Mons. Gänswein: a normalidade está retornando ao Vaticano
Mons. Gänswein enfatizou que os primeiros meses do Papa Leão XIV trouxeram uma “dimensão positiva” para a vida no Vaticano.
Redação (23/01/2026 05:59, Gaudium Press) Um ano após a mudança de pontificado, o clima no Vaticano parece estar passando por uma evolução notável. Em entrevista concedida à EWTN News em Vilnius, Lituânia, o Arcebispo Georg Gänswein — ex-secretário pessoal de Bento XVI e atual núncio apostólico nos Estados Bálticos — faz uma avaliação sem exageros: com o Papa Leão XIV, “a normalidade está voltando lentamente”.
“Acima de tudo, houve uma mudança para melhor na atmosfera”, afirma o prelado, que se encontrou com o Sumo Pontífice duas vezes no último ano, a mais recente em meados de dezembro. “Os dois encontros transcorreram muito, muito bem. E o tempo decorrido desde então me mostrou com muita clareza que, para dizer de um modo um pouco pessoal, a normalidade está voltando lentamente.” Para o arcebispo, essa evolução não é algo irrelevante. Ele vê nisso um sinal de que “a fé e o Espírito Santo estão realmente atuando”, e fala explicitamente de “normalização”. Um termo que ele logo explica: “Para mim, é importante constatar que o Papa Leão simplesmente enfatizou algumas questões que não são novas, mas que foram completamente ignoradas nos últimos anos”.
Nomeado núncio apostólico na Lituânia, na Letônia e na Estônia em 2024, Mons. Gänswein conhece bem os mecanismos do Vaticano. Seu julgamento se baseia em uma longa experiência, adquirida especialmente durante os dezessete anos como secretário pessoal de Bento XVI e depois como Prefeito da Casa Pontifícia. Ele destaca particularmente a forma como o Papa Leão XIV anuncia a fé. Segundo ele, o pontífice segue “uma linha clara” e proclama o Evangelho “com alegria e de modo convincente”. “Quando se lê suas catequeses ou suas homilias, percebe-se que se trata de um homem que vive e anuncia a fé com um espírito agostiniano”, acrescenta ele.
O arcebispo aproveitou a entrevista para expressar suas preocupações em relação ao Caminho Sinodal Alemão, cuja última assembleia deve se iniciar no final do mês de janeiro. Embora reconheça a necessidade de certas reformas, ele se mostra muito reservado quanto à orientação adotada pelo processo.
“Quem acompanha os acontecimentos relacionados ao Caminho Sinodal desde o início até hoje pode constatar uma coisa importante: várias das reivindicações do Caminho Sinodal se afastam da fé”, adverte ele. E esclarece: “Não há dúvida de que existe, de fato, a necessidade de mudar e reformar certas coisas aqui e ali. Concordo com isso. No entanto, o que o Caminho Sinodal tem demonstrado até o momento constitui, para mim, uma evidência clara de que não se trata de um retorno a um aprofundamento da fé, mas de uma diluição da fé.”
Mons. Gänswein recorda, por fim, que nenhuma mudança pode se afastar do ensinamento da Igreja, especialmente em matéria de moral, ética, estrutura sacramental e autoridade oficial dos bispos. “Só posso esperar e rezar para que esse caminho equivocado simplesmente termine em breve”, conclui ele.






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