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São Sebastião, mártir

Confrontado com a escolha entre renunciar a Cristo ou morrer, São Sebastião permaneceu inabalável em sua fé. Sua memória é celebrada no dia 20 de janeiro.

Foto: Sergio Hollmann

Foto: Sergio Hollmann

Redação (19/01/2026 11:52, Gaudium Press) Nascido em Narbona, na Gália (atual França), no ano 256 da era cristã, São Sebastião veio ao mundo numa família de profunda piedade cristã. Sua mãe, oriunda de Milão, no norte da Itália, transmitiu-lhe desde cedo os valores da fé verdadeira, enquanto seu pai, distinto militar romano, o introduziu no universo da disciplina e da coragem próprias da milícia imperial.

Desde jovem, Sebastião sentiu-se atraído pela carreira das armas. Dotado de nobre porte, inteligência viva e valentia extraordinária destacou-se rapidamente entre os soldados do Império. Sob o reinado de Diocleciano e do governador Maximiano, seu talento e lealdade foram reconhecidos: o próprio Maximiano, admirando sua bravura e seus bons serviços, elevou-o à alta dignidade de chefe da Primeira Guarda Pretoriana Imperial, a elite que protegia diretamente o imperador.

Apesar de sua elevada posição na corte imperial, Sebastião conservava em segredo sua condição de cristão. Recusava-se categoricamente a participar dos cultos idolátricos exigidos pelo imperador pagão. Com admirável caridade, dedicava-se a visitar e confortar os cristãos presos nas cadeias de Roma, que aguardavam o suplício no Coliseu. Alimentava-os, curava suas feridas e fortalecia-lhes o espírito para o testemunho final.

Invejosos de seu prestígio e suspeitando de sua religião, alguns denunciaram-no ao imperador. Confrontado com a escolha entre renunciar a Cristo ou morrer, Sebastião permaneceu inabalável em sua fé. Maximiano, furioso, condenou-o a ser morto a flechadas. Amarrado a um poste, seu corpo foi trespassado por inúmeras setas, e deixaram-no como morto.

No entanto, Deus reservava-lhe ainda maior testemunho. Cristãos piedosos recolheram seu corpo aparentemente sem vida e descobriram que ainda respirava. As feridas foram tratadas e, milagrosamente, Sebastião sobreviveu.

Curado, não fugiu. Pelo contrário, converteu numerosos membros do exército romano, sendo novamente levado diante do imperador, que se encheu de espanto e ira ao vê-lo vivo. Com admirável firmeza, o santo aproveitou a ocasião para exortar Maximiano à conversão. Indignado com tal ousadia, o imperador ordenou que fosse imediatamente morto a pauladas, e que seu corpo fosse lançado numa cloaca como sinal de desprezo.

Mais uma vez, os cristãos resgataram o corpo do mártir e deram-lhe sepultura honrosa nas Catacumbas da Via Ápia, onde até hoje se venera o local sagrado com o nome de Catacumbas de São Sebastião.

Morreu São Sebastião em 288, aos 32 anos de idade, jovem, virgem e intrépido soldado de Cristo. Sua vida heroica, além de seu duplo martírio, foi um farol de esperança para a Igreja perseguida.

Com o advento da liberdade religiosas sob Constantino, foi erguida em sua honra uma basílica nas proximidades das muralhas de Roma, várias vezes restaurada e que permanece até nossos dias como lugar de peregrinação.

A fama do santo alcançou extraordinário esplendor em 680, quando uma terrível peste assolou Roma. Transportadas suas relíquias para a Basílica de São Pedro, a epidemia cessou de forma prodigiosa. Desde então, São Sebastião foi invocado como protetor contra as epidemias e como poderoso defensor da Fé católica, ao lado de outros santos cavaleiros como São Maurício e São Jorge.

Ele recebeu o título de Defensor da Igreja, concedido pelo Papa Caio.

São Sebastião e o Brasil

No Brasil, o culto a São Sebastião alcança particular fervor. Ele é Padroeiro da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e titular da Arquidiocese. Seu nome foi dado a centenas de paróquias e a sete grandes municípios, além de inúmeras vilas e povoados por todo o território nacional.

A tradição carioca guarda com carinho a memória da batalha decisiva de 20 de janeiro de 1567, dia da festa do santo, quando portugueses, mamelucos e índios aliados expulsaram os invasores calvinistas franceses da Baía de Guanabara. Segundo a piedosa tradição, o próprio São Sebastião foi visto combatendo ao lado dos defensores da fé católica.

Por sua intercessão, Deus continua operando numerosos milagres. São Sebastião permanece, através dos séculos, modelo de coragem, fidelidade e amor a Cristo, convidando todos os cristãos a serem, como ele, soldados intrépidos da Fé.

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