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Cardeal Marx assustado com o ‘monstro’ que criou

“A Conferência Sinodal não deve se tornar uma autoridade superior que supervise os bispos e governe as dioceses”.

Foto: Vatican News

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Redação (06/02/2026 09:49, Gaudium Press) Dizer que o Cardeal Reinhard Marx é o principal criador desse “Frankenstein” seria um exagero. No entanto, é inegável que ele contribuiu de forma decisiva para sua criação.

De acordo com o editorial do jornal italiano Il Foglio, o cardeal-arcebispo de Munique, Reinhard Marx, reagiu com veemência — e, segundo relatos, aos gritos, algo que já se tornou habitual em certas ocasiões — quando se propôs a criação de um mecanismo de supervisão para implementar as decisões do chamado Caminho Sinodal Alemão, concluído na última sessão, realizada no fim de semana passado, em Stuttgart.

“Não quero”, declarou o purpurado. Ou melhor, gritou. “A Conferência Sinodal não deve se tornar uma autoridade superior que supervise os bispos e governe as dioceses.”

Ele se referia ao principal fruto — talvez o único — do processo iniciado em 2019: a Conferência Sinodal (ou Conselho Sinodal), um órgão composto por 27 bispos e 54 leigos, com poderes deliberativos sobre praticamente todos os aspectos da Igreja na Alemanha, conforme definido até o momento.

Não se pode dizer que o impetuoso Cardeal Marx não tenha sido alertado sobre os riscos. Em 2021, o papa emérito Bento XVI, seu antecessor na arquidiocese de Munique, não só lhe disse pessoalmente, mas também escreveu: “Fará mal e acabará mal”. Ademais, ele advertiu sobre a criação de um “poder paralelo”, em que leigos e prelados decidem em pé de igualdade, de forma “democrática”, sobre questões divinas e humanas — quando o divino já foi definido pelo Divino há 2.000 anos, ao fundar sua Igreja, que é hierárquica.

Marx, porém, fez ouvidos moucos. Na sexta e última assembleia, a proposta avançou apesar de suas advertências. Desta vez, o número de bispos contrários não se limitou aos quatro conservadores habituais, foram dez votos contra. Como observa o editorial do Il Foglio, isso revela uma tensão crescente no episcopado alemão:

“Alguns bispos tentaram amenizar os atritos, cientes de que, para aprovar a Conferência Sinodal (27 bispos e 54 leigos) ainda este ano, é melhor evitar confrontos diretos com Roma. Houve momentos de tensão em Stuttgart. […]  O fato de o ponto ter sido aprovado com dez bispos votando contra indica que nem tudo correu bem.”

Agora, caberá à Conferência Episcopal Alemã decidir sobre os estatutos do novo organismo, que serão votados nas próximas semanas. De qualquer forma, como destaca o mesmo Il Foglio (cujo diretor recebeu recentemente uma carta do papa parabenizando pelos 30 anos de jornalismo), a bola está agora no campo de Roma.

O mundo católico permanece atento ao próximo capítulo dessa que já é considerada uma das mais conturbadas “novelas” herdadas do pontificado anterior. (CCM)

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