Madre Mariana de Jesus Torres, valente guerreira
A vida de Madre Mariana de Jesus Torres – repleta de ensinamentos religiosos, morais, históricos – marcou profundamente a História de Igreja.

Foto: Wikipedia
Redação (14/01/2026 09:32, Gaudium Press) Nascida em 1563, numa cidade de Viscaya – Norte de Espanha –, aos nove anos, por recomendação de Nossa Senhora, fez voto de virgindade e passou a levar vida monástica em sua casa.
Tendo treze anos de idade, viajou para Quito, capital do Equador, em companhia de sua tia, Madre Maria de Jesus Talvada, de nobre estirpe, e outras jovens com o objetivo de estabelecerem nessa cidade um convento da Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriz da Silva.
Quando completou quinze anos, fez a profissão religiosa. Nosso Senhor disse-lhe que seria muito perseguida e sofreria toda espécie de tentações, exceto as contrárias à virtude da pureza.
Ela, “como valente guerreira, combatia os combates do Senhor, adquirindo triunfos e honras em cada batalha”. [1]
Garcia Moreno recebeu a palma do martírio
Sob a invocação de Bom Sucesso, Nossa Senhora fez-lhe diversas revelações dentre as quais selecionamos algumas, acrescentando palavras do Redentor.
O Equador terá, no século XIX, “um presidente verdadeiramente cristão, varão de caráter a quem Deus Nosso Senhor dará a palma do martírio”.[2] Trata-se de Gabriel Garcia Moreno, que consagrou o país ao Sagrado Coração de Jesus. Inimigos da Igreja o atacaram com armas de fogo quando saía do Palácio do Governo, em Quito; agonizando, levaram-no à Catedral onde expirou aos pés do altar de Nossa Senhora das Dores, em 6 de agosto de 1875.
Pecados de sacerdotes e religiosos
No século XX, “haverá uma total corrupção de costumes. Quase não se encontrará inocência nas crianças (…) e, nessa suprema necessidade da Igreja, calar-se-á aquele a quem competia falar”.[3]
E Nosso Senhor acrescentou: “Saibas ainda que a Justiça divina costuma descarregar castigos terríveis em nações inteiras, não tanto pelos pecados do povo quanto pelos dos sacerdotes e pessoas religiosas”.[4]
Afirmou a Virgem: haverá ministros do altar que alcançarão a santidade heroica. Contra eles a impiedade fará dura guerra, cumulando-os de vitupérios, calúnias e vexações, para impedir-lhes o cumprimento do ministério. Mas eles, como firmíssimas colunas, permanecerão inabaláveis.
Terríveis sofrimentos durante cinco anos
Diversas criolas – filhas de espanhóis casados com índias – tornaram-se religiosas no Mosteiro. Entretanto, muitas delas caíram no relaxamento e se opuseram à Madre Mariana bem como às outras freiras espanholas chamadas fundadoras, que eram fervorosas e almejavam a santidade.
Estando certo dia todas as monjas no pátio interno do mosteiro, uma espanhola viu São Francisco de Assis – patrono das concepcionistas que são franciscanas – com um arco e flechas nas mãos. Apontando para a líder das revoltosas, desferiu uma seta que atingiu seu peito e ela caiu no chão… estava morta.
Algum tempo depois, surgiu outra rebeldia contra Madre Mariana, à qual Nossa Senhora apareceu e afirmou que a líder da revolta iria para o Inferno. O modo de salvá-la seria que a Madre ficasse nesse local de tormento durante cinco anos. Desejando ardentemente o bem daquela alma, ela aceitou.
Madre Mariana permaneceu esse tempo com o pavor da ideia de ter sido condenada, e que sofreria o Inferno por toda a eternidade. E só pedia uma coisa a Deus: nunca permitisse que ela deixasse de amá-Lo.
“Passados os cinco anos, foi-lhe revelada a realidade e o tormento cessou. E ela que era uma pessoa de uma grande beleza, um prodígio de beleza, muito rosada, com cores muito saudáveis que ela conservou até o fim da vida, durante esse tempo emagreceu, definhou, mas depois refloresceu completamente”.[5]

