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Um bispo e quatro sacerdotes ordenados na Índia

“A perseguição tentou silenciar o cristianismo, mas, ao contrário, suscitou novos pastores que hoje dão testemunho, pregando o perdão e a paz”.

Foto: Radio Veritas Asia/ Facebook

Foto: Radio Veritas Asia/ Facebook

Redação (05/02/2026 08:33, Gaudium Press) A comunidade católica no estado de Odisha, no leste da Índia, recebeu com alegria um novo bispo auxiliar e quatro novos sacerdotes — um sinal extraordinário de florescimento vocacional em uma região marcada profundamente pela violência contra os cristãos.

Em 2023, a pedido dos bispos da Índia, a Santa Sé concedeu o Nihil obstat para a abertura do processo de beatificação de Kanteshwar Digal e seus companheiros, conhecidos como os 35 mártires de Kandhamal, assassinados por ódio à fé em 2008, no estado de Odisha.

Agora, na mesma terra, surge um poderoso testemunho de fé: mais de 140 sacerdotes e religiosas, junto com cerca de 3.000 fiéis, participaram, no dia 28 de janeiro, da solene Eucaristia de ordenação sacerdotal de quatro novos sacerdotes na Paróquia de São José, em Godapur, na Arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar. Os ordenados foram: Sugrib Baliarsingh, George Badseth e dois franciscanos conventuais, Frei Saraj Nayak e Frei Madan Baliarsingh.

A Santa Missa foi presidida pelo novo bispo auxiliar de Cuttack-Bhubaneswar, Dom Rabindra Ranasingh, natural de Kandhamal. Em sua homilia, ele destacou: “Somos escolhidos por Deus para participar da tríplice missão de Cristo: santificar, que é a missão sacerdotal; ensinar, a missão profética; e governar, a missão pastoral real”.

Dirigindo-se aos novos sacerdotes, o bispo afirmou: “Vocês são a presença e a ação de Cristo, que os escolheu para servir ao seu povo, mesmo que isso possa custar a vida de vocês”.

Na infância, os quatro novos sacerotes testemunharam ataques contra suas famílias e comunidades durante a onda de violência que devastou Kandhamal entre 2007 e 2008. Alguns perderam pais, parentes e suas próprias casas; outros foram forçados a fugir para a floresta, sobrevivendo em meio ao medo, à fome, aos deslocamentos e à incerteza. O Pe. Sugrib Baliarsingh recordou: “Vi o ódio destruir vidas, mas também senti o perdão e a coragem, e isso me conduziu ao sacerdócio”.

Por sua vez, o Pe. Pradosh Chandra Nayak, vigário-geral da Arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar, lembrou: “A perseguição tentou silenciar o cristianismo, mas, ao contrário, suscitou novos pastores que hoje dão testemunho, pregando o perdão e a paz”.

Ordenação episcopal

Os fiéis locais manifestaram grande alegria e esperança pela recente ordenação episcopal de Dom Rabindra Kumar Ranasingh como bispo auxiliar da Arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar, realizada em 17 de janeiro.

Sua nomeação carrega um significado profundo para a comunidade, que sofreu ataques violentos resultando na morte de centenas de cristãos, no deslocamento de cerca de 60 mil pessoas, na queima ou destruição de milhares de casas e de centenas de igrejas profanadas ou destruídas. A Paróquia de Bamunigam, à qual pertencia o Pe. Kumar Ranasingh, foi a primeira a ser atacada.

Por fim, o Pe. Ajay Singh, sacerdote e advogado local que acompanha processos judiciais ainda em andamento, observou: “Depois de quinze anos, muitas feridas continuam abertas no plano humano: infelizmente, a justiça não foi plenamente feita; os meios de subsistência ainda não foram completamente restabelecidos, e o tecido social precisa de uma reconciliação verdadeira”.

Para os cristãos de Kandhamal, a ordenação episcopal de Dom Rabindra Kumar Ranasingh representa “uma prova de que a fé venceu, a esperança está viva e a caridade de Cristo floresce no deserto, em meio ao sofrimento”.

Com informações Vatican News/Agenzia Fides 

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