Ângelus: o fundamento da nossa esperança é a Encarnação de Deus
“O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). “Esta é a obra de Deus: em Jesus, Ele tornou-se um de nós, escolheu ficar junto de nós, quis ser para sempre o Deus-conosco”, afirmou o Papa antes da oração do Ângelus, na Praça de São Pedro.
Foto: Vatican Media
Redação (04/01/2026 11:27, Gaudium Press) Neste segundo domingo depois do Natal do Senhor – na Itália, a Solenidade da Epifania do Senhor é celebrada no dia 6 de janeiro –, o Papa retomou o Prólogo de João, que a liturgia propõe para este 4 de janeiro: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”.
Às vésperas do encerramento do Jubileu, o Papa Leão XIV enfatizou que a esperança cristã “não se baseia em previsões otimistas ou cálculos humanos”, mas no “escolha de Deus de vir partilhar nosso caminho, para que nunca estejamos sozinhos na travessia da vida”. Trata-se da obra de Deus: em Jesus, “Ele se tornou um de nós, escolheu estar conosco e quis ser para sempre o Deus-conosco”.
O Mistério do Natal recorda, de fato, que “o fundamento de nossa esperança é a Encarnação de Deus”, acrescentou o Pontífice. Jesus veio na fraqueza da carne humana para “reavivar em nós a esperança”, mas sua vinda, “por outro lado, confere-nos um duplo compromisso: um para com Deus e outro para com o ser humano”, explicou o bispo de Roma.
A espiritualidade
Em primeiro lugar, “Ele se fez carne e escolheu nossa fragilidade humana como sua morada”. Por isso, recordou Leão XIV, “somos sempre chamados a repensar Deus a partir da carne de Jesus, e não de uma doutrina abstrata”. O Papa incentivou os fiéis a “sempre rever nossa espiritualidade e as formas de expressar a fé, para que sejam verdadeiramente encarnadas”, ou seja, “capazes de pensar, rezar e anunciar o Deus que vem ao nosso encontro em Jesus; não um Deus distante que vive em um céu perfeito acima de nós”, mas “um Deus próximo que mora em nossa terra frágil, se torna presente no rosto de nossos irmãos e se revela nas situações cotidianas”.
A coerência no compromisso
Em segundo lugar, prosseguiu o Papa, “para com o ser humano, o nosso compromisso deve ser igualmente coerente. Se Deus se tornou um de nós, cada criatura humana é um reflexo, traz em si sua imagem e guarda uma centelha de sua luz”. Isso “nos convida a reconhecer em cada pessoa sua dignidade inviolável e a praticar o amor mútuo, uns para com os outros”.
Fraternidade, comunhão e solidariedade
Continuando, o Sumo Pontífice esclareceu que “a Encarnação exige também de nós um compromisso concreto com a promoção da fraternidade e da comunhão”, para “que a solidariedade se torne o critério das relações humanas, em favor da justiça e da paz, do cuidado com os mais frágeis e da defesa dos vulneráveis”. E acrescentou: “Deus se fez carne; por isso, não há culto autêntico a Deus sem atenção à carne humana”.





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