Foto: Wikipedia
Imagem que irradia a virtude da pureza
Em 1599, a Virgem apareceu-lhe e pediu que fosse confeccionada uma imagem d’Ela tal como se apresentava: com o Menino Jesus em seu braço esquerdo e, na mão direita, um báculo de ouro adornado com pedras preciosas e duas chaves.
Mandou-lhe medir sua altura com o cordão que Mariana usava em seu hábito. Ela conseguiu erguê-lo somente até onde estava o Menino, que o levantou até o alto da cabeça de sua Mãe. Nossa Senhora ordenou-lhe que entregasse a medida a um conhecido escultor, muito bom católico, para elaborar a imagem.
O artista esculpiu a imagem, mas não conseguiu fazer sua face a qual foi depois elaborada por Anjos.
Sobre essa belíssima imagem, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira afirmou que ela “comunica sua virginalidade extraordinariamente. É impossível olhar para esta imagem sem ter a impressão de que, em torno dela, a pureza se irradia.
“Ela está inundada por uma felicidade de alma que é prêmio pela virtude da pureza.
“A pureza concede isto à alma que a pratica: segurança, discernimento, dignidade, compostura por onde se calca aos pés os infortúnios. Daí provêm a louçania da vitória e do triunfo transmitida por essa imagem”. [6]
“Qual terna menina, ressurgirá a Igreja”
Em certa ocasião, Nossa Senhora do Bom Sucesso apareceu-lhe e afirmou:
“Virão tempos funestos nos quais aqueles que deveriam defender a Igreja se unirão aos seus inimigos. Ai daquele que a governa, do Pastor do redil que meu Filho Santíssimo confiou a seus cuidados!
“Mas quando os iníquos aparecerem triunfantes, próxima está sua ruína. Cairão por terra estatelados. E alegre e triunfante, qual terna menina, ressurgirá a Igreja e adormecerá suavemente, embalada em mãos do hábil coração do meu filho eleito muito querido daqueles tempos, ao qual – se prestar ouvido às inspirações da graça, sendo uma delas a leitura das grandes misericórdias que meu Filho Santíssimo e Eu temos usado contigo – cumularemos de graças e dons muito particulares, fá-lo-emos grande na terra e muito maior no Céu, onde lhe temos reservado um assento muito precioso, porque, sem temor dos homens, combateu pela verdade e defendeu impertérrito os direitos da Igreja, pelo que bem o poderão chamar mártir”.[7]
“Morro na Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana”

Pintura da Madre Mariana Francisca de Jesus Torres quando ainda estava viva Foto: wikipedia
Tendo sido atingida por intensa hemoptise, no início de janeiro de 1635, percebeu que sua morte se aproximava. Acometida por tentações contra a Fé, declarou “Morro no seio da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana”.
Recebeu a Extrema Unção, comungou de joelhos com as mãos postas e todas as freiras entoavam os Salmos penitenciais.
Na manhã de 16 de janeiro de 1635, ela afirmou que morreria nesse dia às três horas da tarde, em ponto. Quando o relógio do convento tangia três badaladas, entregou sua alma a Deus. Seu corpo, sepultado no coro baixo do convento, foi exumado em 1885 e estava totalmente incorrupto, exalando suave aroma.
Por Paulo Francisco Martos
Noções de História da Igreja
[1] PEREIRA, Manuel Sousa, OFM. Vida admirável da revma. Madre Mariana de Jesus Torres, mística confidente de Nossa Senhora do Bom Sucesso. São Paulo. Editora Petrus. 2024, p. 67.
[2] Id., p. 145.
[3] Id., p. 271.
[4] Id., p. 544.
[5] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Apresentação do Menino Jesus e Nossa Senhora do Bom Sucesso. In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XXII, n. 251 (fevereiro 2019), p.12-13.
[6] Id. Nossa Senhora do Bom Sucesso. Dr. Plinio. Ano XIII, n. 143 (fevereiro 2010), p. 22-23.
[7] PEREIRA, Manuel Sousa. Op. cit. p. 411-412.





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