Ditadura da Nicarágua liberta alguns presos políticos
Nicarágua libera alguns presos políticos no 19º aniversário do governo de Daniel Ortega, sob pressão dos Estados Unidos.
Redação (11/01/2026 11:05, Gaudium Press) O governo da Nicarágua anunciou neste último sábado (10) a libertação de “dezenas de pessoas” detidas, entre elas vários presos políticos, em uma medida que coincide com a comemoração dos 19 anos do governo de Daniel Ortega, e ocorre em meio a intensas pressões diplomáticas dos Estados Unidos, uma semana após a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Em comunicado oficial divulgado no portal governamental, o regime sandinista informou:

O texto oficial não especifica o número exato, não forneceu nomes nem detalhes sobre os motivos das detenções, limitando-se a descrever a ação como um gesto de “compromisso com o encontro, a paz e o direito de todos a uma convivência familiar e comunitária, respeitosa e tranquila”.
Veículos de comunicação nicaraguenses que atuam no exílio na Costa Rica e nos Estados Unidos indicaram que entre 20 e 30 pessoas foram postas em liberdade, e que entre elas estavam ativistas da oposição e líderes sociais críticos ao governo.
O Mecanismo para o Reconhecimento de Presos Políticos na Nicarágua confirmou a libertação de 20 presos políticos, mas continua investigando outros casos. Esses 20 indivíduos “já saíram dos centros de detenção e estão retornando para suas casas, após períodos de prisão arbitrária que tiveram um impacto profundo sobre eles e suas famílias”.
A medida acontece um dia após a Embaixada dos Estados Unidos em Manágua destacar, em mensagem no X, que, enquanto a Venezuela deu “um passo importante” ao liberar um grande número de presos políticos, na Nicarágua ainda havia “mais de 60 pessoas injustamente detidas ou desaparecidas”. A nota americana reforçou que “a paz só é possível em liberdade”.
Em 10 de janeiro de 2026, as autoridades americanas insistiram em suas pressões: “Hoje, a brutal ditadura Ortega Murillo ‘comemora’ 19 anos do que deveria ter sido um mandato democrático de cinco anos”.
“Os nicaraguenses votaram em um presidente em 2006, não em uma dinastia ilegítima vitalícia. Reescrever a Constituição e esmagar a oposição não apagarão as aspirações dos nicaraguenses de viver livres da tirania”, publicou no X o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA.
Organizações de direitos humanos e a imprensa no exílio denunciaram que, na semana anterior, ao menos 61 pessoas foram detidas por manifestarem apoio ou celebrarem nas redes sociais a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro – aliado histórico de Ortega –, ocorrida no início de janeiro.
Nos últimos anos, o governo americano tem revogado ou restringido vistos de funcionários do regime de Ortega e de sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, como forma de resposta às violações de direitos humanos e à repressão política no país.
Ortega, de 80 anos, e Murillo, de 74, detêm poder absoluto na Nicarágua, restringindo liberdades e esmagando a oposição após os protestos de 2018. Daniel Ortega governa a Nicarágua há aproximadamente 24 anos, considerando seus dois períodos presidenciais, e completou, neste 10 de janeiro, 19 anos consecutivos no poder desde 2007.
Os presos políticos libertados não gozarão de plena liberdade, pois terão de comparecer diariamente às delegacias de polícia de suas respectivas cidades para assinar um documento de controle, medida já aplicada anteriormente a outros opositores liberados em outras ocasiões.






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