Foto: David Ayusso

Redação (07/02/2026 20:09, Gaudium Press) Ensina Leão XII que uma das obrigações dos Pontífices Romanos é a de serem vigias do rebanho de Cristo: rechaçar os males que o ameaçam, bem como prevenir os fiéis contra as trampas dos inimigos da Igreja, afastando-as e frustrando-as com sua autoridade. Trata-se da missão profética daqueles que, como Isaías na primeira leitura deste domingo, têm o encargo de ser sentinelas, defensores e pregoeiros dos direitos de Deus.

Com efeito, o profeta alerta contra o perigo de nos afastarmos da mortificação e de renunciarmos ao domínio das paixões, e sublinha a necessidade de acrisolar a caridade para retornar ao caminho de Deus, onde a luz brilhará como a aurora (cf. Is 58, 8). Como lográ-lo num mundo paganizado?

Está na ordem natural que os homens se apoiem mutuamente para a satisfação de suas necessidades básicas. Mas isso não se pode reduzir a meros gestos de filantropia. Recorda-nos Leão XIV a união que deve existir entre os homens, como fator de verdadeira liberdade: “Todos nós vivemos graças a uma relação, ou seja, a um vínculo livre e libertador de humanidade e de cuidado recíproco”. Esta é a liberdade dos filhos de Deus, a caridade que desprende o coração humano dos liames do pecado e que para Santo Agostinho constitui o umbral da luz da verdade: “Quem conhece a verdade conhece esta luz, e quem a conhece, conhece a eternidade. A caridade é quem a conhece”.

Nesse sentido, a Liturgia deste domingo poderia ser definida como a da denúncia profética.

São Paulo proclama a superioridade do preceito divino sobre a sabedoria humana: “Não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado” (I Cor 2, 2). Também nós cristãos, graças ao Batismo, devemos anunciar que a Cruz é a verdadeira sabedoria, em contraposição à do mundo. Ela não satisfaz os anseios dos doutos e poderosos, que a consideram uma loucura, mas saciará plenamente os fracos e será sua fortaleza.

No Evangelho, Nosso Senhor sublinha a grande vocação de seus seguidores: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 14). E hoje, mais do que nunca, a luz deve ser a divisa dos discípulos de Cristo, que glorificam o Pai por suas palavras e exemplos.

O tema da luz está presente em toda a revelação bíblica. Já no Gênesis se narra a separação da luz e das trevas como primeiro ato do Criador (cf. Gn 1, 3-4), e no final da História da salvação será Deus mesmo a luz dos bem-aventurados (cf. Ap 21, 24). Na primeira leitura Isaías proclama a luz que brilhará sobre o povo, desde que este siga a vontade divina.

Em sua mais recente exortação apostólica, Dilexi te, o Papa Leão XIV indica essa luz como uma característica dos primeiros monges que iluminaram seu tempo “por meio da plenitude da caridade”. Esta é, mais do que nunca, a missão de todos aqueles que exercem uma missão profética, sejam eles pastores ou fiéis, todos os batizados, membros da Igreja.

Por Pe. Santiago Canals Coma, EP

Extraído da Revista Arautos do Evangelho, fevereiro 2026

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