Papa Leão XIV nomeia Arcebispo Carlo Redaelli Secretário do Dicastério para o Clero
Mons. Carlo Roberto Maria Redaelli inicia sua nova missão como Secretário do Dicastério para o Clero e, ao mesmo tempo, permanece vinculado à Arquidiocese de Gorizia. Leão XIV o designou Administrador Apostólico da arquidiocese até a posse do novo arcebispo.

Mons. Carlo Roberto Maria Redaelli Foto: Facebook
Redação (23/01/2026 05:59, Gaudium Press) O Papa Leão XIV nomeou Mons. Carlo Roberto Maria Redaelli, até então arcebispo de Gorizia, como secretário do Dicastério para o Clero, conforme divulgado no boletim oficial da Santa Sé, desta última quinta-feira, 22 de janeiro. A nomeação traz para um dos dicastérios mais técnicos e influentes da Cúria Romana um canonista com vasta experiência.
O Dicastério para o Clero trata da disciplina, formação, vida e condições do clero diocesano. Dentro dessa estrutura, o papel do secretário é essencial: gerencia arquivos, coordena decisões e garante que as diretrizes do prefeito sejam implementadas de forma eficaz. A tradição romana costuma escolher secretários de método, de norma e de engrenagem interna, mais do que de grandes gestos. Nesse sentido, a nomeação de Redaelli parece perfeitamente alinhada com a engrenagem vaticana.
Um canonista
Nascido em Milão em 1956, Redaelli foi ordenado sacerdote em 1980 e obteve a licenciatura em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em 1988. Sua trajetória é um exemplo de progressão constante nas instituições jurídicas e administrativas da Igreja. Em Milão, atuou na advocacia eclesiástica, chegando a vigário geral e, posteriormente, bispo auxiliar. Desde 2012, é Arcebispo de Gorizia.
Na Conferência Episcopal Italiana (CEI), destacou-se como presidente do Conselho para os Assuntos Jurídicos, lidando com questões delicadas relacionadas a questões de bens eclesiásticos e administração. Essa combinação de precisão jurídica e autoridade burocrática reflete o perfil que os dirigentes do Vaticano costumam valorizar: líderes capazes de “colocar a casa em ordem” sem alarde.
Por mais de uma vez, Roma demonstrou confiança em Redaelli ao enviá-lo a dioceses em dificuldade. Em 2016, foi nomeado Visitador Apostólico de Acqui e, em 2018, Administrador Apostólico da mesma diocese. Em 2020, foi enviado como visitador em Pescara-Penne e, mais recentemente, em Piazza Armerina.
Essa última missão, segundo a imprensa italiana, esteve ligada a irregularidades de governança e financeiras na diocese — um assunto delicado que exigia competência jurídica e discrição. Essas nomeações reforçam sua reputação como “solucionador de problemas” do Vaticano: alguém chamado quando se necessita de inspeção, diagnóstico e controle.
Controvérsia litúrgica e o Summorum Pontificum
As posições de Redaelli sobre liturgia chamaram atenção, especialmente entre os adeptos da Missa Tradicional. Em 2018, reportagens o associaram à tese de que as reformas do Papa Paulo VI teriam abolido formalmente o Missal de 1962 — o mesmo texto cuja utilização mais ampla foi autorizada por Bento XVI por meio do motu proprio Summorum Pontificum.
Essa interpretação, baseada em premissa jurídica questionável, colocou Redaelli em oposição aos defensores da liturgia pré-Vaticano II. O debate tornou-se emblemático das tensões tradicionalistas e a evolução da governança litúrgica de Roma.
Ainda assim, sua nomeação para o Dicastério para o Clero não está diretamente ligada à formulação de políticas litúrgicas. No entanto, como a formação do clero e a governança diocesana frequentemente se cruzam com a identidade litúrgica, seu novo cargo o posiciona próximo ao centro de alguns dos debates pastorais mais sensíveis da atualidade.
Uma manobra estratégica do Vaticano
A decisão do Papa Leão XIV de nomeá-lo sinaliza confiança institucional e preferência por uma liderança técnica, estável e discreta. Como secretário, Redaelli atuará nos bastidores, moldando a implementação prática das políticas vaticanas nas dioceses em todo o mundo.
Embora não seja um cargo de exposição pública, trata-se de uma posição de considerável influência — especialmente em um momento em que a Igreja enfrenta pressões sobre formação sacerdotal, transparência na governança e divisões litúrgicas. A firme postura jurídica de Redaelli e sua comprovada lealdade à Igreja institucional fazem dele uma figura a ser observada, à medida que a Cúria continua a se adaptar sob a direção do Papa Leão XIV.
Monsenhor Carlo Roberto Maria Redaelli inicia sua nova missão em Roma como secretário do Dicastério para o Clero e, ao mesmo tempo, permanece vinculado à Arquidiocese de Gorizia: o Santo Padre o designou Administrador Apostólico da arquidiocese até a posse do novo arcebispo. Dessa forma, continuará guiando a diocese durante esta fase de transição, assegurando a continuidade da administração pastoral e o cuidado com o clero e os fiéis.
Com informações Infovaticana





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