O encontro de María Corina Machado e o Papa
Foi um encontro inesperado, que não constava na agenda oficial.

Foto: Screenshot/ Youtube/ Vatican Media
Redação (13/01/2026 10:12, Gaudium Press) O noticiário internacional deu grande destaque ao encontro ocorrido entre María Corina Machado e o Papa Leão XIV, que não constava na agenda oficial e que certamente não só terá repercussão no destino da Venezuela, mas também, por assim dizer, ratifica a posição do Pontífice como mediador e ator diplomático mundial de primeiro nível.
A figura de María Corina já era conhecida no cenário internacional quando, em dezembro passado, recebeu o Prêmio Nobel da Paz, que dedicou ao presidente americano. É natural que, como principal líder em seu país, ela tenha sido bastante mencionada após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro passado, pelas forças americanas.
Com efeito, após esses acontecimentos, o Papa se referiu, em várias ocasiões, à situação da Venezuela: uma delas em 4 de novembro, quando, durante o Ângelus, afirmou que acompanhava com preocupação o que estava acontecendo no país; e outra, em 9 de janeiro, ao discursar para o corpo diplomático acreditado junto ao Vaticano, referindo-se à Venezuela, convidou a “construir uma sociedade fundada na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade, e assim sair da grave crise que aflige o país há muitos anos”. Ademais, pediu “que se respeite a vontade do povo venezuelano” e “que os direitos humanos e civis de todos sejam preservados, garantindo um futuro de estabilidade e concórdia”. Alguns analistas observaram que, nas palavras de Leão, não houve qualquer tipo de condenação à ação americana.
Até o momento, a Santa Sé não se pronunciou sobre o que foi tratado durante esse encontro. Entretanto, em declarações posteriores, María Corina Machado afirmou que havia pedido ao Pontífice “que interceda por todos os venezuelanos que continuam sequestrados e desaparecidos” e pelo “avanço sem demora da transição para a democracia” no seu país. María Corina também disse ao Papa que “a derrota do mal está mais próxima”, e, para isso, pediu a colaboração da Igreja.
De fato, quando Leão XIV afirmou aos diplomatas que a vontade popular devia ser respeitada, muitos interpretaram essas palavras como uma constatação de que a vontade dos eleitores não foi respeitada nas eleições de julho de 2024, as quais a oposição qualifica de fraudulentas.
Após as informações publicadas no The Washington Post, no sentido de que, dias antes da captura de Maduro, o cardeal secretário de Estado Parolin havia tentado mediar sua saída para a Rússia, este encontro de María Corina com o Papa Prevost ressalta mais uma vez, se é que há alguma dúvida, que não se pode pensar no futuro da Venezuela sem considerar a Igreja e o Pontífice, em um país que continua sendo de maioria católica.





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