China: novo bispo empossado na Diocese de Pingliang em meio às tensões sino-vaticanas
Dom Hui foi nomeado como bispo coadjutor pelo Papa Francisco em 11 de janeiro de 2021, sendo o quinto bispo chinês a ser nomeado e ordenado no âmbito do Acordo Provisório sobre a Nomeação de Bispos na China.

Foto: chinacatholic.cn
Redação (28/01/2026 09:36, Gaudium Press) Em uma transição significativa para a comunidade católica da China, o bispo coadjutor Anthony Li Hui, de 54 anos, assumiu a liderança da Diocese de Pingliang, na província de Gansu, China, sucedendo o bispo Nicholas Han Jide, de 85 anos, que esteve à frente da diocese por um longo tempo.
A posse do novo bispo, noticiada pelo portal católico chinês Xinde.org e chinacatholic.cn, ocorreu durante uma solene celebração eucarística na Catedral de Pingliang, em 15 de janeiro, com a presença de clérigos, religiosos e leigos, além de representantes do Departamento de Trabalho da Frente Única — o órgão do Partido Comunista responsável pela supervisão dos assuntos religiosos em toda a China. Porém, ela foi anunciada publicamente apenas no dia 21 de janeiro.
Ela representa uma mudança geracional e política em uma das dioceses históricas da China, onde se cruzam forças estatais, eclesiais e diplomáticas sob o olhar atento do governo.
Dom Hui foi nomeado como bispo coadjutor pelo Papa Francisco em 11 de janeiro de 2021, sendo o quinto bispo chinês a ser nomeado e ordenado no âmbito do Acordo Provisório sobre a Nomeação de Bispos na China.
O acordo, assinado pela primeira vez em 2018 e renovado várias vezes desde então, busca unificar o processo de nomeação de bispos na China, permitindo que tanto Roma quanto Pequim tenham participação na seleção. Embora envolto em sigilo, o acordo é amplamente visto como um compromisso após décadas de relações conturbadas entre a Santa Sé e a China, que romperam relações diplomáticas na década de 1950.
Nos termos do acordo, um bispo coadjutor detém o direito de sucessão automática quando o atual bispo diocesano se aposenta ou falece — um acordo que facilitou a transição de Hui após a aposentadoria de Han, prorrogada por uma década.
O bispo Han, que liderava a diocese desde 1999, renunciou formalmente durante a cerimônia de 15 de janeiro. Ele expressou gratidão às autoridades civis locais e manifestou apoio à política chinesa de “sinicização da religião”, uma iniciativa que enfatiza a adaptação das religiões aos valores socialistas e às tradições culturais, sob a orientação dos princípios do Partido Comunista.
Uma nova etapa para Pingliang
Em seu discurso de posse, o bispo Hui comprometeu-se a manter a orientação pastoral de seu predecessor, ao mesmo tempo em que guiará a diocese em conformidade com as políticas religiosas oficiais do país. Ele manifestou a intenção de “aprofundar o patriotismo e o amor pela Igreja, promover a adaptação do catolicismo à sociedade socialista e escrever uma nova página na santa causa missionária”, conforme relatado pelo Xinde.
A declaração reflete o delicado papel que muitos bispos na China precisam desempenhar — equilibrar deveres eclesiais com as expectativas políticas impostas pela Conferência dos Bispos da Igreja Católica na China, reconhecida pelo Estado, e pela Associação Patriótica Católica Chinesa, entidades não reconhecidas pelo Vaticano.
Sinicização
Introduzida pela primeira vez pelo presidente Xi Jinping em 2015, a “sinicização” da religião exige que todas as comunidades de fé se alinhem mais estreitamente à cultura chinesa e à liderança do Partido Comunista. Seus defensores a apresentam como um projeto de adaptação cultural e integração nacional. Críticos, porém, a descrevem como uma campanha política voltada à vigilância, ao controle e à conformidade ideológica dos grupos religiosos.
O debate sobre a sinicização continua sendo especialmente delicado dentro da Igreja Católica, dada sua estrutura internacional e lealdade ao Vaticano. A tensão ressalta o envolvimento cauteloso que tanto o Vaticano quanto a China mantêm ao lidar com interesses comuns na proteção da prática religiosa, ao mesmo tempo em que afirmam sua soberania sobre a autoridade eclesiástica.
Uma Diocese com raízes profundas
A Diocese de Pingliang, que abriga cerca de 12 mil católicos, tem suas origens nos esforços missionários do início do século XX. De acordo com a agência de notícias do Vaticano, Fides, a comunidade católica da região começou a se formar na década de 1910 e foi elevada à categoria de diocese em 1950 — apenas um ano após a ascensão do Partido Comunista ao poder, que reconfigurou profundamente o cenário religioso chinês.
Hoje, os católicos representam apenas cerca de 2% da população de 1,4 bilhão de habitantes da China, conforme relatório do Pew Research Center de 2023, sendo que aproximadamente 90% dos cristãos chineses se identificam como protestantes. Em uma comunidade pequena, mas dedicada como essa, as mudanças de liderança carregam um peso pastoral e político considerável.





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