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Santa Ângela de Foligno: do mundanismo à mística

A vida de Santa Ângela de Foligno, cuja memória é celebrada no dia 4 de janeiro, foi selada pela cruz e pela certeza da vitória sobre o demônio que queria vê-la no mundanismo e na descrença da misericórdia Divina.

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Redação (04/01/2026 11:27, Gaudium Press) Santa Ângela de Foligno, uma das grandes místicas da Idade Média, nasceu em 1248 na cidade de Foligno, na região da Úmbria, Itália, próxima a Assis. Proveniente de uma família abastada, possivelmente com influências anticlericais devido ao contexto político da época — a cidade havia apoiado o imperador Frederico II contra o Papa —, Ângela cresceu em um ambiente de riquezas e vaidades. Casou-se jovem com um homem rico e teve vários filhos, levando uma vida marcada pelo mundanismo, pelo apego aos bens materiais e pelo distanciamento de Deus.

Porém, a frivolidade e a despreocupação da juventude foram abaladas em poucos anos por uma série de eventos: o violento terremoto de 1279, um furacão impetuoso e, em seguida, a longa guerra contra Perugia a levaram a questionar-se sobre a precariedade da vida e a sentir medo do inferno. Nasceu nela o desejo de se aproximar do Sacramento da Penitência. “Descontente comigo mesma, comecei a pensar seriamente em minha vida. Deus me mostrou os meus pecados e minha alma encheu-se de pavor, prevendo a possibilidade de minha condenação…Pedi a Nossa Senhora que me conduzisse a um Sacerdote esclarecido ao qual pudesse fazer minha confissão geral”.

Mas a vergonha a impediu de fazer uma confissão completa e, por isso, permaneceu em tormento. Em oração, obteve de São Francisco de Assis a garantia de que em breve conheceria a misericórdia de Deus.

Ângela voltou então ao confessionário e, desta vez, reconciliou-se plenamente com o Senhor. Aos 37 anos, apesar da hostilidade dos familiares, começou a sua conversão sob o signo da penitência e da renúncia às coisas, aos afetos, a si mesma.

Após a morte prematura e próxima da mãe, do marido e dos filhos, ela vendeu todos os seus bens, distribuindo o dinheiro aos pobres. Em uma visão, foi exortada a vender até um “castelo” ao qual tinha grande apego sentimental. Foi em peregrinação a Assis seguindo os passos do Poverello e, em 1291, entrou na Ordem Terceira de São Francisco, confiando-se à direção espiritual do frade Arnaldo, conterrâneo e parente, que mais tarde se tornou seu biógrafo, autor do famoso “Memorial”, um tratado completo de teologia e mística. Apesar de nunca ter feito estudos teológicos, Ângela foi homenageada como “mestra dos teólogos”. A sua sabedoria não era fruto de estudos, mas apenas de inspiração divina.

Deus a escolhera para nela derramar o seu amor e lhe confiar revelações sublimes sobre os seus mistérios. Obedecendo à inspiração divina, sentiu-se obrigada a confidenciar ao seu confessor as visões e revelações que tinha, elementos da mais requintada mística cristã e franciscana. Dedicava especial predileção aos mistérios de Jesus a sofrer na cruz e ao sacrifício eucarístico.

As etapas da vocação de Ângela e suas constantes êxtases e experiências místicas, que culminaram na habitação da Santíssima Trindade em sua alma, são divididas em trinta “passos”.

Apesar dessa intensa vida interior, ela vivia em aparente simplicidade, dedicando-se à caridade: atendia e curava enfermos, especialmente leprosos, vendo neles o Cristo sofredor.

Envolvida nas controvérsias que dilaceravam a ordem franciscana, Ângela atraiu para si um círculo de filhos espirituais que viam nela uma guia e uma verdadeira mestra da fé: por isso, sua figura é um dos modelos do gênio feminino na Igreja.

Sentindo aproximar-se o fim, no final de 1308, reuniu seus “filhos espirituais”, abençoou-os e exortou-os a perseverar no caminho de Deus. “Procure amar a Deus com todo o coração, pois Deus mora no coração. Ele é o único que dá e que pode dar a paz”.

Mesmo antes de sua morte, em 4 de janeiro de 1309, o povo já lhe atribuía, extraoficialmente, o título de santa.

Em 9 de outubro de 2013, o Papa Francisco completou a obra iniciada por seus predecessores ao canonizar Ângela de Foligno por equivalência.

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