Leão XIV não celebrará missa de Quinta-feira Santa em uma prisão
Essa mudança reforça o estilo mais tradicional e solene adotado pelo novo Pontífice em celebrações litúrgicas importantes, priorizando a centralidade da diocese de Roma e da catedral papal.

Foto: Wikipedia
Redação (17/01/2026 08:42, Gaudium Press) No pontificado anterior, tornou-se tradição que o Papa celebrasse a Missa vespertina da Quinta-feira Santa (Coena Domini), com especial destaque para o rito do Lava-Pés, em locais chamados de “periferias existenciais”. O Papa Leão XIV decidiu retomar a celebração na Basílica de São João de Latrão, como era costume antigamente.
No primeiro ano de seu pontificado, Francisco celebrou a Missa in Coena Domini e realizou o lava-pés em uma prisão de menores, em Casal del Marmo, em Roma. Em 2014, ele foi à Fundação Don Gnocchi, destinada a pessoas com deficiência. Em 2015, foi a vez da prisão romana de Rebibbia. Em 2016, Francisco dirigiu-se ao centro de acolhimento de migrantes, em Castelnuovo di Porto, perto de Roma. Em 2017, foi ao instituto prisional de Paliano (diocese de Palestrina), a cerca de 70 km da capital. Em 2018 e 2019, celebrou a Missa e o lava-pés na prisão Regina Coeli e no Centro Penitenciário de Velletri, ambos em Roma. Devido à pandemia, em 2020 e 2021, as celebrações não incluíram o lava-pés e a Missa foi realizada na Basílica de São Pedro, com pouquíssimos fiéis presentes. Em 2022, Francisco foi à prisão de Civitavecchia; em 2023, retornou à prisão de menores de Casal del Marmo; e em 2024, voltou à prisão feminina de Rebibbia. Na Quinta-feira Santa de seu último ano como pontífice, visitou novamente a prisão Regina Coeli, a menos de um quilômetro do Vaticano, para rezar com os detentos, mas já não pôde realizar o lava-pés. Quatro dias depois, faleceu.
Em várias dessas ocasiões, o Santo Padre lavou os pés de mulheres — prática inicialmente proibida pela norma litúrgica, que depois foi alterada. Ele também lavou os pés de detentos não batizados de outras religiões (muçulmanos e budistas), gesto não permitido pela norma litúrgica, pois o rito recorda o momento em que Cristo lavou os pés de seus discípulos.
Leão XIV decidiu não prosseguir com essa tradição. Na Quinta-feira deste ano, 2 de abril, o Papa celebrará pela manhã, na Basílica de São Pedro, a Missa Crismal, durante a qual consagrará o óleo dos catecúmenos, o óleo dos enfermos e o santo crisma, que serão usados ao longo do ano para a celebração dos Sacramentos na diocese de Roma. Às 17h30, presidirá a Missa in Coena Domini na Basílica de São João de Latrão, a catedral papal e sede da diocese de Roma.
Ainda não foi anunciado quem serão as pessoas cujos pés o Papa Leão XIV lavará.
Outra tradição do Papa Francisco que será abandonada por Leão XIV refere-se ao local dos exercícios espirituais da Cúria Romana, que ocorrerão de 22 a 27 de fevereiro. Eles voltarão a ser realizados no Palácio Apostólico, em vez da Casa Divino Maestro, preferida por Francisco. Essa decisão vai na mesma linha da escolha de Leão XIV de residir no Palácio Apostólico, em lugar da Casa Santa Marta — uma escolha muito mais econômica.




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